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Escola Mundial da CMI debate conjuntura e perspectivas

A Escola Mundial da CMI começou na quarta-feira (24/07) em Bardonecchia, na Itália, reunindo cerca de 400 militantes de dezenas de países. Este ano, o tema central da Escola são os 100 anos da Internacional Comunista, com várias sessões dedicadas ao estudo deste tema.

No primeiro dia a discussão foi sobre a situação política internacional, com informe do camarada Alan Woods. Em sua introdução, Alan ressaltou a instabilidade política que ronda o mundo, fruto da crise econômica que vive o capitalismo. A dita recuperação da economia em diferentes países é na realidade profundamente débil, e uma nova recessão está no horizonte. Os tímidos dados positivos da economia não têm proporcionado melhorias nas condições de vida da maioria do povo, ao contrário, o que vemos são medidas de austeridade, retiradas de direitos, maiores níveis de pobreza e desigualdade. As massas têm buscado soluções para esta situação, soluções radicais, e por isso a ascensão de demagogos que, ao chegarem ao poder, não conseguem cumprir suas promessas e são descartados pelas massas.

Trump é um destes demagogos, mas está à frente do país imperialista mais forte do mundo. Alan explicou que quando Trump diz seu slogan “Make America Great Again” (torne a América grande novamente), deveria agregar: “à custa dos outros países”. É parte disso as medidas protecionistas que adota e o discurso agressivo em direção a outros governantes. Mas mesmo este poderoso país tem suas dificuldades externas e internas. Trump está em conflito aberto com setores da burguesia americana e do aparato de Estado, e há uma fermentação na base da sociedade nos EUA diante da queda das condições de vida.

Alan recordou também os vários exemplos de resistência e luta ao redor do mundo no último período: o movimento dos Coletes Amarelos na França, as revoluções no Sudão e na Argélia, as milhões de pessoas que foram às ruas de Hong Kong contra o governo local. Ao mesmo tempo, apresentou as limitações destes movimentos pela ausência de uma direção revolucionária.

“Que momento maravilhoso para se viver”, afirmou o camarada na conclusão de sua introdução. O que contradiz a visão de reformistas, pequeno-burgueses e burgueses, que olham com pessimismo a atual situação política e econômica. Para os revolucionários marxistas, ao contrário, o olhar está na crise do sistema, na crise do reformismo e no potencial revolucionário que se apresenta, especialmente entre a juventude. A Corrente Marxista Internacional está crescendo e atraindo a atenção de grupos ao redor do mundo. Há muito a avançar no sentido de reconstruir a direção revolucionária do proletariado internacional, ainda há algum tempo para o desenvolvimento deste trabalho, mas é preciso um sentido de urgência para que revoluções futuras encontrem o caminho da vitória, do socialismo, e para isso a existência de uma direção revolucionária com influência e capacidade de ganhar a confiança das massas é fundamental.

Camaradas da Alemanha, EUA, México, França, Rússia, Grã Bretanha, Iraque, Paquistão, Itália, Grécia, Áustria, Espanha, Holanda, Suíça, Venezuela, El Salvador, etc., participaram da discussão, trazendo contribuições à discussão sobre o desenvolvimento político em cada país e considerações gerais.

O camarada Luiz Bicalho, da seção brasileira (Esquerda Marxista), apresentou a situação no Brasil, a instabilidade do governo Bolsonaro, as mobilizações massivas no último período contra o governo, e como a palavra de ordem Fora Bolsonaro, lançada pela Esquerda Marxista, se conectou com o sentimento presente na base da sociedade. Bicalho chamou a atenção também para a questão de refugiados e imigrantes ao redor do mundo, expressão da crise política do sistema capitalista, e os exemplos de resistência a esta situação: a atitude da capitã Carola Rackete, que salvou com sua embarcação imigrantes no Mediterrâneo e, contrariando o governo italiano, atracou no porto de Lampedusa. Ela foi detida e recebeu ampla solidariedade internacional, sendo libertada após alguns dias. O caso da greve na empresa Mayfair, dos EUA, em solidariedade aos imigrantes que estão nos centros de detenção em condições deploráveis, é outro exemplo da indignação que esta situação tem provocado.

A Escola da CMI seguirá até 29 de julho, com discussões sobre a Internacional Comunista e sua importância hoje, a filosofia revolucionária do marxismo, a internacional comunista e a questão nacional e colonial, o ponto de vista marxista sobre a história, a Revolução Alemã de 1918 e 1923, o esquerdismo e a tática da frente única, zinovievismo e a degeneração stalinista da Internacional Comunista, a Internacional Comunista e a luta da mulher, entre outros temas.

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