Foto: Marcelo Freixo, Flickr

Freixo desiste de sua candidatura: o que sobra para a luta contra a Covid-19 no Rio de Janeiro ? 

O Rio de Janeiro passa pela sua pior crise: dezenas morrem todos os dias e o número pode chegar a centenas. Ao lado de SP, é o estado que mais tem casos de mortes pela Covid-19 e é o local onde mais cresce essa margem. Ou seja, as principais capitais econômicas e políticas do país estão sofrendo uma grave crise sem precedentes. 

É nesse cenário que o principal nome do PSOL afirma retirar sua candidatura. Isso quando as pesquisas apontavam que ele estava em segundo lugar.  

Este artigo buscar apresentar uma análise marxista sobre o tema e as alternativas de luta nesse momento. 

O que está por trás dessa decisão de freixo 

Na noite de sexta feira (15/5) O Globo publicou uma notícia afirmando que Marcelo Freixo iria abandonar sua tentativa de candidatura a prefeito do Rio de Janeiro. A notícia foi um espanto para milhares de pessoas, mesmo para a base do partido. 

No sábado (16/5) pela manhã o deputado do PSOL fez uma publicação em sua rede social (acesse aqui) em que “explica” sua posição. No texto ele afirma:  

“Diante destes ataques, agravados pela ação genocida do presidente em meio à pandemia, a urgência da luta em defesa da vida e da democracia se impõe como um dever ante a realização dos nossos projetos pessoais. Por isso, decido sacrificar o meu desejo de disputar novamente a prefeitura do Rio de Janeiro para dedicar todos os meus esforços à construção de uma frente ampla que una nacionalmente o campo democrático no enfrentamento ao fascismo.” 

O discurso de que há um fascismo em curso, ou em vias de acontecer, foi usado amplamente para justificar todo tipo de erro político.  No caso do PT e do PSOL, foi usado para ter um álibi para suas posturas cada vez mais à direita. Segundo eles, para enfrentar o fascismo vale se aliar à burguesia. E foi isso que esses partidos, ditos de esquerda fizeram.  

O engraçado é que Freixo começa explicando claramente que Bolsonaro tenta fazer um governo ditatorial, baseado nas Forças Armadas e não um governo “fascista”: 

Estamos enfrentando um dos maiores ataques da nossa história à democracia e à vida dos brasileiros. Bolsonaro se comporta como um aspirante a ditador que usa ilegalmente o cargo mais importante do País para alimentar uma guerra à democracia. Seu projeto de poder autoritário está retirando direitos e destruindo a dignidade do povo brasileiro com uma voracidade inédita. 

O que Freixo descreve, com precisão, é o que ficou conhecido como um governo “bonapartista”, um governo baseado na Força Militar, como foram os governos de Napoleão Bonaparte e Luiz Bonaparte, na França! Mas, para Freixo, a precisão histórica pouco lhe interessa, o que interessa é justificar a sua aliança com a burguesia, estando em um partido que se declara “socialista”, enquanto Freixo nada tem de socialista. 

Em nome do resgate da democracia, tudo seria permitido, inclusive alianças com a direita e Ciro Gomes (PDT)  

Ou seja, essa fala de “unidade contra o fascismo” é, na verdade, um artifício usado pelos dirigentes reformistas sufocar o desejo revolucionário da classe trabalhadora e da juventude. Com esse discurso eles não saem como traidores e nem covardes, porque lançaram uma névoa de confusão e medo sobre as massas. Contudo, embora façam essa leitura de que o momento exige unidade, organização e enfrentamento do “fascismo” eles se recusam a travar uma luta real para organizar a indignação do povo. 

No fim, essa frente ampla, que diz dialogar com todos para combater a ditadura, não apresenta nenhuma saída real para a crise, a não ser um grande acordo entre aparelhos partidário e instituições burguesas, enquanto vira as costas para a classe trabalhadora, que está com uma disposição de luta nunca vista antes. 

Há mesmo um fascismo? 

Uma análise de conjuntura equivocada pode resultar em decisões políticas muito graves. A Esquerda Marxista, utiliza para analisar a realidade o materialismo dialético, por isso, estamos com os pés fincados no mundo real, na materialidade e dinâmica da realidade, e não empurrando conceitos abstratos 

Nossa compreensão sobre Bolsonaro sempre recusou a falsa ideia de que há a possiblidade de um fascismo hoje no Brasil e no mundo. O fascismo é a última cartada do capitalismo para se manter no poder, diante de uma forte organização da classe trabalhadora. É preciso estudar o que foi o fascismo e como a classe trabalhadora o derrotou. 

