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Flaskô, 15 anos: A luta pela estatização sob controle operário!

Os trabalhadores da Flaskô aproveitam e convidam a todos para a atividade de discussão e celebração dos 15 anos da Flaskô, que ocorrerá no próximo sábado, dia 16 de junho, às 14h, na sede da fábrica, em Sumaré/SP

A Esquerda Marxista possui uma relação intrínseca com uma experiência histórica e que muito deve se orgulhar. Os trabalhadores da Fábrica Ocupada Flaskô resistem desde 12 de junho de 2003 na defesa dos postos de trabalho, dos direitos e da continuidade da atividade produtiva, sob controle operário, diante do fechamento da fábrica pelos patrões.

Os trabalhadores da Fábrica Ocupada têm conseguido manter a fábrica aberta mesmo diante de todas as adversidades. Para defender os empregos e direitos, contra o fechamento, o abandono e o sucateamento provocado pelos patrões, a organização operária mostrou sua capacidade de produzir e resistir. Junto com os trabalhadores da Cipla e Interfibra, de Joinville (SC), se conformou enquanto Movimento das Fábricas Ocupadas e atuou em quase 40 fábricas desde 2002. Enfrentou diretamente os patrões, suas entidades patronais, Judiciário e governos, nas três esferas e mesmo setores sindicais reformistas.

Muitas conquistas foram realizadas justamente por não ter a apropriação privada da riqueza. Conseguiu organizar melhor a produção. Reduziu a jornada de trabalho de 44 para 40, e depois para 30 horas semanais, sem redução de salários, criaram-se espaços democráticos como o Conselho de Fábrica e a Assembleia, tomando as decisões coletivamente. Houve um processo riquíssimo de avanço no processo de consciência dos trabalhadores combinado com o caráter social da produção.

No terreno que estava ocioso na época patronal, organizou-se uma incrível luta por moradia, com a ocupação da área e a consolidação da Vila Operária e Popular, com 564 famílias que lutam hoje pela regularização de suas moradias, com importantes avanços conquistados na luta, como acesso à água e luz. Ainda há muito o que fazer, mas essa comunidade possui a particularidade de ser a única ocupação de moradia em um terreno de uma fábrica ocupada. Mostra, assim, a necessidade da unidade na luta.

Criou-se o projeto da Fábrica de Cultura, Esportes, Educação e Lazer, com centenas de atividades que mobilizaram várias crianças, jovens, toda a comunidade, coletivos de cultura e de educação popular. Muitos viram peças teatrais pela primeira vez. E tudo isso numa fábrica ocupada. Criou-se o Centro de Memória Operária e Popular, organizando publicações e o arquivo de toda esta história, articulando estudantes, professores para melhor registrar a memória da luta da classe trabalhadora, para que esta rica experiência siga como uma referência para todo o movimento operário.

Obviamente, com todos estes avanços e toda esta fantástica articulação, a burguesia reagiu e passou a atacar o Movimento das Fábricas Ocupadas. O mais emblemático foi a gravíssima ação em maio de 2007, com a criminosa intervenção federal nas fábricas de Joinville, afastando o controle operário, provocando demissões, perseguições, um terror contra o movimento. O juiz diz textualmente: “Imagine se a moda pega?”. Mais explícito do que isso, impossível! A burguesia é inteligente e possui muito medo da organização dos trabalhadores. Por isso, quando se faz necessário, a repressão é brutal.

Nesta conjuntura de profunda crise econômica, o que vemos são inúmeros fechamentos de fábricas, demissões e ataques aos direitos trabalhistas. Sem investimentos, mercado parado: Quem vai pagar a conta? Jogam nos trabalhadores o ônus criado pela lógica de exploração capitalista. Se com os governos do PT já era difícil, o que é possível conquistar da pauta da estatização sob controle operário num governo Temer? Se o sucateamento das máquinas já era grande em 2003, imagine agora em 2018? Se o Judiciário já nos atacava antes, inclusive sob toda perspectiva de criminalização enquanto movimento social, imagine agora? De qualquer maneira, as perguntas devidas, na verdade, são: “O que fazer diante dos fechamentos das fábricas?” “Quais medidas são tomadas pelo Judiciário e credores?” “Como garantir os direitos trabalhistas devidos?” “Depois de ocupada uma fábrica, como tratá-la? Como ajudar e incentivar?” “É possível haver políticas públicas específicas?”

As dificuldades são enormes, mas era previsto. Trabalhadores sempre alertaram: “Não temos ilusão. Não há socialismo num só país, não sobreviverá uma fábrica ocupada isolada”. O que manteve aberta a fábrica até hoje foi a dedicação diária de todos os trabalhadores combinada com a articulação política realizada, pela solidariedade de classe, com todos os movimentos sociais, sindicais, estudantes, coletivos, etc., que sempre estiverem lado a lado em cada batalha da Flaskô. Seja para barrar os leilões de máquinas, seja para reverter decisões de penhoras e falência no Judiciário, seja pelas sabotagens patronais, seja pelos ataques dos governos, seja para realizar as atividades da luta.

Desta forma, para continuidade da atividade produtiva e da resistência da fábrica ocupada Flaskô, num contexto de profunda polarização da luta de classes e duros ataques ao movimento operário, e sabendo que as dificuldades são enormes, todo revolucionário deve se somar à defesa da luta dos trabalhadores da Flaskô, ajudando a fortalecer a luta da classe trabalhadora e escancarar as contradições do capitalismo e os métodos dos patrões em demitir os trabalhadores, retirar direitos e fechar as fábricas, etc.

Por tudo isso, em nome da Esquerda Marxista, saudamos a experiência da Flaskô, que segue, com muitas dificuldades, mas de cabeça erguida, em defesa da estatização sob controle operário, como um exemplo para o Brasil e para o mundo.

Viva a luta da Flaskô!

Fábrica ocupada, é fábrica estatizada, e colocada sob controle dos trabalhadores!

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