Eleições nos EUA: às portas do Armagedom

O mundo aguarda apreensivo a escolha do novo “líder do mundo livre”. A eleição deste ano tem sido uma montanha-russa para eleitores, institutos de pesquisa, especialistas e candidatos. Uma campanha como essa não foi vista nos EUA nos últimos cem anos ou mais.

Os fatos parecem confirmar o que muitos acreditavam: o povo americano finalmente saiu do fundo do poço. Comentaristas sérios e mesmo comediantes estão prevendo “o fim da experiência americana com a democracia republicana” seja qual for o resultado da eleição. Os eleitores estão tentando se convencer de “qual candidato eles odeiam menos”.

Nas palavras do New York Times, “com mais de oito em cada 10 eleitores afirmando que a campanha os deixou mais enojados que animados, o mal estar crescente ameaça o vencedor da disputa. Clinton, candidata do Partido Democrata, e Trump, candidato do Partido Republicano, são considerados desonestos e vistos de maneira desfavorável pela maioria dos eleitores”.

O Financial Times, por sua vez, disse o seguinte: “o que está fora de questionamento é que os mercados estão assustados com a possibilidade da vitória de Donald Trump”. De acordo com o think tank liberal Instituto Brookings, a vitória de Trump “reduziria o valor do Standard & Poor’s 500 [NT: índice que mede a cotação das 500 ações mais importantes das bolsas americanas], levaria a uma queda de 25% no peso mexicano e provocaria futura volatilidade nos preços de mercado”.

Como disse a chefe de análises políticas globais da Citi, os EUA estão tendo um “momento de mercado emergente”. Essa instabilidade provocada por um resultado eleitoral que eles estão experimentando é velha conhecida dos países mais pobres que não tiveram séculos de domínio democrático-burguês. Mas será que ela acredita que uma vitória de Hillary Clinton faria grande diferença?

“Vamos com calma. Os investidores devem se preparar para uma nova forma de economia avançada e risco político qualquer que seja o resultado da eleição presidencial dos EUA. Primeiramente, qualquer alívio nos mercados por conta de uma vitória de Clinton sobre Donald Trump, seu adversário republicano, muito provavelmente será seguido pela constatação de que um congresso dividido significará um retorno ao bloqueio político e à estratégia temerária de levar à beira do abismo o teto de dívidas pública, com poucas perspectivas de reformas… Ondas de protestos, golpes políticos e o crescimento de partidos políticos não-tradicionais se tornaram um fenômeno global”.

Embora as decisões mais importantes que afetam nossas vidas sejam tomadas em salas de reuniões corporativas, isso não quer dizer que os presidentes não tenham impacto e influência sobre aspectos específicos do domínio capitalista. Em um mundo que se equilibra sobre o fio da navalha, até mesmo pequenas diferenças podem levar a economia, a política e a sociedade como um todo para um ponto fora de controle. A classe dominante tem clara preferência por Hillary Clinton e acredita que ela é a melhor opção para manter o status quo. O problema é que o status quo das últimas décadas chegou ao fim. O Sonho Americano acabou – não apenas para os trabalhadores, mas também para os capitalistas.  O boom econômico do pós-guerra e a rápida recuperação que se seguiu ao colapso da URSS foram pontos fora da curva. Nós estamos agora de volta à normalidade capitalista e, certo como dois e dois são quatro, este retorno à normalidade significará polarização aguda e intensificação da luta de classes em uma escala que não tem sido vista há décadas.

Tudo pode acontecer

Após o último debate presidencial, Hillary parecia estar tomando vantagem em relação a seu adversário. Apenas um de 27 jornais em todo o país deu apoio ao candidato republicano. Hoje, poucos dias antes da eleição, Clinton está longe de uma vitória certa. Com pouquíssima cobertura positiva na mídia e um aparato de campanha corpo-a-corpo minúsculo se comparado ao dos democratas, Trump tem chances reais de vencer ou ao menos chegar perto o suficiente para incomodar, abrindo a possibilidade de um caos pós-eleitoral caso decida não reconhecer o resultado.

Se tudo estivesse como antes, Hillary já estaria com um pé na Casa Branca. No entanto, nada é como antes. O capitalismo navega por águas desconhecidas e a profunda crise de seu sistema econômico inevitavelmente se reflete em uma profunda crise do sistema burguês. Embora cada um expresse a crise de maneira diferente, Trump e Clinton não são culpados enquanto indivíduos pela instabilidade revelada pelas eleições. Eles são como navios em meio a um oceano revolto, jogados de um lado para o outro por forças econômicas e sociais que estão muito além de seu controle, desesperados para retomar o leme em suas mãos. À medida que a narrativa do Sonho Americano e a identidade nacional se desfazem juntamente com a economia, outras formas mais heterogêneas de identidade e polarização estão ganhando espaço.