Mas, os reformistas e intelectuais preferem repetir conceitos abstratos, achando que colocar a palavra “proto” ou “neo” antes de fascismo resolve o problema. Um fascismo sai caro, politicamente e financeiramente; exige um forte aparato repressivo e uma base social que o apoie, e Bolsonaro não tem nenhum dois. Bolsonaro conseguiu, quando tentou fundar um partido “só com os seus” meros 80 mil assinaturas, apesar de todo o apoio de igrejas, bispos e pastores. Muito longe da 500 mil necessárias para legalizar o  partido,  

Bolsonaro já perdeu dois ministros da saúde, sem falar do Moro. Seu governo é fraco. O castelo de areia de Bolsonaro só não caiu ainda porque a esquerda faz de tudo para sufocar a revolução e o grito de ódio da classe trabalhadora. Ou seja, eles afirmam que há um acirramento da luta de classes e uma agudização da repressão. Mas, em vez de darem uma resposta também mais radical e aguda, o que fazem é recuar. 

Nossa caracterização é de que o governo Bolsonaro se trata de um governo que tenta ser bonapartista, com um forte personalismo, populismo, centrado na figura de um “herói” que não é capaz de salvar ninguém. Esse bonapartismo, prefere governar por dentro da lógica suja da república burguesa, apoiado num forte aparato militar. E nem isso ele conseguiu até agora 

Bolsonaro  aplica planos que podem matar milhões de trabalhadores em uma tentativa de salvar a economia burguesa”E para isso ele não precisa de um exército. Ele faz isso baseado nas leis burguesas e na constituição de 1988. Porque esse é o jeito mais fácil e barato. E fará mesmo tendo recebido voto de cerca de apenas 26% da população, porque isso é a “democracia burguesa”, onde maioria não decide nada e é obrigada a achar que é livre para decidir. Só não vê isso quem está com poeira nos olhos, causada pelas análises apocalípticas e pessimistas de fascismo. 

Nesse sentido, escrevemos inúmeros artigos denunciado todo o impressionismo que o PT construiu ao dizer que havia um golpe, depois que havia uma onda conservadoradepois que havia um aumento da ultradireita, uma ditadura e, por fim, um fascismo. E o que fizeram para enfrentar cada um desses “momentos” ? Recuaram cada vez mais… e é o que faz Freixo nesse momento. 

Acontece que essas afirmações se baseavam em abstrações, sob interesses de sufocar a insatisfação das massas e frear uma ação revolucionária. Enquanto toda América Latina e o mundo estava em chamas, no final do ano passado, o que os “bravos lutadores contra o fascismo” estavam fazendo? Chamando o fora Bolsonaro e organizando os trabalhadores para engrentar a reação 

O caminho que escolheram foi bem diferente. Estavam dizendo que o povo é gado, que é burro, que vota errado e que a mudança real começa dentro de cada um de nós… Alguns estavam gritando “Lula Livre” com a esperança de que se ele saísse, reorganizaria as massasO que aconteceu de verdade foi que Lula foi solto e falou: Não guardo mágoas de ninguém. Nada de gritar fora Bolsonaro, porque ele foi eleito democraticamente, temos que esperar até 2022 e torcer para ele não fazer muita besteira. Foi isso que Lula fez.  

Mais uma vez a direção jogou um balde de água fria na classe trabalhadora. E eles ainda têm a cara de pau de afirmar que há um aumento da ultradireita. O que há é uma revolta generalizada com as direções traidoras, o que há é uma falta total de esperanças no Congresso e modelo burguês de fazer política. Ou vamos esquecer que a maioria esmagadora dos votos foram contra o Bolsonaro? 

Mas, os reformistas não conseguem ver a luta de classes. Eles se baseiam nas eleições burguesas, na “luta” parlamentar e nos vídeos de grupelhos fascistóides na internet. Preferem dar atenção a esses pequenos grupos do que ao grito de Fora Bolsonaro que ecoa nas ruas, e que foi a marchinha mais cantada do carnaval, antes da pandemia chegar e salvar a pele dos reformistas, que iam ter que lidar com a juventude na rua, disposta a derrubar Bolsonaro.  

Esquecem que a juventude cada dia cria, por conta própria, mais coletivos de luta contra Bolsonaro, que grita na janela que o presidente tem que cair. A juventude não é gado, ela só não vê saídas reais dentro do modelo de representação burguesa; ela busca uma saída anti-sistêmica. E, já que a esquerda partidária não se apresenta como essa alternativa real para enfrentar as dores do capitalismo, ela faz suas aventuras com a direita, com o anarquismo, com os coletivos identitários e mesmo com um desânimo e apatia com a política.  

