Governo de SC reabre as escolas gradualmente enquanto Sinte deixa categoria à deriva

No dia 17 de julho, o governo de Santa Catarina anunciava, em seu site oficial, que o Comitê de Retomada das Aulas Presenciais havia concluído um documento que dava conta das normas de retomada das aulas presenciais em Santa Catarina. Na mesma publicação, o governo afirma que fizeram parte da elaboração do documento 15 instituições. Entre as entidades está o Sinte-SC.

No dia 09 de setembro, o governo passa a detalhar as medidas e no dia 25 de setembro anuncia que começarão as capacitações em todo o estado, nos municípios e nas escolas, para que cada “unidade” apresente seu plano de retomada. Na matéria o governo reafirma o regime de colaboração das 15 entidades. Em live, no dia 5 de outubro, dá maiores esclarecimentos de como se dará o retorno.

O jogo do governo do estado é perigoso! Enquanto os professores do município de Joinville, por exemplo, já têm data para a volta das aulas normais, o plano apresentado para a rede estadual parece “humanizado”. Há uma pretensa garantia de que as aulas não voltam este ano, de que os professores atualmente contratados vão permanecer responsáveis somente (cuja jornada de trabalho já está extenuante) pelo ensino remoto e de que haverá novas contratações para fornecer apoio pedagógico para alguns alunos.

Se o caso fosse a preocupação com aqueles estudantes que não estão conseguindo aprender com o ensino remoto, outras medidas deveriam ser tomadas: fornecer computador e internet para todos os estudantes e professores, contratação de professores para apoio pedagógico individualizado. Atualmente a equipe administrativa já está exposta ao risco na entrega das ineficientes atividades impressas, mas isso pode ficar muito pior, pois aluno na escola significa fazer voltar ao trabalho também as merendeiras e os zeladores.

Além disso, não dá para confiar na promessa de que esse não é só um experimento para ainda esse ano, ou mesmo para o início do ano que vem, quando provavelmente não estaremos todos imunizados, e forcem o retorno. Em agosto, o posicionamento do governo era de que, para voltar às aulas presenciais, os municípios deveriam estar em risco moderado por 15 dias. Agora passou a ser o risco alto aceitável para o retorno.

A estratégia divide a categoria, porque, em um momento de crise econômica agudizada pela pandemia, é muito tentadora a possibilidade de ampliação de carga horária, de contratação, quando vários professores estão desempregados. A forma de combate seria uma greve de toda a categoria, inclusive dos professores que estarão com seu direito ao isolamento respeitado pelo ensino remoto, enquanto outra parcela e parte dos estudantes estarão expostos aos riscos.

Apesar de os governos, a mídia burguesa e os empresários estarem fazendo parecer que a pandemia acabou, não é essa a realidade. Basta ver o exemplo da Itália, que mesmo estando em uma situação muito mais controlada que a nossa, quando retomou as aulas entrou novamente em estado de alerta, com possibilidade de lockdown na capital Roma.

Durante a última semana (28/9 – 02/10) os diretores escolares organizaram comissões de “gerenciamento da Covid-19”, convidando os professores para participarem. Os professores, sem qualquer orientação do sindicato, vão agindo por conta própria, uns se voluntariam (sem entender que assinaram o retorno pelo e com o governo), outros se revoltam e outros perguntam qual a orientação do sindicato.

O papel do Sinte

Em nenhum momento os trabalhadores do estado de Santa Catarina autorizaram o Sinte a participar de plano de contingência da retomada. Pelo contrário, tudo que a categoria discutiu e aprovou até o momento é que só aceitamos o retorno com vacina. Os dirigentes do Sinte agem contra o deliberado pela categoria, inclusive contra o deliberado pelo Conselho deliberativo no último dia 29 de agosto. Dão as costas ao conjunto da categoria e abraçam o governo, apostando na governança, como afirmado em todos os documentos do governo que transfere aos trabalhadores em educação e à comunidade a responsabilidade da crise sanitária.

Enquanto isso, no site do Sinte, nenhuma palavra. Nenhuma palavra sobre os profissionais da parte pedagógica e administrativa que estão arriscando suas vidas na entrega de materiais impressos a centenas de estudantes; nenhuma palavra sobre os milhares de estudantes que não têm acesso à internet, computador; nenhuma palavra sobre os professores que estão com a mesma dificuldade; nenhuma palavra sobre a defesa do emprego dos professores ACTs; nenhuma palavra sobre o fato de cada região poder autorizar o retorno; nenhuma palavra sobre a campanha salarial de 2020; nenhuma palavra sobre a suspensão de todas as progressões até dezembro. Por fim, nenhuma palavra, nenhuma chamada para que sejamos nós a derrubar o governador e o desacreditado parlamento catarinense.

Fica mais uma vez nítido para toda a categoria que a direção do sindicato não cumpre as deliberações da categoria e acorda planos de retomada com o governo.

Convocamos todos os trabalhadores em educação a não fazerem parte de nenhuma comissão tripartite convocada pelo governo e endossada pelo Sinte. Não sejamos nós a autorizarmos o retorno presencial.

Nossa tarefa é discutir, em cada escola, o repúdio ao plano de contingência. Nossa tarefa é organizar a derrubada de Moisés.

É preciso se filiar ao Sinte, é preciso organizar cada escola, é preciso varrer essa direção que trai a categoria abertamente. Por isso convidamos todos aqueles que concordem com essa denúncia a participarem de uma reunião com a Corrente Sindical Esquerda Marxista, na sexta-feira, 9 de outubro, 19h nesse link: https://meet.google.com/jmo-bpik-wkt.

No próximo sábado o Conselho Deliberativo do Sinte se reúne. O objetivo dessa reunião é preparar a intervenção de nossos conselheiros, Cláudio Silva e Letícia Ferreira.

  • Nossa defesa precisa ser muito contundente, aprovada em cada escola e tornada pública
  • Retorno presencial só com vacina;
  • Direito ao isolamento social para todos os trabalhadores em educação e a todos os estudantes;
  • Direito de emprego aos ACT’s – manutenção do contrato até o fim da pandemia, mais contratações, com processo seletivo online;
  • Direito à educação remota com exigência de internet, computadores e todas as condições necessárias, inclusive de reforço escolar digital individual;
  • Fora Moisés!
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