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Mentiras, mentiras descaradas e Netflix: o assassinato do caráter de Leon Trotsky

Trotsky, uma série recente da Netflix produzida pela televisão estatal russa, é uma deturpação escandalosa tanto da vida de Trotsky quanto da Revolução de Outubro. Alan Woods e Josh Holroyd respondem a este retrato insultante de Trotsky e do legado dos bolcheviques.

Como não celebrar a Revolução Russa (uma nota pessoal de Alan Woods)

“Se você contar uma mentira suficientemente grande e contá-la com suficiente frequência, ela será acreditada” – Josef Goebbels (Ministro da propaganda de Hitler)

Em 7 de novembro de 2017, falei em uma reunião no Museu Trotsky na Cidade do México para celebrar o centésimo aniversário da Revolução de Outubro, junto ao meu velho amigo e camarada Esteban Volkov, o neto do grande revolucionário russo Leon Trotsky. Também se encontrava no evento o então embaixador russo no México, Eduard Malayán. Durante o meu discurso, assinalei que era um paradoxo que a Revolução de Outubro estivesse sendo celebrada em todos os países do mundo, exceto na Rússia.

Algumas vezes o silêncio pode ser mais eloquente do que as palavras. O fato de que o centésimo aniversário de Outubro tenha passado, na mídia oficial da Federação Russa, com um silêncio ensurdecedor diz-nos tudo o que precisamos saber sobre a atitude da atual camarilha governante no Kremlin com relação ao maior acontecimento da história. Essas pessoas são criaturas da contrarrevolução capitalista e olham para o passado revolucionário da Rússia com mal dissimulado ódio e aversão, o que, em última análise, é um reflexo de seu profundo medo.

O centésimo aniversário de Outubro passou com o silêncio da mídia oficial da Federação Russa, o que diz muito sobre a atitude to Kremlin diante do maior evento na história. Imagem: domínio público

Em resposta às minhas observações, o embaixador afirmou que a Revolução Russa não foi esquecida em seu país, e que “não há ninguém na Rússia que não saiba que Trotsky foi um grande revolucionário”. Para apoiar essa afirmação, ele informou que a televisão russa estava preparando uma série sobre Trotsky.

Não tenho motivos para duvidar da sinceridade dos comentários do embaixador. Ele me pareceu um homem honesto que tinha relações muito boas com o Museu Trotsky e Esteban Volkov. Mas, para mim, ficou igualmente claro que, junto a grande maioria dos cidadãos da Federação Russa, ele tinha poucos conhecimentos sobre as ideias e o papel de Trotsky. Mesmo o que ele disse sobre Lenin e o Partido Bolchevique não era inteiramente correto. Mas, para sermos justos, o homem não era um historiador e sim um diplomata profissional.

Alguns meses antes, Esteban Volkov havia recebido um pedido de uma empresa russa para filmar dentro do Museu Trotsky, que, originalmente, foi a casa onde Trotsky viveu e o local onde foi assassinado por um agente estalinista em 20 de agosto de 1940.

O objetivo dos cineastas foi descrito da seguinte forma (cito a partir da correspondência): como um “documentário sobre os 100 anos da Revolução de Outubro e de seu impacto em escala mundial”.

A justificativa para as filmagens era que elas fariam “parte do argumento sobre a influência da Revolução de Outubro na América Latina”. Não havia nenhuma menção à verdadeira natureza da série planejada pela televisão sobre Trotsky.

Esteban pediu uma cópia do roteiro, que lhe foi enviado em russo. O neto de Trotsky esqueceu há muito a língua russa, que ele não pode falar ou ler, mas, com a ajuda de Google Tradutor, logo se tornou clara a intenção dos autores. Nessa etapa, ele não fazia ideia de que esse texto era o primeiro passo no lançamento da mais monstruosa campanha de difamação para manchar a memória de seu avô. Mas ele já sabia o suficiente para recusar a permissão de se filmar dentro do museu.

Em 3 de fevereiro de 2017, ele escreveu ao embaixador:

“Embaixador Eduard Malayán

“Prezado Embaixador,

“Preciso lhe consultar. Recebi dois pedidos de filmagens. Não estou convencido da seriedade a que eles se propõem, [mas] minha obrigação moral é preservar a verdade histórica.

“Estou enviando o roteiro proposto que eles me enviaram. Não tem nada a ver com a verdade histórica.

“Saudações

“Esteban Volkov”

Uma frente popular de falsificadores

A minissérie Trotsky, dirigida por Alexander Kott e Konstantin Statsky, apareceu pela primeira vez no popular Canal Um de televisão da Federação Russa em novembro de 2017. Este canal controlado pelo Estado regularmente reverbera a linha do Kremlin. Não pode haver nenhuma dúvida de que a decisão de lançar uma campanha contra Trotsky foi tomada com a total aprovação de Vladimir Putin e muito possivelmente por sua iniciativa pessoal.

Putin não faz nenhum segredo de seu ódio a Lenin e aos bolcheviques, que ele acusou de terem colocado uma “bomba relógio” sob o Estado russo. Mas é obrigado a pisar com cuidado em seus ataques a Lenin, que é reverenciado por milhões de pessoas na Rússia. De forma relutante, ele teve que negar que o governo tinha alguma intenção de retirar o corpo de Lenin de sua tumba na Praça Vermelha, alertando contra “quaisquer passos que possam dividir a sociedade”.

Apesar das reclamações e gritarias sobre a “intromissão” russa sobre tudo, desde as eleições até o clima no Ocidente, a nova série apresentada pela Netflix (que demoniza Trotsky e a revolução) foi recebida calorosamente. Foto: uso livre

Mas, quando se trata de Trotsky, o homem do Kremlin não tem tais restrições. Todo o seu ódio e bile contra a revolução podem ser liberados. Nenhum insulto é grosseiro o suficiente, nenhuma falsificação é suficientemente rancorosa nesse trabalho doentio de machado. Mas o que é muito óbvio é que o verdadeiro alvo não é Trotsky, mas Lenin, o Partido Bolchevique e a própria Revolução de Outubro.

Através de seu controle monopólico da televisão estatal, Putin foi capaz de lançar esse veneno nas casas de milhões de cidadãos russos desavisados. Tendo sido alimentados durante décadas com uma dieta constante de mentiras sobre o papel do principal aliado de Lenin e defensor da Revolução Russa, eles não têm meios de checar os fatos por si mesmos. Os falsificadores dependem fortemente desse fato. Eles podem repetir as mentiras mais incríveis com total confiança. E sabem que, se lançarem lama suficiente, parte dela cola. E, aqui, há bastante material imundo para encher várias e grandes carretas.

Isso já é bastante ruim. Mas a questão se tornou ainda mais séria quando se anunciou que a empresa gigante estadunidense de entretenimento Netflix decidiu transmitir a série internacionalmente em diferentes línguas. Agora, isso parece muito estranho. Durante algum tempo, os meios de comunicação de massa do Ocidente se envolveram em uma campanha barulhenta que busca culpar a Rússia por qualquer coisa, desde a eleição de Donald Trump até ao mau tempo e a um simples resfriado. Eles acusam o Estado russo de interferir em seus assuntos internos (como se não se intrometessem nos assuntos dos outros).

