Foto: ABRAFI

Corte salarial na educação pública municipal de São Paulo e o imobilismo sindical

Após 42 dias de greve, alguns trabalhadores da educação pública da cidade de São Paulo foram surpreendidos com descontos em seus salários de até 100% em seus holerites. Esta medida da prefeitura, que afronta os trabalhadores em um momento agudo da pandemia, evidencia a nula preocupação do atual governo com a vida dos trabalhadores, que precisam escolher entre expor-se aos riscos de contrair o vírus da Covid-19 ou passar fome e outras necessidades devido às restrições financeiras.

O corte salarial que se faz presente nas greves dos educadores da rede estadual, devido à consolidação da política do PSDB a mais de 20 anos, agora atinge parte dos educadores da rede municipal. Sob orientação do governo Covas, as unidades foram orientadas a apontarem como faltas a ausência dos grevistas, com o intuito de desmobilização da categoria, que se encontra em greve desde o dia 10 de fevereiro contra o retorno presencial das atividades escolares sem vacinação para todos.

O receio da força de mobilização da categoria, que levou à instrução que ocasionou o corte salarial, encontra a resistência dos educadores aos ataques governamentais, que com a continuidade da greve e solidariedade da classe persiste na defesa da vida de seus trabalhadores e do conjunto da sociedade.  Das 1.434 unidades de ensino que compõem a rede municipal de educação, apenas 30 escolas seguiram as orientações da prefeitura. Isso demonstra que os trabalhadores não irão se calar frente aos ataques do governo Covas que esbarra, inclusive, no direito à greve.

A própria possibilidade do corte salarial evidencia a barbárie que é o sistema capitalista, que supostamente garante o direito à greve, mas impossibilita sua execução ao suspender o pagamento dos salários dos trabalhadores, ainda mais quando aliado a um órgão que é expressão de luta dos trabalhadores, mas que os capitalistas regularam para dialogar com seus interesses, que é o aparato sindical.

O Sinpeem, sindicato dos profissionais da educação pública da cidade com maior número de associados, somente no dia 08 de abril, doze dias após a data que deveria ser pagos os salários do funcionalismo público, manifestou a abertura do cadastro para a liberação do fundo de greve àqueles que não receberam seus proventos e que estavam em necessidades, apesar da sua filiação. Tal demora deveu-se a seu caráter de conciliação com o governo burguês que, em uma negociação sem perspectiva com a prefeitura, buscava a resolução por vias burocráticas através de folhas complementares de pagamento.

Os comandos de greve regionais da categoria fizeram uma verdadeira ação em defesa da classe trabalhadora, organizando fundo de greve independente dos sindicatos, realizaram o socorro e a solidariedade aos trabalhadores prejudicados pelo absurdo autoritarismo de Bruno Covas. Enquanto o Sinpeem faz cadastro dos descontados, os comandos independentes realizam a distribuição das arrecadações feitas e amenizam a situação de sofrimento dos trabalhadores sem salários.

Hoje é dia 21 de abril, aproxima-se o fim do mês e espera-se mais descontos de salários e o fundo de greve do Sinpeem ainda não foi disponibilizado.

Desde o início da greve, o Sinpeem vem cumprindo um papel burocratizado, autoritário e de um imobilismo estrondoso, seguindo rigorosamente a estrutura CLT de subordinação ao Estado burguês. O sindicato, que sequer reivindicou o direito ao descanso aos trabalhadores, tolhido através dos adiantamentos do recesso escolar e feriados, busca apaziguar a classe ao invés de insuflar as justas reivindicações imediatas, de garantir a continuidade da greve para aqueles que tiveram seus salários cortados e de agir na conscientização e mobilização da classe em batalhas mais amplas que dizem respeito aos interesses de todos os trabalhadores.

Essas práticas sindicais vêm gerando cada vez mais a desconfiança a essas direções traidoras, despertando a ira dos trabalhadores e fazendo crescer a disposição de luta da categoria em organização e ação resistindo aos ataques do governo. Foram as pressões dos trabalhadores frente ao sindicato que o fizeram iniciar as ações para o Fundo de Greve Sindical, e é através da ação revolucionária da base que conseguiremos criar uma direção sindical que auxilie os trabalhadores rumo ao combate com o Estado burguês, em direção a uma sociedade socialista.

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