A juventude está certa! O modelo burguês não apresenta mais saída alguma para nossas necessidades, a única resposta é mais exploração e opressão. Acontece que os partidos de esquerda insistem em se limitar a travar uma luta parlamentar e eleitoreira.  

As “batalhas” dentro do Congresso 

Mais uma vez o argumento de que temos que lutar para salvar democracia e lutar contra o fascismo que bate às portas é jogado pelo ralo. Afinal, se temos um presidente fascista no controle qual sentido faz estar dentro do Congresso “fascista” votando leis? Mais ainda, por que esse presidente fascista ainda não expulsou toda a esquerda comunista do Congresso e proibiu reuniões da esquerda ?  

A resposta é óbviaporque o Bolsonaro é um governo burguês, que prefere deixar essa esquerda lá dentro porque sabe que na prática ela não interfere em nada nas suas decisões de fazer o povo pagar pela crise dos capitalistas. Em verdade, a esquerda dentro do Congresso serve para fazer parecer que o Congresso é um local em disputa, onde devemos travar batalhas. Ou seja, a direita precisa dessa esquerda reformista lá dentro, para a democracia burguesa seguir aplicando o plano de cortar na pele dos trabalhadores, ao mesmo tempo que parece um local democrático e onde as “vozes dopo” estão representadas nas mais diversas colorações políticas.  

A verdade é que o Congresso Nacional é um espaço podre, de onde não pode sair nenhuma vitória para os trabalhadores. Qualquer coisa que seja votada no Congresso é votada contra os trabalhadores. O que pode ocorrer é que a organização dos trabalhadores, a luta de classes, por vezes impede de que os burgueses apliquem todos seu plano de ataques. Nesses casos, os oportunistas do Congresso sempre estarão dispostos a dizer que foi graças a eles que essa “vitória” foi alcançada. Freixo, inclusive, tem orgulho de dizer que teve importantes vitórias, quando na verdade foram verdadeiras traições à classe, como o caso do pacote anticrime. Sem falar das inúmeras outras derrotas contra a classe que estão passando dentro desse mesmo Congresso, por exemplo as MP que tiram direitos trabalhistas durante e pandemia. 

Esses oportunistas são da direita e da esquerda. Ou realmente achamos que o auxílio dos R$ 600 para os trabalhadores foi uma vitória ? Mas, ninguém sobrevive só com esse dinheiro. Ou seja, quem teve a sorte de receber esse auxílio segue sendo obrigado a sair da sua casa para trabalhar e buscar o sustento para sua casa. 

Mas, os políticos, de direita e esquerda, fingem que esse dinheiro é o bastante. E, mesmo a esquerda que diz que não é o bastante afirma, contraditoriamente: o Congresso Nacional não deixaria passar mais. Então, nos perguntamos: por que então largar as lutas reais para atuar dentro do Congresso? 

Em trecho de sua nota Freixo afirma: 

Assumo esse compromisso porque entendo que o pleito de 2020 será um passo decisivo para criarmos pontes, acumularmos forças, amadurecermos um novo projeto de Brasil e derrotarmos o bolsonarismo em 2022. 

Além de me dedicar a essa articulação nacional em prol da unidade do campo democrático antifascista, seguirei enfrentando as duras, porém necessárias, batalhas que estamos travando no Congresso Nacional, onde obtivemos vitórias relevantes. Nós aprovamos a renda básica emergencial, garantindo R$ 600 para socorrer os brasileiros na crise quando o governo queria pagar apenas R$ 200; barramos a destruição da legislação que impede o acesso indiscriminado de armas e munições e derrotamos a excludente de ilicitude. 

Nesse trecho, Freixo deixa claro duas coisas: 

– A primeira é que para Freixo devemos esperar até 2022 para “derrotar o bolsonarismo”. 

– A segunda é que ele defende que as “lutas” dentro do Congresso são o centro para termos conquistas. 

Ou seja, por mais que o discurso de Freixo afirme que não se trata de uma oposição eleitoreira e parlamentarista, na prática, é assim que se comporá Freixo e os partidos de esquerda. Eles jogaram a toalha sobre derrotar Bolsonaro de verdade. Eles defendem uma “luta nas urnas”. Assim, se Bolsonaro vencer em 2022 eles podem dizer que fizeram a parte deles, seguem conseguindo seus cargos e aparelhos partidários, e ainda podem culpar o povo que não sabe votar… 

Essa é a saída anti-operária, antimarxista. A frente ampla de Freixo é, na verdade, uma frente para manter Bolsonaro no poder, massacrando a classe trabalhadora. 

