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Enfrentamos o fascismo nos EUA e no Brasil?

“Fascista” ou não? A questão surge sempre que um Trump ou um Bolsonaro chega ao poder, já que eles multiplicam as afirmações racistas, sexistas e homofóbicas.

No entanto, todos os governos de direita recorrem, uns mais, outros menos, a esse tipo de retórica reacionária. Eles são todos “fascistas”? Não. Ou o termo não expressa nada em específico.

Precisamos de uma caracterização científica do fascismo. Em outras palavras, é preciso compreender sua dinâmica de classe. O fascismo é um movimento pró-capitalista. Os partidos fascistas que no século passado tomaram o poder na Itália, Espanha e Alemanha foram apoiados pela grande burguesia desses países. E, uma vez no poder, deram à dominação do grande capital um caráter “puro”, isto é, bárbaro.

A função histórica do fascismo é precisamente a destruição completa de todas as organizações da classe trabalhadora: partidos de esquerda, sindicatos, associações etc. Mas, para conseguir isso, a burguesia não pode confiar apenas em seu aparelho de estado (polícia e exército). Deve também mobilizar, disciplinar e armar uma massa de pequeno-burgueses desesperados para projetá-los contra as organizações operárias. A base social do fascismo é sempre a pequena burguesia: camponeses, artesãos, comerciantes etc.

Equilíbrio de força

Onde nos Estados Unidos e no Brasil estão as “tropas de choque” do fascismo? Elas não existem. É certo que existem pequenas organizações fascistas. Elas são perigosas e devem ser esmagadas. Contudo, elas não podem destruir as organizações de trabalhadores estadunidenses e brasileiras. Além disso, desde a década de 1930, a base de massa do fascismo – a pequena burguesia – diminuiu bastante, numericamente, em proveito da classe trabalhadora (incluindo o Brasil). Isso mudou o equilíbrio de força entre as classes a nosso favor. E isso limita consideravelmente a possibilidade de a burguesia mover-se em direção a um regime fascista.

Por fim, o fascismo só pode chegar ao poder no contexto de profunda desorientação e desmoralização dos trabalhadores, no final de um período de intensa luta de classes – um período no qual os trabalhadores tiveram a oportunidade para tomar o poder, mas se depararam com a escolha política errada de suas próprias organizações. Esse foi o caso na Itália, na Alemanha e na Espanha. Porém, essa não é hoje a situação concreta dos trabalhadores nos Estados Unidos e no Brasil. Em vez de estar exaurida por anos de luta intensa e sem saída, a classe trabalhadora nesses dois países começa a se mobilizar.

Claro, Trump e Bolsonaro são inimigos perigosos dos trabalhadores. Eles devem ser combatidos. Mas antes que a burguesia desses dois países possa recorrer a regimes ditatoriais, ou mesmo fascistas, os trabalhadores terão várias oportunidades de tomar o poder. E eles o tomarão se tiverem à frente um partido revolucionário determinado a derrubar o capitalismo.

Tradução de Sergio Mauricio Pinto e Tereza Cristina Pinto.

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