Imagem: Presidencia Perú, Flickr

Deputados abrem processo de impeachment contra Castillo no Peru

Na última segunda-feira (14/03), o Congresso do Peru aprovou, com 76 votos a favor, 41 contrários e uma abstenção, a abertura do processo de impeachment contra o presidente Pedro Castillo (Perú Libre). A proposta foi defendida pela bancada de parlamentares de direita, formada por 49 membros dos partidos Renovação Popular, Avança País e Força Popular (de Keiko Fujimori, candidata derrotada no segundo turno das eleições presidenciais).

Esta é a segunda vez que os deputados de direita apresentam a moção de vacância, alegando falta de “capacidade moral” de Castillo para permanecer como presidente. O Congresso rejeitou o primeiro pedido de impeachment, em dezembro de 2021, com 46 votos a favor e 76 contra. 

Essa batalha da direita contra Castillo começou antes mesmo da divulgação do resultado das eleições. Desde o primeiro turno, as eleições, principalmente quando se deu a disputa direta com Keiko Fujimori, foram marcados por uma campanha de calúnias contra Castillo e outros membros de seu partido, Perú Libre, que se reivindica marxista. Para atrasar ou mesmo barrar a divulgação do resultado final, foram feitas denúncias de fraude, que acabaram se comprovando falsas.

Nesse processo, Castillo, que começou a campanha defendendo a nacionalização das riquezas nacionais e amplos investimentos públicos, terminou por recuar em suas propostas. No segundo turno conquistou o apoio de setores da esquerda reformista e se comprometeu com o programa de frações da burguesia. Em um primeiro momento, procurando evitar uma maior instabilidade política e social, isso foi suficiente para garantir a promulgação do resultado das eleições e a posse do novo presidente.

Contudo, o governo foi marcado pela continuidade das instabilidades, que se materializam no embate entre massas trabalhadoras que elegeram Castillo e os compromissos assumidos pelo presidente com a burguesia para garantir sua posse. Uma das expressões disso está na dificuldade de compor o gabinete de governo. O pedido de abertura do processo de impeachment foi aprovado cinco dias após os parlamentares confirmarem o quarto gabinete de ministros formado pelo presidente em sete meses de gestão. O terceiro gabinete, escolhido em fevereiro, durou apenas 3 dias.

O debate sobre o impeachment está agendado para 28 de março. Para destituir Castillo, são necessários 87 votos favoráveis do total de 130 congressistas. Embora o partido governante Peru Livre tenha a maior bancada do Congresso, com 37 deputados, ainda necessita o apoio de outros sete parlamentares para impedir o impeachment (seu principal aliado,Juntos por el Perú, possui apenas 5 parlamentares).

Os trabalhadores votaram em Pedro Castillo por enxergar em seu governo a possibilidade de uma vitória contra os governantes que levaram o Peru à crise econômica, política e sanitária vivida nos últimos anos. Contudo, Castillo, ao tentar atender aos interesses da burguesia, está fortalecendo os capitalistas e enfraquecendo a organização dos trabalhadores. Diante do processo de impeachment, não basta a Castillo alcançar uma maioria parlamentar, mas romper com a burguesia e governar com as organizações operárias que se mobilizaram por sua eleição e que esperam transformações concretas na vida dos trabalhadores e que abram caminho para uma nova sociedade.

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