Em particular, eles acusam a Rússia de “espalhar notícias falsas” para enganar a opinião pública. No entanto, agora, como por passe de mágica, todas as dúvidas relativas à veracidade da mídia russa desaparecem como bolhas de sabão no ar. Netflix elogia a série Trotsky inspirada pelo Kremlin como o maná caído do céu.

Essa, aparentemente, não era uma notícia falsa, mas, pelo contrário, uma nova e maravilhosa visão da mente distorcida de um monstro revolucionário. Em um momento em que as ideias do socialismo (e até mesmo do marxismo) estão fazendo um retorno indesejável à política estadunidense, esta série é, de fato, uma lembrança oportuna dos males do socialismo e do comunismo. De fato, não poderia ter vindo em melhor hora!

Há alguns dias, Esteban nos enviou o seguinte e-mail:

“Caros Alan e Ana:

“Foi-me suficiente ver o primeiro capítulo da insípida e vulgar caricatura de Trotsky, inventada por Alexander Kott e Konstantin Statsky, para formar uma opinião clara sobre essa série miserável.

“Posso atestar o fato de que esse retrato está a anos-luz de distância do homem que foi realmente o meu avô. Lembro-me muito bem dele como uma pessoa de inteligência excepcional cuja inteira vida se caracterizou por uma absoluta e total dedicação à luta pelo socialismo. E toda a sua personalidade foi modelada nessa luta.

“Como pessoa, ele era generoso, atencioso, sempre preparado para explicar pacientemente e educar politicamente os camaradas, irradiando um espírito de vitalidade, otimismo e, com seu fino senso de humor, ele criou uma atmosfera jovial e calorosa em seu ambiente. Trabalhador incansável, ele não desperdiçou um minuto de sua existência.

“Mas o que mais me impressionou foi sua convicção absoluta e imutável da inevitável vitória do socialismo e do futuro da humanidade.

“Quanto ao último episódio, que trata do assassinato de meu avô, Kott e Statsky se expõem como os mais desavergonhados falsificadores do registro histórico no cinema. E Netflix mostra total irresponsabilidade em disseminar uma história falsa em vasta escala.

“A total falsidade da versão apresentada na série foi provada há muito e de forma precisa e irrefutável pelo governo mexicano, que, dias após o assassinato, realizou uma reconstrução meticulosa do assassinato no jardim da casa de Leon Trotsky. O detetive mexicano, Jesús Vasquez, sentou-se em uma cadeira enquanto o assassino Ramón Mercader (de codinome, “Jackson”) demonstrava com um jornal enrolado em sua mão direita como ele havia golpeado Leon Trotsky na cabeça, por trás. Não pode, portanto, haver dúvidas sobre os fatos do caso.

“Onde Kott e Statsky conseguiram a história da alegada briga na qual se supõe que Jackson assassinou Trotsky em “legítima defesa”? Esta foi uma invenção de Stalin, para quem era necessário esconder os fatos desse assassinato traiçoeiro através de uma traição ainda mais infame. Através de seus agentes, ele pintou o quadro de uma luta mano-a-mano com um homem que supostamente seria um apoiador desiludido de Trotsky.

“Konstantin Umansky, que era então embaixador russo no México, recebeu a tarefa, apoiada por uma soma ilimitada de dinheiro, de subornar o governo mexicano a aceitar essa versão. Mas, obviamente, ele não alcançou seu objetivo. Umansky foi dispensado de sua posição no México e enviado como embaixador à pequena república da Costa Rica. Mas ele nunca chegou. Na madrugada de 25 de janeiro de 1945, o avião em que ele viajava junto com sua família explodiu ao decolar do aeroporto militar da Cidade do México. Com tais métodos, Stalin recompensou o fracasso.

“Esses poucos fatos (há muitos mais) podem servir para expor a falsidade dessa absurda e abominável série, que sistematicamente ignora os fatos para apresentar ao mundo uma distorção criminosa da vida de um grande revolucionário.

“Kott e Statsky não apenas revivem cinicamente as falsificações há muito desacreditadas de Stalin, também adicionam as deles, lançando as fantasias mais absurdas e implausíveis nessa beberagem venenosa. O resultado final somente pode ser descrito como uma verdadeira obra-prima na arte sombria da falsificação cinematográfica histórica.

“Saudações

“Esteban Volkov-Bronstein

Museu Trotsky

Cidade do México

5 de março de 2019”

A Corrente Marxista Internacional apoia incondicionalmente a campanha de defesa da honra pessoal e da integridade revolucionária de Leon Trotsky, uma causa à qual Esteban Volkov dedicou toda a sua vida. A ele dedicamos nossa resposta aos falsificadores e caluniadores. Nas palavras do homem que junto a Lenin levou os trabalhadores à vitória em 1917, “A locomotiva da história é a verdade, não a mentira”.

Alan Woods, 10 de março de 2019

Como Putin e Netflix assassinaram Trotsky

Todas as classes dominantes vivem com medo da revolução. Até mesmo a lembrança de revoluções há muito passadas enche-as de um profundo pressentimento. Os reacionários historiadores burgueses franceses ainda amaldiçoam a memória de Robespierre e Marat quase dois séculos e meio depois da tomada da Bastilha. E Thomas Carlyle, o celebrado historiador escocês, disse que antes de que pudesse escrever sobre o grande revolucionário do século XVII, Oliver Cromwell, ele teve primeiro que sacar o seu corpo de debaixo de um monte de cachorros mortos. Quando o monarca inglês Carlos II retornou de seu exílio francês, ordenou que o cadáver de Oliver Cromwell fosse desenterrado e enforcado. Agora os oligarcas russos e seus picaretas literários estão fazendo o mesmo.

O medo da revolução é ainda maior para uma classe relativamente recente de principiantes, como a que se tornou obscenamente rica ao despojar o cadáver da Revolução Russa. A profundidade de seu medo está em proporção direta à intensidade de seu ódio para com a Revolução de Outubro e seus líderes. Esses medo e ódio, e nada mais, estão por trás do retrato vicioso e rancoroso de Leon Trotsky nessa série.

A Revolução de Outubro reuniu tudo o que havia de progressista, honesto e limpo na sociedade russa. Deu fim a um regime podre, corrupto e decadente e abriu o caminho para um mundo novo e melhor. O velho regime estava personificado em Rasputin, o monge bêbado e depravado que dominava o czar e sua família. O czar Nicolau, que agora foi transformado em um santo pela Igreja Ortodoxa Russa, era conhecido por seus contemporâneos como Nicola, o Sangrento, o campeão dos fascistas das Centúrias Negras especializados em matar e torturar judeus.

Há um famoso cartaz revolucionário intitulado “O camarada Lenin varre a sujeira do mundo”. Esse cartaz retrata o líder da Revolução Russa armado com uma grande vassoura, varrendo padres, banqueiros e monarcas. Esta é uma fiel e precisa descrição do que a Revolução Russa alcançou há mais de cem anos. A Revolução de Outubro trouxe ao povo da Rússia progresso, industrialização, educação, ciência, cultura e esperança de um melhor futuro. Mas, com a restauração do capitalismo, tudo foi revertido.

