Freixo, o responsável pelo 2º turno entre Crivella e Paes

No segundo turno das eleições municipais do Rio de Janeiro há dois candidatos puro sangue da burguesia: Marcelo Crivella (Republicanos) e Eduardo Paes (Democratas). De um lado, Crivella tem o apoio direto de Bolsonaro e espalha fake news contra o PSOL. Do outro, Paes também tem um programa de ataques aos direitos dos trabalhadores e as liberdades democráticas, e vai dialogar com Bolsonaro. Hoje a burguesia tem a garantia de que vai governar a prefeitura por mais 4 anos. E o responsável por essa tragédia chama-se Marcelo Freixo (PSOL).

Estivemos entre aqueles que apresentaram a pré-candidatura do companheiro vereador Renato Cinco para disputar posições com Freixo no interior do PSOL. Mas quando Freixo retirou sua candidatura, fez isso para construir uma ponte do PSOL em direção à burguesia. Por isso, no mesmo dia que desistiu (16 de maio), Freixo anunciou, em entrevista ao Globo, que num possível segundo turno entre Paes e Crivella, votaria em Paes. Colocando-se sempre acima do coletivo, desacreditou o partido e seus militantes. Depois trabalhou para o vice do PSOL ser um ex-oficial da PM, numa chapa decidida sem prévias partidárias. O resultado desastroso dessa política é que a candidatura da companheira Renata Souza a prefeita teve um resultado desastroso, contabilizando menos votos do que nossa maior votação a vereador.

Freixo fez tudo isso contrariando o PSOL como um partido socialista. O que ele quer é uma frente com os inimigos de classe dos trabalhadores. Não basta a direção do PSOL declarar “nenhum voto em Crivela” e não basta a direção do PSOL declarar que será “oposição” a qualquer dos dois governos eleitos. É necessário defendermos o voto nulo no 2º turno, pois é a única forma clara de não alimentar ilusões nos dois candidatos da burguesia e seus partidos.

E se no primeiro turno vimos uma derrota daqueles ligados a Bolsonaro, também vimos uma derrota daqueles partidos de esquerda que dizem falar em nome dos trabalhadores, mas aprofundam a política de conciliação de classes (PT e PCdoB). Mas também vimos, por outro lado, como o PSOL aumentou significativamente suas bancadas parlamentares. Contudo, no perfil dessas bancadas crescem duas tendências. Uma com a política de “gestão” das instituições do Estado, que abandona um programa de luta pelas reivindicações dos trabalhadores e da juventude. Outra cresce baseada na política identitária. Está cada vez mais reduzido o perfil de mandatos que se apresentam para lutar pela “classe trabalhadora”.

Perguntamos: até onde a política de “empoderamento” individualista, de “representatividade”, de “visibilidade”, e em alguns casos até de “empreendedorismo”, tem protegido os negros que seguem morrendo nas favelas e sendo alvos dos seguranças nas empresas? Negro para os capitalismo é “a carne mais barata do mercado”, só serve para ser explorado e ser morto. E isso não é uma política de “extermínio”, mas sim de controle social. Mata-se alguns para o restante ficar “no seu lugar”. E o principal lugar do PSOL é a luta de classes, organizando nas bases, nas empresas, bairros, escolas e universidades uma perspectiva de luta do proletariado pelas ideias autenticamente socialistas para ajuda os trabalhadores a se auto-organizarem e para defenderem suas vidas desse regime capitalista e racista.

Precisamos resgatar o rigor da política de independência de classe, lembrando que o comprometimento desse princípio foi o que levou a destruição do PT enquanto partido operário. E precisamos que o PSOL se coloque a frente da luta pela mais ampla unidade, de todos os explorados e oprimidos, por Fora Bolsonaro, e pela construção de um governo dos trabalhadores, sem patrões e sem generais.

 

Esquerda Marxista – Rio de Janeiro (PSOL),
Novembro, 2020.

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