O modelo de representação burguês está falido. Se engana quem tem esperanças na representatividade burguesa. O Congresso, o Judiciário e as Forças Armadas são contra a classe trabalhadora, e podem se mostrar como instituições burguesas sem nenhum medo, não precisam mascarar seu ódio dos pobres, dos trabalhadores. Não precisam de um fascismo ou uma ditadura para matar milhares de nós todos os dias, seja por tiro, por fome, por doença. A pandemia só ajudou eles a aceleraram o processo burguês de destruição das forças produtivas.  

Uma frente ampla contra o fascismo ou um pacto entre aparatos pra frear as massas? 

Dentro desse cenário de crise generalizada, em que a pandemia intensificou as dores e perdas da nossa classe esse discurso de frente ampla, unidade da esquerda, luta pela democracia e contra o autoritarismo parece fazer sentido, afinal, de fato, estamos vivendo um momento em que as liberdades democráticas estão sendo atacadas, bem como os direitos adquiridos. Um povo que já passava fome e morria doente, agora tem potencializada essa situação, sem ter para onde correr. Ou morre de fome em casa ou trabalha podendo ser contaminado. E se for contaminado, vai continuar saindo para trabalhar, porque senão, morre de fome. Essa é a realidade. 

Foto: Ricardo Stuckert

Dentro desse cenário, jamais visto, os discursos de conciliadores como Freixo parecem fazer sentido. Suas palavras de crítica à falta de unidade da esquerda parecem ter razão. Suas palavras parecem ser verdadeiras, quando são, na realidade, pura enganação e ilusão. 

De fato, precisamos organizar uma luta para enfrentar a Covid-19 e garantir direitos. Todos têm acordo com isso. Até parlamentares da direita podem afirmar isso. Sequer precisa ser de esquerda para defender isso; o direito à vida e a dignidade.  

O detalhe é que isso é apenas um discurso. Porque, na prática, Freixo não está organizando uma luta dos trabalhadores para derrotar Bolsonaro e sua política. E muito menos está armando a classe para derrotar o fascismo. Se isso fosse verdade, nós, trotskistas, seríamos os primeiros a estar do lado de Freixo. Basta ler sobre A batalha da Sé, onde os trotskistas deram uma surra e botaram para correr os “fascistas brasileiros” (Integralistas). Nesse episódio, conhecido como A revoada das galinhas verdes, de fato havia um partido fascista, que foi atacado por milhares de trabalhadores e militantes, dispostos a mostrar como derrotar um fascista.  

Acontece que o que propõe Freixo não é uma mensagem de classe para os que querem derrotar o fascismo e muito menos derrubar Bolsonaro. O que está sendo orquestrado é um pacto entre aparatos reformistas para sufocar o desejo de luta das massas. 

Isso fica claro quando o PSOL prefere se unir com os partidos da burguesia como PSB e PDT, piscando inclusive para o DEM e o PSDB. Em vez de chamar os batalhões pesados da classe trabalhadora para derrotar Bolsonaro e construir um governo dos trabalhadores. 

A frente única é unir com a classe trabalhadora, não com as cúpulas aparelhadas. Para construir, desde “os de baixo”, uma luta contra “os de cima”. E isso deve ser feito com os instrumentos históricos da classe trabalhadora, que são os partidos, os sindicatos, os grêmios e diretórios estudantis, as associações de moradores. Ou seja, cobrar as direções da UNE, da CUT, do MST, do PT, do PSOL uma luta real para derrubar Bolsonaro e aplicar um plano que salve a classe trabalhadora. Para a as vidas sejam a prioridade, em vez dos lucros dos megaempresários. 

O que Freixo propõe não tem nada a ver com isso. Seu programa é conciliador, e ainda usa o discurso de falta de unidade da esquerda para limpar sua imagem e sair como bom moço.  

Qual o peso de não disputar a Prefeitura? 

A Esquerda Marxista do RJ desde o ano passado vem defendendo a importância de puxar a palavra de ordem Fora Bolsonaro. Explicamos que esse governo bonapartista estava disposto a atacar frontalmente os direitos dos trabalhadores e que deveríamos fazer uma grande greve geral contra Bolsonaro e por um governo realmente dos trabalhadores. Mas, a maioria esmagadora do PSOL foi contra. 

Seguimos com nossa política e apoiamos a pré-candidatura do companheiro Renato Cinco, por entender a importância de colocar a palavra de ordem Fora Bolsonaro, e apresentar um programa anticapitalista, que colocasse o socialismo como perspectiva. Nesse momento reafirmamos que o partido tem um papel a cumprir nas eleições burguesas. 