Uma regressão histórica

Em seu brilhante livro A Revolução Traída, escrito em 1936, o grande revolucionário russo Leon Trotsky previu com espantosa presciência o que a restauração do capitalismo significaria para a União Soviética:

“Um colapso do regime soviético levaria inevitavelmente ao colapso da economia planificada e, dessa forma, à abolição da propriedade estatal… A queda da atual ditadura burocrática, se não for substituída por um novo poder socialista, significaria um retorno às relações capitalistas com um declínio catastrófico da indústria e da cultura” (Leon Trotsky, A Revolução Traída, p. 250-1).

Depois da queda da União Soviética, o povo da Rússia foi apresentado a todas as maravilhas do capitalismo: à exploração sem misericórdia, ao roubo e à fraude em escala vasta, ao crime desenfreado, à máfia, à dependência de drogas, à religião, ao misticismo e à superstição. Este foi um retorno aos maus e velhos dias em que o regime apodrecido de Rasputin foi reproduzido de uma forma ainda mais cruel.

Da noite para o dia, toda a riqueza produzida pelos esforços da classe trabalhadora soviética durante décadas foi saqueada por um punhado de oligarcas gananciosos e parasitas. Em vez de democracia, o povo da Rússia se encontrou nas mãos de ferro de uma cleptocracia voraz. No ápice dessa vasta pirâmide de corrupção está o novo czar, Vladimir Putin, que une em sua pessoa todas as características malignas e repulsivas da contrarrevolução capitalista.

O profundo medo da classe dominante é diretamente proporcional à intensidade de seu ódio para com a Revolução de Outubro e seus líderes. Foto: uso livre

Vladimir Putin era anteriormente um agente da KGB, a odiada polícia secreta do velho regime estalinista. Antes da queda da União Soviética ele serviu fielmente os interesses da burocracia estalinista, cantando louvores ao que se costumava chamar de “Socialismo” soviético. Nos 7 de novembro, ele se juntava às celebrações da Revolução de Outubro – uma revolução que foi traída pela casta burocrática estalinista cujos interesses ele servia lealmente.

Presentemente, no entanto, o senhor Putin, como todos os seus comparsas, está cantando uma canção diferente. Derrama sujeira sobre a memória da Revolução de Outubro e seus líderes, Lenin e Trotsky. Isso não é acidental. De suas origens humildes, Putin prosperou ao participar do saque do Estado soviético. Ele agora defende os interesses desse exército inchado de ladrões, trapaceiros e vigaristas que formam a oligarquia russa.

Como um padrinho da máfia tradicional, Putin protege seus clientes contra a ira das massas despossuídas. Ele defende seu direito de manter os bilhões de dólares das propriedades que eles roubaram do povo sob o manual da “privatização”. Em troca de seus serviços, ele foi recompensado com uma enorme quantidade de ganhos ilícitos, o que o tornou uma dos homens mais ricos sobre o planeta Terra. O servo se tornou o amo. Enquanto protege os interesses dos oligarcas, ele pressiona sua bota bem engraxada em seus pescoços, eliminando os que não servem aos seus interesses com o simples expediente da detenção e prisão.

Putin assumiu o poder total sobre o Estado. Ele se considera a personificação da Rússia. Ele foi ungido pela Santa Igreja Ortodoxa, cujos bispos são seus fiéis cães de guarda, desempenhando o papel de polícia espiritual ao lado dos policias uniformizados que mantêm as massas sob controle com armas e cassetetes. Em resumo, ele é o novo czar.

Mas, apesar da aparência externa de poder absoluto, o novo czar não dorme bem à noite. Da mesma forma que os oligarcas que ele representa, sente-se desconfortável com sua nova riqueza e poder. Esses usurpadores e novos-ricos sentem que seu domínio sobre suas riquezas é inseguro. O povo russo tem muitas recordações, e um espectro assombra o Kremlin – o espectro de 1917.

“Dinheiro não fede”

Quando o imperador romano Vespasiano quis levantar dinheiro impondo um imposto ao uso dos banheiros públicos, seu filho Tito, que evidentemente tinha alguns escrúpulos ou, pelo menos, uma aguçada sensibilidade olfativa, protestou contra a proposta. Como resposta, seu pai mostrou-lhe uma moeda de prata com as seguintes palavras: “Não fede – isto não fede”.

Desde a queda da União Soviética houve um verdadeiro tsunami de livros, artigos e documentários de televisão que competem entre si para ver quem pode produzir as mentiras mais descaradas, as calúnias mais estúpidas e os insultos mais grotescos dirigidos contra a Revolução de Outubro e os bolcheviques. Um grande número de escritores e historiadores, que não há muito eram membros de carteirinha do chamado Partido Comunista da União Soviética, tornaram-se agora os mais fervorosos defensores da economia de mercado capitalista. As mesmas pessoas que passaram toda a vida escrevendo louvores dos mais abjetos sobre o partido e seus alegres líderes estão agora escrevendo numerosos livros condenando a Revolução Russa, o socialismo e todas as suas obras.

É difícil de se saber o que é pior, mais cínico e hipócrita: o que eles escreviam antes ou o que escrevem agora. Mas o que é transparentemente óbvio é que muitos dos chamados intelectuais e respeitáveis acadêmicos possuem consciências altamente flexíveis e princípios altamente descartáveis. Muitas dessas pessoas consideram seu próprio bem-estar pessoal, suas carreiras e privilégios como muito mais importantes do que qualquer crença política que eles possam ou não ter professado. Eles também estão firmemente convencidos de que o dinheiro não fede.

Alguém poderia imaginar que essa torrente de sujeira não poderia piorar. Mas estaria errado. A nova série, Trotsky, originalmente produzida para a televisão russa, e que pretende descrever a vida de Lev Davidovich Trotsky, marca um novo golpe baixo nesse fétido pântano de mentiras e distorções.

A vida e as realizações de Trotsky

Infelizmente, seria necessária uma série das nossas para responder a todo o absurdo lixo apresentado nessa série como um “drama histórico”. Não seria exagero dizer que cada um dos seus 400 minutos contém pelo menos uma mentira e algumas vezes duas, de modo que devemos nos limitar a uma refutação das mentiras mais atrozes e ridículas. É suficiente dizer que o único crédito que essa série tem com o fato histórico começa e termina com os nomes dos personagens. Fora isso, é uma obra da mais pura ficção, e em particular de ficção grosseira.

Leon Trotsky foi um grande marxista e uma das figuras mais destacadas do século 20. Ainda jovem, ele desempenhou um papel destacado na Revolução Russa de 1905, quando, na idade de 26 anos, ele foi o presidente do Soviete de Petersburgo. A partir de sua análise marxista desse grande movimento, foi capaz de extrair sua teoria da revolução permanente, que foi dramaticamente comprovada na prática em Outubro de 1917.

Junto com Lenin, ele liderou a Revolução de Outubro. Naquele momento, o Partido Bolchevique era universalmente conhecido como o partido de Lenin-Trotsky. Durante a Guerra Civil, quando Trotsky era Comissário da Guerra (posto que manteve até 1925), a União Soviética foi invadida por 21 exércitos de intervenção estrangeira. Do nada, ele conseguiu construir um novo Exército Vermelho capaz de defender a República Soviética contra uma contrarrevolução sangrenta.

