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Foto: Blog do Esmael

O Carnaval da Mangueira e o de Bolsonaro

Mangueira – A história continua escondida

A Mangueira trouxe para o Carnaval um tema relevante: que a história do Brasil esconde personagens importantes e trata somente de um lado. Mas, ao fazer esta crítica, a Escola de Samba também escolheu um lado da filosofia da história: o lado dos que querem refazer a história como a história de luta entre raças e não a história da luta entre classes sociais.

Para ficar em alguns personagens emblemáticos, Obama tem raça e está de um lado da história: o lado dos imperialistas. Lá, ele construiu e ergueu um “mito”, mas o essencial é que defendeu de forma contundente (inclusive com a mão militar quando necessário) o capitalismo dos EUA.

A Mangueira trouxe personagens importantes, como o resgate dos jangadeiros do Ceará, que com a sua greve forçaram a libertação dos escravos quatro anos antes da libertação ser reconhecida nacionalmente. Foi uma das primeiras demonstrações que a classe trabalhadora, com sua força e seus métodos próprios conquista um direito democrático contra a burguesia e os latifundiários de então.

Mas, se fez isso, a Mangueira esqueceu os trabalhadores (negros e brancos) que fizeram as grandes greves gerais de 1918 e 1919 no Rio e em São Paulo, a Revolução Esquecida de 1924 em São Paulo, que foi combatida pelo então governo do Brasil com o argumento de que “a Revolução bolchevique não pode ser reproduzida aqui”.

Continuam fora da história as greves operárias de 1968 de Osasco e Contagem, que mostram que foi a classe operária que combateu a ditadura e não os guerrilheiros que se autoimolaram.

Faltaram as greves de professores que abriram caminho para as greves de metalúrgicos que derrubaram a ditadura e fundaram o PT e a CUT (muito diferentes do que são hoje estas duas entidades). Faltaram os trabalhadores representados enquanto classe (embora, é claro, nem todos os eventos poderiam ser representados). Mas colocar um faixa de “ditadura nunca mais” e não explicar o papel dos operários e trabalhadores neste combate tem um viés político e filosófico.

Foram esquecidos os fuzilados da CSN (em uma greve histórica), foram esquecidas todas as greves dos operários, assim como foram apagados da história os camponeses e suas lutas (antes da ditadura de 1964 e depois, com a criação do MST). Os ideólogos querem apagar que a história é a história da luta de classes.

E isto é bem representado na bandeira reestilizada, com a faixa escrita “índios, negros e pobres”, onde os trabalhadores só são uma parte escondida (que ironia) da categoria “pobres”.

Mas, os trabalhadores (os “pobres”) não se enganam e na festa do campeonato. A música que veio junto é aquela que os blocos consagraram: “Ei, Bolsonaro, vai tomar no c…”

Bolsonaro delirante e a “Chuva Dourada”

O carnaval começou mal para Bolsonaro. Além da já citada música, Bolsonaro mereceu várias paródias (“Ei, eu não me engano, Bolsonaro é miliciano”) além dos laranjais em profusão. Mas não se pode acusar o presidente de omisso. Em pleno Carnaval ele resolve atacar os professores, acusando-os de fazerem greves e ameaçando com um “Lava-Jato da Educação”. A resposta veio nas ruas, com os blocos aumentando a gritaria (“Bolsonaro é o c…, Ei Bolsonaro vai tomar no c…”) e com as marchinhas sendo divulgadas nas redes sociais satirizando o governo.

Como dizem as ruas, o bagulho ficou louco e o presidente resolveu atacar difundindo um vídeo com conteúdo pornográfico. Mas o choque foi demais. Todos os evangélicos que apoiam Bolsonaro se calaram. Figuras da direita que apoiam o presidente vieram a público dizer que era demais. Os militares vazaram para toda a imprensa que quis ouvir a sua inconformidade com “perda de respeito e da liturgia” do cargo de presidente. No mundo inteiro, vazam as conversas de diplomatas e as críticas nos jornais. E quando um “apoiador” de Bolsonaro resolve criticar a rainha da Inglaterra ao tentar defender o “nosso presidente” ouve uma resposta curta e grossa: Sim, mas ela não divulga pornografia.

Os “analistas” de plantão, os “intelectuais” da burguesia não sabem como explicar o assunto. Ora alguns dizem que foi um lance genial para deixar de lado as críticas feitas nos blocos, ora dizem que o presidente enlouqueceu. O vice emudece. E se os robôs cibernéticos do Twiter emplacaram a trend #bolsonarotemrazão a maioria, sem robô nem apoio de nenhum partido de oposição, jogou a trend #impecheamentbolsonaro lá em cima. O autoproclamado presidente do Brasil (José de Abreu) tripudiou em cima de Bolsonaro.

Nesta confusão toda, a análise fria do Estado de São Paulo mostra a preocupação da burguesia. Em toda esta confusão, Bolsonaro não parece estar defendendo a reforma da previdência e a burguesia remexe-se inquieta:

O Estado contabilizou 515 mensagens publicadas pelo presidente desde 1.º de janeiro. O principal conteúdo é o de agradecimento e saudação a aliados (95 tuítes). Depois, vêm textos com teor ideológico em que o presidente critica o globalismo, a suposta partidarização da educação e ações dos governos petistas e da esquerda. São 51 mensagens com esse tom.

O problema da burguesia é que o “seu homem” não consegue fazer aquilo que ela considera central: espoliar os trabalhadores e pagar para os banqueiros, via reforma da previdência. Assim, o nervosismo espalha-se e o Real é a moeda que mais caiu frente ao dólar na quarta feira após o carnaval.

A luta de classes, apesar de todos os ideólogos, apesar de toda a oposição que quer esquecer o assunto, voltou com força no carnaval, com os gritos do povo trabalhador nos blocos e nas marchinhas. E não vai desaparecer, por mais que eles tentem. Os marxistas tem ai o seu lugar: ao lado dos operários e dos trabalhadores, construindo a organização necessária para acabar com o capitalismo e com todo o seu séquito de sujeira e desespero.

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