Esta sempre foi a eleição perfeita para Clinton – isto é, desde que ela e a Convenção Nacional do Partido Democrata manobraram de maneira antidemocrática para negar à Bernie Sanders a vitória. Apesar de tudo, Obama é relativamente popular, a economia ainda não afundou completamente, a juventude de modo geral está tendendo à esquerda após os movimentos Occupy e Black Lives Matter e Trump é um bufão ignorante e reacionário. Tudo estaria perfeito, não fosse por um detalhe: milhões de americanos odeiam intensamente Hillary Clinton. Eles a veem como uma trapaceira desonesta e mentirosa, vendida aos banqueiros de Wall Street. Ela é a síntese de uma carreirista partidária, a personificação da influência dos negócios na política. Após a experiência com Sanders, dizer “ao menos eu não sou Trump!” não é motivação suficiente para levar milhões às urnas.

Como nós explicamos anteriormente, se o Brexit aconteceu, Donald Trump pode se tornar o novo presidente dos Estados Unidos da América.

“Direita” e “esquerda”

Como compreender o apoio à Trump? Se ele realmente tem chances de ganhar, isso quer dizer que milhões de trabalhadores americanos votarão nele. Sua principal base de apoio é claramente a ˜pequena burguesia enfurecida” – numericamente reduzida e socialmente impotente como ela é –, mas ele também conquistou terreno no descontentamento profundamente enraizado de milhões de trabalhadores comuns. Para entender o que está acontecendo, nós precisamos abandonar o corrente entendimento acadêmico-liberal-burguês  sobre o que constitui “esquerda” e “direita”. Em resumo, precisamos analisar este processo em uma perspectiva de classe.

Para os marxistas, a “esquerda” representa os interesses vivos e historicamente progressistas da classe trabalhadora na luta pela transformação revolucionária e socialista da sociedade. A “direita” são os defensores e beneficiários do decrépito e agonizante sistema capitalista, um sistema retrógrado baseado em exploração e opressão que tem sobrevivido muito além de sua “data de validade” graças às traições dos líderes da classe trabalhadora. A determinação fundamental não é esta ou aquela política vista de maneira abstrata, mas a classe: você é um trabalhador ou você vive da exploração dos trabalhadores?

Para manter a ilusão da democracia “majoritária”, é preciso permitir que os trabalhadores, que superam em grande número os capitalistas, tenham acesso às urnas (ou ao menos àquelas que não tenham sido desqualificadas da votação por uma infinidade de razões duvidosas). Em tempos normais, diferenças superficiais em políticas sociais, econômicas e externas são suficientes para que os eleitores se convençam sobre em quem devem votar.  Mas em tempos em que as contradições do sistema levam os partidos à beira do colapso e nenhuma alternativa proletária de massas surge para tomar o seu lugar, outros métodos são necessários para manter as coisas dentro de limites seguros.

Consciente ou inconscientemente, tanto a esquerda quando a direita populistas têm como função iludir os trabalhadores para que votem em partidos que defendem interesses de classe diametralmente opostos aos seus. Quando se enquadra o mundo e a política em uma luta de “nós contra eles” em diferentes linhas ideológicas e demográficas, tira-se a atenção da raiz de todos os problemas: a crise e as contradições que são inerentes ao sistema. No entanto, colocar essas forças em movimento pode ao mesmo tempo ser um risco à ordem estabelecida, uma vez que os agitadores podem não ser capazes de mantê-las sob controle. O truque consiste em esquentar os ânimos das pessoas o suficiente apenas para levá-las a votar, mas não ao ponto de elas realmente acreditarem que podem opinar sobre a maneira como a sociedade é governada. Após as eleições, todos devem ir para casa e deixar a política nas mãos dos profissionais. Deus nos livre que eles ocupem as ruas, marchem em direção à capital, ocupem fábricas e organizem greves gerais.

Portanto, deixe-nos ser claros: os democratas não são “esquerda” e os “republicanos” não são “direita”. Eles sempre foram e continuam sendo até hoje partidos da classe dominante compostos por membros da classe dominante e que governam para a classe dominante. Eles são, no máximo, as faces liberal e conservadora da classe capitalista. Apesar de terem desenvolvido um antagonismo ideológico histórico, tanto os liberais quanto os conservadores são variantes do domínio capitalista e sempre vão se unir contra os interesses dos trabalhadores. Tanto os democratas quanto os republicanos se apoiam demagogicamente na classe trabalhadora, prometendo mundos e fundos durante as eleições, mas governando para os interesses dos capitalistas assim que o resultado das urnas é anunciado.

Na ausência de um partido de massa dos trabalhadores, a maioria da classe trabalhadora é obrigada a escolher qual dessas faces do capitalismo é “menos pior” sempre que uma eleição se aproxima. Por décadas, os democratas posaram como “mais à esquerda” graças ao legado das modestas reformas realizadas pelo New Deal de Franklin Delano Roosevelt, o dinamismo juvenil de John F. Kennedy e o projeto de “Grande Sociedade” de Lyndon Johnson. No entanto, a crise do sistema significa que não há mais migalhas a serem dadas. Os capitalistas querem ficar com o bolo inteiro, mesmo sendo os trabalhadores que preparam toda a receita.