Trotsky desempenhou um papel destacado na construção da Internacional Comunista, e, para os primeiros cinco congressos da Internacional, Trotsky escreveu os manifestos e muitas das mais importantes declarações políticas. Ele foi ativo no período de reconstrução econômica em que reorganizou os sistemas ferroviários destruídos da URSS. E foi o primeiro a defender os Planos Quinquenais (que Stalin rejeitava na época).

Depois da morte de Lenin, Trotsky provou ser o único capaz de analisar a degeneração da URSS e a natureza do estalinismo. Ele liderou a luta da Oposição de Esquerda e defendeu os princípios da revolução de Outubro contra a contrarrevolução estalinista. No final, ele deu sua vida na luta para preservar as ideias e a bandeira do bolchevismo para a próxima geração.

Tal figura e tal vida poderia proporcionar amplo material para muitos filmes e séries, mas qualquer coisa que se aproxime do homem real, de suas ideias e dos acontecimentos que as modelaram está totalmente ausente nessa burla de “cinebiografia”. Longe de fornecer qualquer coisa como um relato verdadeiro da vida e das ideias de Trotsky, essa série simplesmente repete as velhas calúnias lançadas aos bolcheviques, tais como o cansado mito do “dinheiro alemão”, que foi desmascarado inumeráveis vezes. Não há uma só palavra que seja nova nesse novo trabalho grosseiro de alto orçamento.

Mas mesmo com esses padrões baixos, essa série é de uma espécie particularmente grosseira e desajeitada. Repetidamente, os autores mostram sua completa ignorância do registro histórico. Vamos nos limitar a dois dos exemplos mais evidentes disso. Com relação às negociações de paz de Brest-Litovsk, somos informados de que, dias após as negociações, um motim ocorre no porto alemão de Kiel, desencadeando o início da Revolução Alemã. De fato, a Revolução Alemã ocorreu em novembro de 1918, quase um ano após Brest-Litovsk.

Melhor ainda, o chefe da delegação alemã, Hoffman, anuncia que “fracassou uma tentativa de revolução na Alemanha” a um cabisbaixo Trotsky, que é forçado a aceitar todas as exigências do Kaiser. Como o general Hoffman pôde anunciar o fracasso de uma revolução que ainda não tinha ocorrido é um mistério que somente os autores da série podem explicar. E a afirmação de que a Revolução Alemã fracassou é uma realidade apenas em suas cabeças. Longe de fracassar, a vitoriosa Revolução Alemã de 1918, não somente derrubou o Kaiser, como também deu um fim a I Guerra Mundial. Mas por que deixar que os fatos estraguem uma boa história?

Em outro episódio, dizem-nos que a revolta anti-bolchevique em Kronstadt ocorreu em março de 1918 como resultado das ações de Trotsky. Ficamos então surpresos de saber, através de um marinheiro revolucionário, que os bolcheviques estiveram usurpando o poder “durante três anos e meio”. De acordo com essa matemática, os Bolcheviques estiveram no poder desde 1915!

A revolta de Kronstadt contra os bolcheviques não ocorreu em 1918, mas em março de 1921. Não foi realizada pelos marinheiros revolucionários que ajudaram os bolcheviques a tomar o poder em 1917-18, e que eram de origem principalmente da classe trabalhadora, mas por camadas principalmente do campesinato ucraniano, que foram incitadas contra os Bolcheviques por elementos reacionários. Evidentemente, a única forma com que os realizadores dessa série poderiam estabelecer qualquer vínculo entre Trotsky, os Marinheiros Vermelhos de 1917 e a rebelião de Kronstadt foi antecipá-la durante mais de três anos completos.

Misoginia e antissemitismo

Os autores mostram uma atitude verdadeiramente desprezível com relação às mulheres. Sua flagrante misoginia se pode ver em todos os oito episódios. Não há um só personagem feminino que não seja apresentado como uma espécie de donzela indefesa, de criada fiel, de objeto sexual ou de alguma combinação chocante de todas as três.

Natalia Sedova, a companheira e camarada de Trotsky durante a maior parte de sua vida, é retratada em primeiro lugar como uma socialite burguesa apolítica, em seguida como uma dona de casa sofrida e todas as vezes como um objeto passivo, nunca como uma revolucionária. Essa atitude chocante em relação às mulheres é ainda mais enfatizada pelas fotos gratuitas de nudez e pelas cenas de sexo que são regularmente colocadas no rosto do espectador.

Larissa Reisner era uma excelente revolucionária e bolchevique. Ela desempenhou um importante papel na revolução e nas fileiras do Exército Vermelho, lutando na região do Volga na Guerra Civil. Também participou na Revolução Alemã. No entanto, a se acreditar nessa série, a escritora e revolucionária gastou a maior parte da Guerra Civil Russa tirando a roupa. Mais tarde, Frida Kahlo obteve o mesmo tratamento, com as evidências visíveis de sua longa deficiência apagadas, no caso de desviar a atenção do interesse pornográfico.

Quando se assiste “Trotsky” de Putin, nós nunca estamos longe do mundo obscuro do antissemitismo. A revolução em si é apresentada basicamente como um uma “trama judia”. Foto: uso livre

A expressão mais flagrante desse preconceito é colocada por esses patifes intelectuais na boca de Trotsky, que supostamente teria dito a Sedova: “As massas têm uma psicologia feminina (?). Vocês são passivas por natureza (!). Vocês esperam pelo que um homem lhes oferece e escolhem o melhor. As pessoas são as mesmas… quando veem um homem forte e confiante, vão para debaixo dele imediatamente”.

Qualquer relação entre este absurdo delirante e as ideias de Leon Trotsky é, naturalmente, puramente imaginária.

Tudo isso não nos diz absolutamente nada sobre os bolcheviques e as mulheres revolucionárias, em particular. Mas diz muito sobre a psicologia dos parasitas oligarcas e da degenerada casta de prostitutas intelectuais a seu serviço que dominam o povo da Rússia hoje. Para homens que conseguem aprovar leis que permitem aos maridos abusar fisicamente de suas esposas (leis czaristas que os bolcheviques aboliram imediatamente ao tomar o poder), a ideia de que uma mulher pode ter seus próprios pensamentos políticos está naturalmente além de sua compreensão.

Ao se assistir ao Trotsky de Putin, também não ficamos muito longe do mundo sombrio do antissemitismo. Trotsky quase nunca mencionou sua origem judaica. Quando perguntado sobre sua nacionalidade ele se tornou conhecido por responder “socialista”. Mas para os realizadores dessa série esse aspecto do passado de Trotsky é de suma importância. Em cada episódio, sem falta, Trotsky é lembrado de sua condição judaica, seja na forma de um insulto antissemita ou com um aviso explícito de que o “povo amante de deus” da Rússia nunca “tolerará um judeu como seu líder”.

Junto a isso está o retrato constante e explícito de Trotsky como um “monstro”, um “demônio”, “não-humano” etc. Não se necessita ser um especialista para ver o paralelo com a propaganda branca antissemita que abundou durante a Guerra Civil. Em várias cenas, a estrela vermelha, que representa uma grande quantidade de imagens soviéticas, é transformada em algo parecido a uma estrela vermelha de David. Os fascistas das Centúrias Negras descreveram a Revolução de Outubro como uma “conspiração judeu-bolchevique”. Agora, os diretores-mascotes de Putin estão cantando a mesma canção.

