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PM entra em escola estadual do ES e leva professor para a delegacia, após discussão sobre “Escola Sem Partido”

Na terça-feira após o 2º turno das eleições, o professor da rede estadual do Espírito Santo e mestrando do programa de pós-graduação do IFES, Bruno Guedes Pinto, foi coagido na sala de professores da instituição na qual ocupa o cargo de professor efetivo, por uma outra professora, em regime de contratação temporária, quando conversava com amigos a respeito dos efeitos da notícia que circulava na mídia e nas redes sociais envolvendo tanto o futuro presidente do país quanto a deputada estadual recém eleita Ana Caroline Compagnolo, de Santa Catarina.

A conversa se encaminhava em torno dos efeitos gerados nas redes sociais da escola decorrentes da incitação ao descumprimento da lei pela deputada ao incentivar os alunos a gravarem as críticas dos professores quanto ao resultado das eleições e enviarem para o seu site. Por conta disso, o Ministério Público Federal-SC acaba de solicitar que Ana Caroline Compagnolo pague uma indenização de 70 mil reais por danos morais coletivos ao Estado, além do bloqueio de seu celular por 24h, entre outras medidas.

A deputada é defensora do projeto “Escola Sem Partido”, um dos pilares da campanha de Jair Bolsonaro, que tem como objetivo impedir que professores falem sobre qualquer conteúdo ideológico em sala, além de restringir a auto-organização dos estudantes em agremiações. No entanto, como está bem claro no Inquérito Civil 1.33.002.00469/2018-60, aberto para investigar a possível intimidação de professores do estado de Santa Catarina, o próprio Projeto de Lei, os partidos que o apoiam e o MBL (Movimento Brasil Livre) também são ideológicos. Além do mais, destacando que uma das diferenças centrais entre os homens e os outros animais é sua capacidade de produzir e reproduzir cultura, “não há natureza humana independente de cultura”.

O que o MPF-SC não explicita é o nome dessa ideologia que tenta se passar por natural, como se ela mesma não representasse os interesses de uma classe em enriquecer às custas do trabalho alheio; trata-se da ideologia burguesa. E o objetivo imediato dessa ideologia é impedir que haja resistência para a aplicação de medidas de austeridade exigidas pelo FMI e demais agências do Capital Financeiro Internacional.

Desesperados para meter a mão na nossa previdência, para reduzir bruscamente o custo unitário do trabalhado no Brasil, para privatizar o SUS e as instituições de ensino públicas, uma facção da burguesia investiu pesado no projeto “Escola Sem Partido” e embarcou nas vitoriosas campanhas do PSL.

A professora que tentou calar Bruno sem dúvida se viu encorajada pela publicação da deputada Compagnolo e pelo apoio de Jair Bolsonaro e acabou encarnando os interesses de uma classe que quer sua própria dominação, submetendo-a à situação degradante de não possuir sequer a estabilidade profissional merecida pelo árduo trabalho que é ser professor da rede pública, assim como um salário igual a de um efetivo.

Após a discussão, a professora, que é casada com um agente penitenciário, saiu da sala totalmente transtornada com a incisiva defesa dos direitos feita por Bruno. Para surpresa de Bruno e dos demais professores, rapidamente dois – e em seguida mais dois e ao fim oito – policiais chegaram e levaram o professor de dentro da escola onde trabalha há 5 anos, com o giroflex ligado, à delegacia onde foi coagido a assinar um termo circunstanciado de injúria, antes de ser liberado. A surpresa que contagiou os professores pode ser explicada pelo fato de que muitos deles já foram agredidos, inclusive com cadeiradas de pais de alunos, e mesmo ameaçados de morte sem que os PMs agissem de modo tão rápido e eficiente, demonstrando evidente desproporção quanto à gravidade do caso e a força empregada.

Desde 2016 a juventude e os professores das escolas de todo o país tem apresentado resistência à tentativa de aprovação da PL “Escola Sem Partido”, a famigerada Lei da Mordaça, e conseguiu em várias instâncias impedir esse retrocesso que pretende alterar bruscamente as diretrizes balizadoras do ensino asseguradas pela Constituição, LDB e Estatuto da Criança e do Adolescente.

O que Bolsonaro e Compagnolo desejam é enfiar goela abaixo uma ideologia por meio de uma lei que entra em profunda contradição com a função social do professor tal como especificada na legislação vigente. Como eles mesmos não podem aplicar sozinhos essas medidas, os burgueses e seus representantes aliciam nossas crianças e adolescentes com um discurso demagógico, investindo ideologicamente em seus futuros eleitores ou apoiadores.

A Esquerda Marxista se solidariza com o professor Bruno Guedes Pinto e demais professores coagidos no pleno exercício de sua função! É preciso pressionar os sindicatos de professores e demais trabalhadores a se colocarem em defesa das liberdades democráticas assim como do direito de organização dos estudantes e trabalhadores em agremiações e partidos. Somente a unidade operário-estudantil  pode barrar as ofensivas burguesas e os grupelhos fascistas, avançando na destruição das instituições que vetam o direito a um ensino público gratuito e para todos e o direito ao pleno emprego.

A solução para os problemas que levaram muitos eleitores iludidos a votar em Bolsonaro só pode ser alcançada pela Revolução Socialista. É preciso explicar isso pacientemente aos eleitores que não se veem representados pelas atuais instituições democráticas, explicar que Bolsonaro representa apenas ataques mais duros aos direitos dos trabalhadores e mais degradação às condições de vida, portanto, mais pobreza, miséria e violência. Esta é a tarefa dos marxistas, assim como organizar a resistência.

Até a vitória, sempre!

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