Não temos qualquer ilusão de que com cargos parlamentares resolveremos os problemas da classe trabalhadora. Muito pelo contrário, na verdade, usamos as eleições burguesas como espaço para denunciar o capitalismo e suas instituições podres. As eleições são um momento em que propagamos as ideias contra o capitalismo e pelo socialismo.  

Por isso, seria importante o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) lançar uma candidatura própria, que apontasse para juventude e para a classe trabalhadora uma saída real para esta crise. Poderia até ser que não levássemos a Prefeitura, mas, iríamos abrir diálogo com milhares de jovens que não aguentam mais o desemprego, os assassinatos, os assédios, a falta de perspectiva, as opressões e explorações do sistema capitalista. A campanha pela Prefeitura iria animar centenas de milhares de jovens para lutar, alguns iriam querer conhecer o socialismo.  

Na última eleição Freixo recebeu cerca de 1 milhão e 200 mil votos, enquanto Crivella recebeu 1 milhão e 700 mil. Mas, entre nulos e abstenções foram cerca de 2 milhoes e 100 mil. Para nós, isso não é reflexo do pensamento de direita, pelo contrário. Esse alto índice de abstenções, brancos e nulos é reflexo da falta de esperanças da classe trabalhadora no modelo parlamentar e burguês, no qual as pessoas votam e suas vidas seguem sendo duras.  

Essas pessoas queriam ver uma diferença real entre Freixo e Crivella. Mas, muitas delas não se sentiram convencidas de que valia a pena votar na “esquerda”, ainda que a votação tenha sido expressiva. Para Freixo, a solução é rebaixar e recuar a política, fazer um discurso mais “palatável”, mais ameno, mais identitário e menos operário. 

Nós acreditamos que o que precisamos é justamente ir mais à esquerda, apresentar um programa real que resolva os problemas da classe trabalhadora e da juventude. Precisamos chamar todos os jovens a lutar do nosso lado, pelo socialismo e ganhar as ruas, quando for possível. Esse é o método de vencer o autoritarismo de Bolsonaro, dos patrões e dos generais. E não se aliando com os inimigos, que estão “fazendo a autocrítica”. 

Mas Freixo tem outro programa, muito longe do socialismo. Preferiu se aliar com o PT e outros partidos de direita. Inclusive, já fizemos a crítica anteriormente sobre suas alianças. E, agora, decide recuar, mesmo sendo segundo lugar nas pesquisas. Esse é comportamento padrão dos conciliadores, em momento de crise; recuam. E depois de anos “fazem o balanço”. 

Com a saída de Freixo, quem passa para segundo lugar é Crivella. Ou seja, a disputa fica entre Paes e Crivella. E em entrevista para O Globo, Freixo afirmou que apoiaria Eduardo Paes, para derrotar Crivella ou outro candidato de Bolsonaro:

O senhor poderia apoiar Eduardo Paes no Rio contra um candiddato do Bolsonaro?

Num segundo turno contra o Crivella, sim. Já fiz isso contra o Witzel. Tenho grandeza democrática. Agora, dependendo do que o Eduardo Paes faça na campanha, porque ele também adora namorar o fascismo. Ele já fez muita coisa errada na vida e sabe disso mais do que eu, inclusive. Mas vou defender quem represente a vitória contra o bolsonarismo. (O Globo, 16/5)

Ou seja, na prática, Freixo vai apoiar o Paes, contra o Crivella. Mas, o Crivella deve ir ao segundo turno porque, justamente, Freixo recuou. Esse é o jogo eleitoreiro que Freixo diz não querer se envolver. Ele afirma que há um projeto maior de Brasil, que está acima do partido. Essa é a decisão de Freixo: negar o partido como instrumento de luta da classe para se lançar nos joguetes parlamentaristas. Freixo pouca se lixa para o partido, por isso trata sua base dessa maneira. 

A alternativa da Esquerda Marxista 

A Esquerda Marxista nesse momento chama toda a juventude e a classe trabalhadora a se unir a nós pelo Fora Bolsonaro, por um governo dos trabalhadores sem patrões nem generais. Chega de política de alianças com a burguesia, os anos de PT já mostraram o resultado disso no Brasil e no  mundo. 

Convidamos todos a conhecerem nossa política e ingressarem em um de nossos comitês de luta pelo socialismo e pelo Fora Bolsonaro. A luta de classes está viva, mais viva que nunca. Cada dia de Bolsonaro no poder são milhares de pessoas morrendo: de Covid, de fome, de homicídio, de suicídios.  

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