Pior ainda, os vendedores ambulantes desses preconceitos repugnantes buscam lançar a culpa de seu próprio antissemitismo nos ombros dos bolcheviques e dos trabalhadores revolucionários. Quase todos os insultos antissemitas na série são postos na boca de um bolchevique ou de um trabalhador revolucionário. A clara inferência que se tira é que os bolcheviques açoitavam as camadas mais atrasadas e prejudicadas da sociedade e as lançavam contra judeus inocentes só pela busca de poder. Esta é uma mentira indigna e exatamente o contrário dos fatos.

Os bolcheviques sempre lutaram contra o antissemitismo, antes e depois da tomada do poder. De fato, os bolcheviques criaram grupos de defesa armados para defender os judeus contra os pogroms antissemitas, realizados pelos fascistas das Centúrias Negras e pelos brancos reacionários que gritavam a palavra de ordem “Derrotemos os judeus e salvemos a Rússia!” Tão próximo era o vínculo entre o antissemitismo e a base de apoio do czar que o jornal Pravda publicou em manchete de primeira página: “Ser contra os judeus é ser a favor do czar!”

O Partido Bolchevique lutou constantemente para erradicar o flagelo do antissemitismo, que tinha uma longa e sangrenta tradição sob os czares. Não foi até a contrarrevolução estalinista que este veneno reacionário começou a ressurgir, quando a burocracia começou a se apoiar nas camadas mais atrasadas. Este fato, naturalmente, é passado por alto na série, talvez pela simples razão de que, mesmo sob o estalinismo, o antissemitismo não alcançou as proporções monstruosas e explícitas como as que se deram na Rússia de Putin.

Natalia Sedova, camarada e companheira de Trotsky pela maior parte de sua vida, é retratada primeiro como uma socialite burguesa apolítica, então como uma sofrida dona de casa, e em todas as ocasiões como um objeto passivo, nunca uma revolucionária. Foto: uso livre

Desprezo pelas massas

Essa série não é somente uma calúnia contra Leon Trotsky e os bolcheviques. É um ataque desprezível às massas russas em geral, particularmente aos trabalhadores, que derrubaram o velho monstro czarista com séculos de antiguidade e criaram o primeiro Estado operário na história (se excluirmos a heroica, mas tragicamente curta, Comuna de Paris).

Os autores da série mostram o seu completo desprezo não só pelas mulheres como também pela classe trabalhadora. Ambos são representados como elementos passivos, ignorantes e irreflexivos, aptos apenas para ser dominados e oprimidos. Em nenhum momento se descreve aos trabalhadores como algo mais do que uma massa semi-criminosa, cuja única participação na revolução são os potenciais pogroms e saques.

O perigo das “massas tenebrosas” da Rússia é um estribilho constante em toda a série. O que isto reflete é o medo mortal às massas que os governantes da Rússia sentiam antes de 1917, e que ainda os obceca hoje. O guarda da prisão czarista de quem Trotsky tomou o seu pseudônimo expressa isso fielmente quando o fazem dizer: “Os russos só podem ser controlados, para o seu próprio bem”.

Inclusive o pai de Trotsky é recrutado para este coro que antagoniza a classe trabalhadora. O ator que o interpreta diz: “Não podes imaginar a besta que estás liberando… É infernal! É demoníaca!” Não precisamos dizer que estas palavras nunca foram pronunciadas, mas transmitem com precisão a atitude real da camarilha dominante da Rússia com relação à massa do povo russo.

Seguindo essa linha de argumentação, a relação entre as massas e os líderes revolucionários se descreve, naturalmente, como uma manada de animais que é conduzida à ação pelas palavras de ordem de uns poucos conspiradores intelectuais. Isso nos lembra a reação da polícia secreta czarista que, quando enfrentava os motins revolucionários na tropa, não podia pensar em outra explicação que não fosse a obra de “agitadores revolucionários”.

A atitude de Trotsky e Lenin para com as massas e seu papel na revolução é igualmente falsificada. Lenin é citado dizendo: “Quero mudar o mundo. Que tem o povo a ver com isso? As pessoas são ferramentas”. Na Roma antiga, a única classe produtiva, os escravos, eram descritos como instrumentum vocale: ferramentas falantes. Para a classe dominante, os trabalhadores sempre foram considerados como ferramentas, como meros depositários passivos de mais-valia. Esse continua sendo o caso na Rússia de hoje.

O ponto central da Revolução Russa foi que a classe operária adquirisse consciência de seu poder como a força-motriz do progresso social. As “ferramentas” se moveram para tomar o poder em suas próprias mãos através dos sovietes. Isso, no entanto, só foi possível graças à presença do Partido Bolchevique sob a liderança de Lenin e Trotsky. A classe dominante nunca os perdoou por isto.

Em seu livro “História da Revolução Russa”, Trotsky escreveu: “A história de uma revolução é para nós, em primeiro lugar, a história da irrupção brusca das massas no governo de seu próprio destino”. Sobre o papel do partido, ele também foi muito claro: “Para tomar o poder com firmeza e segurança em suas mãos, o proletariado necessita de um partido, que supere de longe outros partidos na clareza de seu pensamento e em sua determinação revolucionária” (“Em Defesa de Outubro”). São estes os elementos que em última análise determinam o curso das revoluções, e não o “homem forte e confiante”, tão querido pelos historiadores burgueses.

Se tudo o que se necessita para uma revolução é “desatar” as massas com apelos às armas, por que os revolucionários não tomaram o poder em fevereiro de 1917, ou melhor ainda em 1914? A verdade é que seu poder não se deveu a sua capacidade de “desatar” as massas, mas a sua capacidade de ganhar a confiança de grandes setores da classe trabalhadora e dos soldados. Isto requeria um partido de trabalhadores marxistas dedicados, “a flor e a nata da classe progressista”, sem o qual o papel fundamental desempenhado por Lenin e Trotsky na revolução teria sido impossível, um fato bem compreendido e explicado muitas vezes por Trotsky.

A Revolução de Outubro

Os autores dessa “obra-prima” cinematográfica podem ser acusados de muitas coisas, mas nunca de criatividade artística. Sequer são criativos em suas falsificações, simplesmente repetem velhas calúnias, já desacreditadas há muito. Assim que não é de estranhar que, rebuscando na lixeira, tenham sacado a velha acusação de que a Revolução de Outubro foi um “golpe”.

Dizem-nos que Trotsky organizou a tomada completa do poder por sua própria conta, para surpresa do restante dos bolcheviques, incluído Lenin, que, em um surpreende ataque de amnésia, parece ter esquecido o fato de que havia sido insistente, pedindo que o partido tomasse o poder desde setembro. E como lhes encanta jogar com as datas! O Segundo Congresso dos Sovietes de toda a Rússia, deixado de lado durante a maior parte da produção, e os debates e a votação da tomada do poder pelo mesmo, foram apagados. Por quê? Simplesmente para dar a (falsa) impressão de que o Congresso serviu simplesmente como uma reunião de comemoração da vitória depois de completada a insurreição.

Apesar dos caluniadores da série, o que ocorreu em Outubro de 1917 não foi um golpe (como diz a velha mentira burguesa), mas a maior revolução popular na história. Foto: domínio público

A afirmação de que a Revolução de Outubro foi um golpe de Estado não resiste ao menor exame crítico. Deve-se perguntar: se Trotsky, por si só, decidiu tomar o poder mediante uma conspiração em outubro de 1917, por que não o fez em maio, junho, ou em qualquer outro mês ou ano? Além disso, gostaríamos de aprender essa fórmula mágica por meio da qual uma pequena minoria de conspiradores, ou mesmo, como neste caso, um só indivíduo, pôde tomar o poder em um país de 150 milhões de habitantes. Então poderíamos tomar o poder na próxima segunda-feira às nove horas da manhã. O argumento é tão estúpido que uma criança de seis anos de inteligência média poderia identificar. No entanto, os críticos “intelectuais” do bolchevismo carecem até mesmo desse nível de compreensão.

Mas os opositores de Outubro têm um pequeno problema aqui. A insurreição real em Petrogrado foi praticamente um assunto incruento. A razão disso foi que, durante meses de paciente trabalho revolucionário, os bolcheviques lograram ganhar uma maioria decisiva nos sovietes de toda a Rússia. Isso não se fez nas sombras, mas abertamente, diante das massas de trabalhadores nas fábricas e dos soldados nas trincheiras. Dezenas de milhares de trabalhadores estavam armados e organizados na Guarda Vermelha e a incansável agitação de Trotsky foi um fator-chave para que guarnições inteiras se afastassem do Governo Provisório e passassem para o lado do Soviete de Petrogrado.

O que aconteceu em outubro de 1917 não foi um golpe de Estado, mas a maior revolução popular da história da humanidade. Em um período de apenas nove meses, as massas aprenderam na prática que o partido de Lenin e Trotsky oferecia a única forma de levar a revolução até ao fim. Naturalmente, a própria ideia de que homens e mulheres trabalhadores normais se armem e se organizem para derrubar conscientemente um Estado que já havia perdido toda autoridade é incompreensível para os autores da série Trotsky e para todos os demais inimigos do socialismo. Mas foi isso exatamente o que ocorreu em 25 de outubro de 1917, a culminação de um processo que se iniciou em fevereiro.

O movimento de massas dos trabalhadores e soldados, sob a direção do Partido Bolchevique, constituiu o elemento-chave na Revolução de Outubro. Mas nada disso é mostrado aqui. Toda a revolução se reduz assim a uma espécie de circo ou melodrama, com vilões pintados nas cores mais sombrias. Em vez de explicações históricas, temos as artes sombrias da conspiração. Em vez de pessoas reais, temos bonecos cujos movimentos bruscos são dirigidos por cordões puxados por marionetistas inescrupulosos. Em vez de heróis revolucionários, temos demônios ridículos de papel. Mas os circos e os demônios de papel são para o entretenimento de crianças pequenas e não têm nada a ver com a verdade histórica.

Trotsky e o Exército Vermelho

Os criadores de Trotsky queriam nos fazer acreditar que Trotsky ganhou a Guerra Civil utilizando uma violência e repressão “de proporções bíblicas”. A imagem de seu enorme trem blindado, arrojando um espesso fumo negro, é um refrão muito repetido ao longo da série, durante o qual o espectador recebe uma série de exemplos assustadores e totalmente fictícios da implacabilidade de Trotsky. Em um episódio vemos Trotsky emitir uma ordem para que todas as unidades que fujam sejam dizimadas ao estilo de um general romano; em outro, observamos como suas tropas disparam contra toda uma aldeia para que se possam aproveitar os túmulos de madeira dos camponeses como combustível. Estas e outras fantasias febris são usadas para promover a imagem satânica dos revolucionários, que foi o inventário dos reacionários desde muito antes da Revolução Russa.

O Estado operário que nasceu em outubro de 1917 enfrentou uma frente unida de reação, que reuniu todas as forças hostis à revolução na Rússia, junto a 21 exércitos estrangeiros. O velho exército russo, que se havia descomposto ainda antes de Outubro, já não existia. E, no entanto, no transcurso de um ano, Trotsky pôde construir um novo exército do nada e o converteu em uma força de combate capaz de obter vitórias impressionantes contra um inimigo brutal e bem financiado. Como disse Lenin uma vez a Máximo Gorki: “Mostre-me outro homem capaz de criar praticamente um exército modelo em um ano e que também tenha ganhado o respeito dos especialistas militares”.

Os produtores de “Trotsky” querem nos fazer acreditar que Trotsky venceu a Guerra Civil pelo uso de terrível violência e repressão, ao invés de formar o Exército Vermelho do nada para defender heroicamente a revolução. Foto: Domínio público

É uma verdade elementar que todas as guerras envolvem violência. Isso é ainda mais verdadeiro no caso de uma guerra civil em que uma pequena minoria exploradores enfrenta a rebelião das massas exploradas. Tais guerras se caracterizam pela extrema violência. A guerra civil russa não foi exceção. Mas, na realidade, a repressão sozinha nunca teria sido suficiente para ganhá-la. Se fosse este o caso, os brancos a teriam ganhado 10 vezes. As execuções em massa, os sangrentos pogroms antissemitas e a opressão brutal das minorias nacionais eram características bem conhecidas dos brancos em sua defesa da “civilização”.

A sede de sangue dos Brancos era muito conhecida, inclusive por seus aliados:

“O embaixador estadunidense no Japão, Rowland Morris, informou que em toda a Sibéria, sob o governo de Kolchak, houve uma ‘orgia de prisões sem acusações; de execuções sem a pretensão de um só julgamento; e de confiscos sem a cor da autoridade. O pânico e o medo se apoderaram de todos. Os homens se apoiam entre si e vivem no terror constante de que algum espia ou inimigo lhes gritará ‘bolchevique’ e os condenará a uma morte imediata’. Entre os mortos se encontravam ex-membros da assembleia constituinte e trabalhadores ferroviários que haviam pedido salários mais altos. ‘Em Ekaterimburgo, onde os bolcheviques executaram o czar Nicolau II e sua família, Kolchak permitiu que os cossacos massacrassem pelo menos dois mil judeus, como parte de uma vaga maior de pogroms” (Citado em The Russians are coming, again: The first cold war as a tragedy, the second as a farce, de Jeremy Kuzmarov e John Marciano).

Qual teria sido o destino da Rússia se os brancos tivessem conseguido estrangular a Revolução? Esta pergunta nunca é colocada pelos autores de Trotsky, e muito menos respondida. Mas, certamente, não teria sido uma democracia liberal e amante da paz. Pelo contrário! Teríamos o fascismo russo, um regime horroroso em que, nas condições da Rússia atrasada daquele momento, teria sido um monstro ainda mais cruel que o regime de Mussolini.

Trotsky e o Exército Vermelho ganharam a guerra não porque fossem mais violentos que o outro lado, mas porque tinham ideias e propaganda revolucionárias. Lutaram com rifles e baionetas, mas também com ideias. No campo, os bolcheviques ofereciam terras aos camponeses, em contraste com os brancos, que representam principalmente aos latifundiários. Em resumo: o Exército Vermelho levou a luta de classes à sua conclusão. O Exército Vermelho inclusive realizou uma agitação nas fileiras do inimigo, distribuindo folhetos em inglês e em outros idiomas estrangeiros, com o resultado de que houve motins em cada um dos exércitos de intervenção estrangeira que tiveram de ser retirados.

Ao longo da história houve muitos exemplos de revoltas de escravos, que sempre eram sufocadas com a maior brutalidade. Depois da derrota de Espártaco, os romanos crucificaram milhares de escravos ao longo da Via Ápia. Esse tipo de violência é aceitável para a classe dominante e seus apologistas. Mas, na Revolução Russa, pela primeira vez, os escravos se armaram, se defenderam e ganharam contra tremendas probabilidades. Por isso, os bolcheviques nunca podem ser perdoados pela classe dominante. É por isso que a classe dominante demoniza ao Exército Vermelho mais do que a qualquer outro exército da história. E é por isso que Trotsky, o homem que construiu o Exército Vermelho e o levou à vitória, é particularmente vilipendiado por Putin e a oligarquia, os descendentes lineares dos bandidos brancos contrarrevolucionários.

Trotsky se encontra com o fantasma de Freud

O personagem de Trotsky tal como se apresenta na série é um clichê tedioso de um “revolucionário” psicopata, fanático e faminto de poder. A fim de proporcionar algum tipo de justificação “científica” para essas acusações, foi necessário convocar ao processo um testemunho autorizado. E quem melhor para emitir um certificado de loucura criminosa que o pai da psicanálise, Sigmund Freud? Em uma cena, o fantasma de Freud (sim, na realidade, o pobre homem foi despertado de sua tumba para testemunhar) informa a Trotsky que ele é muito pior que um assassino serial ou que um “fanático religioso”.

Esta cena idiota realmente supera todos os limites da desonestidade intelectual. É difícil dizer quem está pior aqui: Trotsky ou o desafortunado Freud, cujo fantasma não pode descansar em paz, tirado de seu ataúde para converter o fundador da psicanálise em um completo palhaço.

Na verdade, não é Freud que é o bufão. Diga-se o que se queira, ele foi um investigador escrupuloso e consciencioso da psique humano. Não, esse epíteto deve ser reservado às pessoas que põem esse disparate na boca de um homem que morreu há muito tempo e que, portanto, não pode responder. Mas, como Sigmund Freud e seu fantasma nunca se encontraram com Trotsky, dificilmente poderiam estar em posição de fazer declarações sobre o seu estado mental, bom, lastimável ou indiferente.

Não há um único personagem feminino que não é apresentado como algum tipo de dama indefesa, serva fiel ou objeto sexual. Foto: Uso livre

O que é certo é que Trotsky foi talvez o único grande teórico marxista que mostrou interesse nas teorias de Freud e que escreveu sobre elas. Em um interessante artigo, compara Freud com o grande psicólogo russo Pavlov. Ele disse que Pavlov se parece a um homem que olha para o fundo de um poço profundo a partir de cima, enquanto que Freud está olhando para cima a partir das profundidades do poço da consciência humana. É um pensamento interessante. Quanto às pessoas que conjuraram o fantasma de Freud para seus próprios fins, só podemos dizer que não estão nem no alto do poço nem no fundo dele, e sim que estão mergulhados em um abismo de ignorância e estupidez.

Um elemento particularmente desagradável em tudo isto é a cínica tentativa de utilizar os filhos de Trotsky para assassinar o caráter de seu pai. Ao longo de toda a série, Trotsky é representado como um esposo e pai totalmente despreocupado e negligente, dizendo que não sentiu nada diante da morte de seus quatro filhos. Inclusive é acusado de ser o responsável por suas mortes.

Quais são os fatos? Stalin foi um monstro que assassinou sistematicamente, não só os seus oponentes e rivais, como também suas esposas, filhos, familiares e amigos. Fez com que os velhos bolcheviques fossem submetidos a torturas desumanas para obrigá-los a admitir os crimes atrozes dos quais eram totalmente inocentes. Os fez verter lama sobre eles mesmos e, então, os assassinou. Mas um homem escapou, e esse homem era Leon Trotsky, o homem a quem mais temia e a quem estava decidido a silenciar.

Em busca dessa sede de vingança, rastreou, torturou e exterminou sem remorsos a todos os que tiveram alguma relação com Trotsky, tão grande era o seu medo paranoico ao homem e às suas ideias. Um a um, assassinou os filhos de Trotsky. Leon Sedov foi assassinado em um hospital em Paris, onde estava se recuperando de uma cirurgia.

A primeira esposa de Trotsky, Alexandra Sokolovskaia, que lhe apresentou as ideias do marxismo e compartilhou de seu primeiro exílio na Sibéria, foi detida e enviada a um campo de concentração onde morreu. Sua primeira filha morreu de tuberculose na década de 1920. A segunda, Zinaida (a mãe de Esteban Volkov), foi levada ao suicídio por Stalin.

Quiçá, o caso mais trágico foi o filho mais novo de Trotsky, Serguei, que não era ativo na política e, portanto, permaneceu na URSS quando seu pai foi exilado. Stalin o prendeu e tentou que denunciasse ao seu pai. Negou-se e foi enviado a um campo de concentração onde foi fuzilado.

Afirmar que Trotsky e sua esposa eram indiferentes ao destino de seus filhos é a mais monstruosa e repugnante de todas as mentiras que enchem cada capítulo dessa abominação. Trotsky se sentiu tão devastado por esta notícia que, na realidade, considerou a possibilidade do suicídio, com a esperança de que Stalin liberasse ao seu filho. Mas sabia que isto era impossível. Uma vez que Serguei havia caído nas garras do monstro, seu destino estava selado.

Acusações falsas

Esta não é a única tentativa de culpar Trotsky pelos crimes atrozes de Stalin. Talvez pior seja a surpreendente afirmação de que Trotsky fortaleceu seus poderes com “execuções em massa de comunistas distintos”.

O chamado “Terror Vermelho” se refere às medidas tomadas pelos bolcheviques em resposta ao assassinato de destacados líderes bolcheviques e à tentativa de assassinato de Lenin por terroristas. Essas medidas eram de caráter defensivo e estavam dirigidas exclusivamente aos inimigos da revolução em meio a uma sangrenta guerra civil. A tentativa inescrupulosa de vincular isso aos julgamentos e execuções em massa de Stalin cai, inclusive, abaixo do desprezo.

Essa mentira indignante pretende proporcionar uma cobertura aos sangrentos expurgos de Stalin nos anos 1930. Nesses expurgos, milhares e milhares de comunistas dedicados foram enviados à morte por defenderem as verdadeiras ideias e tradições do bolchevismo. Como Trotsky assinalou naquele momento, foram vítimas de uma guerra civil unilateral contra o Partido Bolchevique, realizada pela burocracia estalinista que ascendeu ao poder sobre o cadáver do partido de Lenin.

Os autores dessa calúnia desejam mostrar que o estalinismo e o bolchevismo eram realmente a mesma coisa, porque ambos usavam métodos violentos. Para responder a essa calúnia, só há que se perguntar: se o regime totalitário de Stalin foi simplesmente a continuação do bolchevismo, por que foi necessário para Stalin exterminar fisicamente todos os líderes bolcheviques que tomaram o poder em 1917? O fato claro é que bolchevismo e estalinismo, longe de serem iguais, se excluem mutuamente.

Stalin, a criatura da contrarrevolução, instituiu um reinado de terror, não contra os contrarrevolucionários, mas contra os comunistas e operários, milhões dos quais foram enviados a prisões da GPU ou do gulag, onde pereceram. O criminoso não se deteve diante de nada para eliminar o último rastro de Outubro. Desejava apagar a memória de Outubro. Não foi outro senão Trotsky quem combateu com valentia para defender a bandeira limpa do bolchevismo. Por isso, Stalin teve que assassiná-lo a todo custo.

O ex-agente da KGB, Vladimir Putin, assinala com um dedo acusador a Lenin e Trotsky, mas não tem reservas sobre o uso da violência contra os seus próprios opositores políticos. Seu regime se baseia na violência organizada do Estado. A única diferença é que o Estado do qual ele é o chefe já não é o Estado de uma burocracia estalinista corrupta, e sim de uma oligarquia infinitamente mais corrupta e degenerada de banqueiros e capitalistas. E esse Estado se baseia em mentiras, fraudes e falsificações ainda maiores que as de Stalin.

O assassinato

Havendo falsificado cinicamente a vida de Leon Trotsky, Kott e Statsky apresentam uma falsificação ainda mais grotesca de sua morte. No grande final, o assassino de Trotsky, Frank Jacson (o estalinista catalão cujo nome real era Ramón Mercader), nos é apresentado sob a luz mais favorável, como um jornalista honesto com simpatias comunistas que entra em uma relação próxima com Trotsky, supostamente com a finalidade de escrever sua biografia.

Isto é falso do princípio ao fim. Mercader era um agente estalinista que seduziu cinicamente uma jovem totskista estadunidense, a quem usou para penetrar na casa dos Trotsky com o propósito de perpetrar um assassinato a sangue-frio. Com esta finalidade, inundou os guardas com presentes e se ofereceu para realizar todo tipo de serviços, como o de usar o seu automóvel para levar Alfred e Margarite Rosmer a Veracruz, e assim sucessivamente. Dessa forma, pouco a pouco, ganhou a confiança dos guardas, ao mesmo tempo em que fingia não ter nenhum interesse pela política.

A ideia de que Jacson-Mercader tinha uma relação próxima com Trotsky é completamente falsa. Não havia tal relação. Não houve discussões entre eles, como as completamente fictícias que aparecem na série. De fato, Trotsky o considerava um diletante bem-intencionado, mas politicamente ignorante. Ele, com relutância, concordou em ler um artigo que lhe entregou, por consideração aos favores que havia feito aos seus amigos e familiares. De fato, começava a suspeitar do homem e disse a sua esposa, Natalia Sedova, que não o voltaria a ver. Isso foi no dia do assassinato, 20 de agosto de 1940.

Por conta da negligência dos guardas, que eram trotskistas jovens e inexperientes (e não da polícia mexicana, como se apresenta falsamente na série), nesse dia fatídico, permitiu-se a Mercader entrar na casa e ficar a sós com Trotsky. A acreditarmos na versão de Kott e Statsky, esse gentil assassino (por razões que são um mistério) desenvolve repentinamente uma consciência culpada e decide ser misericordioso, decidindo abandonar a habitação de Trotsky.

O assassino de Trotsky, o agente da GPU Ramon Mercader, é retratado sob uma luz muito favorável. Foto: Domínio público

Neste ponto, é atacado furiosamente por Trotsky, que o golpeia repetidamente na cabeça com seu bastão. Mercader, agindo puramente em defesa própria, agarra uma picareta quebra-gelo, que está misteriosamente pendurada na parede e golpeia a Trotsky com ele, matando-o. Como é habitual nesta pantomima absurda, a verdade está de cabeça para baixo. A vítima se converte no agressor e o assassino se converte na vítima inocente!

Quais são os fatos? Tendo se aproximado de Trotsky sob o pretexto de corrigir um artigo que havia escrito, o assassino estava atrás de sua vítima indefesa, que estava lendo o artigo que lhe havia dado. Quando Trotsky estava suficientemente distraído, Mercader o golpeou na cabeça com toda a sua força com uma picareta quebra-gelo de cabo curto.

Os fatos do caso não podem ser postos em dúvida. Como assinalou Esteban Volkov (ver o e-mail acima), a polícia mexicana realizou uma investigação exaustiva naquele momento, incluída uma reconstrução detalhada do assassinato na presença do assassino. Mercader não agiu em defesa própria, e sim cometeu um assassinato a sangue-frio que havia planejado com meses de antecedência.

A arma do crime não estava pendurada na parede. Ele a levava oculta sob o abrigo (também tinha uma faca e uma pistola). De fato, houve uma luta, mas isso foi depois e não antes do golpe fatal.

Seja por nervosismo ou por qualquer outra razão, o assassino não teve êxito em seu objetivo. Trotsky não morreu instantaneamente. Lutou valentemente, apesar de sua terrível lesão, enquanto chamava os guardas em sua ajuda. Reteve a consciência o tempo suficiente para identificar seu agressor e ordenar que não o matassem, exigindo que devia falar.

Um dia depois, o grande marxista e líder da Revolução Russa estava morto. Com o assassinato de Trotsky, Stalin havia completado sua campanha de extermínio contra o Partido Bolchevique. Havia cumprido o seu papel de coveiro da revolução, tal e como havia predito Trotsky. Com esta ação, a usurpação do poder da classe trabalhadora russa pela burocracia foi completada. O poder da burocracia estalinista parecia indiscutível.

Mas a história se vingou dos estalinistas. A burocracia minou a economia planificada através de fraudes, da corrupção e da má gestão em grande escala. No final, destruiu a União Soviética e preparou o caminho para a restauração do capitalismo e para a liquidação de todas as conquistas da Revolução de Outubro.

Atualmente, os netos da velha burocracia estalinista se transformaram nos biznesmeni [homens de negócios, em russo] capitalistas. Vestem-se com trajes elegantes, suas esposas estão adornadas com joias, vivem em palácios e viajam em automóveis caros e aviões privados. Esta gangue de arrivistas endinheirados se enriqueceu à custa da classe trabalhadora russa. Desejam fervorosamente liquidar todas as lembranças da Revolução de Outubro. As calúnias infames contra Trotsky são apenas a ponta feia de um enorme iceberg de mentiras e falsificações que se fabricou para esta finalidade.

Mas a crise do capitalismo está levando uma nova geração de trabalhadores a se levantar. Em todo o mundo, podem-se sentir os primeiros tremores da revolução. Leon Trotsky, esse grande lutador revolucionário, líder de Outubro e mártir da classe trabalhadora, dedicou toda a sua vida à causa da classe trabalhadora, à luta pelo socialismo, por um mundo novo e melhor.

Damos as costas com desprezo às calúnias de nossos inimigos. Representam uma ordem social decrépita e senil que está destinada a ser derrubada. Nossa fé está no futuro e nossa visão é a que inspirou Lev Davidovich Trotsky a escrever sua mensagem final ao mundo:

“A vida é bela. Que as futuras gerações a livrem de todo mal, opressão e violência, e que a desfrutem plenamente” – Leon Trotsky, Cidade do México, 27 de fevereiro de 1940.

Tradução de Fabiano Leite.n

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