Após quase uma década de recessão, falta de assistência, desemprego e precarização do trabalho sob o mandato do Partido Democrata, não está tão claro para os trabalhadores qual desses males é o “menor”. São principalmente trabalhadores homens, brancos e mais velhos que apoiam Trump, muitos deles membros de sindicatos. Eles foram os mais beneficiados pelo boom econômico do pós-guerra e agora sentem o laço se apertando. Ainda não esclarecidos de que a causa da queda de seu padrão de vida é o sistema capitalista em si e imbuídos da ideia disseminada pelos líderes sindicais de que os trabalhadores estão em “parceria com os patrões”, eles estão desesperados para manter o pouco que têm. Eles se apegam à última esperança de que um “homem de negócios forte” possa dar conta do recado. Quando olham para Hillary Clinton, eles veem a parceira ideológica do homem que devastou o trabalho organizado através do NAFTA, da “reforma” da assistência social e de uma enxurrada de leis contrárias aos trabalhadores. O fato de as lideranças sindicais estarem aterrorizadas por não poderem dar à Hillary a vitória através do controle de seus membros é uma dura reprimenda à sua política de colaboração de classes nos locais de trabalho e nas urnas.

“Escola dos democratas”

Para milhões de pessoas, o ano de 2008 foi uma alegre celebração de algo possível, de mudanças antecipadas e da esperança em um futuro melhor. Nada disso se materializou. Na verdade, as coisas estão piores para a maioria do que estavam na época de G.W. Bush. Somente o 1% se beneficiou da modesta expansão econômica dos últimos sete anos. Isso nada tem a ver com o fato de Obama ter ou não boas intenções. Mesmo que ele tenha imaginado que poderia aprovar algumas pequenas reformas sem arranhar a superfície do sistema, seus esforços estavam condenados desde o inicio quando ele aceitou e abraçou os parâmetros capitalistas.

Após dois mandatos de acordo com a “escola dos democratas”, um profundo questionamento está se formando, não apenas sobre Obama e seu partido, mas sobre todo o sistema. Foi isso que nos trouxe à atual conjuntura. O baixo comparecimento entre os negros americanos nas votações primárias é apenas uma das indicações deste problema, apesar do esforço de Obama para mobilizar eleitores negros a votarem em Clinton para que ela “continue seu legado”. No entanto, foi exatamente o seu legado – um legado de crise capitalista – que deixou tantas pessoas sem entusiasmo para a eleição.

No final, Sanders acabou jogando dentro das regras e cumpriu sua promessa inicial de apoiar Hillary. A decepção com “o que poderia ter sido” a promessa de Bernie e sua traição deram um tom fúnebre à fase final da eleição. As palavras e ações revoltantes de Trump obscureceram e tiraram a atenção da podridão fundamental da dinastia de Bill e Hillary Clinton. Após a grande mídia se virar abertamente contra ele, houve um rompante de apoio desencantado e sem ilusões pelo voto no “mal menor”, o que fez com que Hillary parecesse a caminho da vitória certa. Mas como nós pudemos ver, há também uma profunda falta de confiança no sistema que a candidata democrata incorpora. A reabertura das investigações a respeito dos seus e-mails por parte do FBI foi o escândalo gota d’água para muitos eleitores indecisos e a corrida voltou a ficar apertada.

Trump tem uma base de apoio independente – seu próprio dinheiro, seu ego, sua imagem e a adoração de milhões que o veem como alguém de fora do sistema pode “fazer as coisas acontecerem” (apesar de ser um milionário). Ele defende apenas seus próprios interesses, não os da classe dominante como um todo, e é, portanto, mais imprudente e difícil de controlar. É por isso que os patrões preferem imensamente Clinton. Mas os trabalhadores têm muitas suspeitas (com razão) a respeito de palestrantes bem pagos de Wall Street como ela.

Ao invés de oferecer a visão arrebatadora de um futuro melhor, Clinton e seus apoiadores têm focado quase que completamente em quão terrível é Donald Trump e no desastre que seu governo iria representar. Sua campanha tem utilizado exatamente o mesmo manual. No entanto, espalhar o terror dessa vez pode não ser suficiente para fazer a balança pender para o lado dos democratas. Embora discordem de seu estilo e do teor de suas opiniões a respeito de vários assuntos, milhões de eleitores veem Trump como a alternativa menos indigesta. Por incrível que possa parecer a muitos dentro e fora dos EUA, isto é perfeitamente compreensível se nós olharmos para o que a classe trabalhadora tem passado política e economicamente nos últimos ciclos eleitorais. É por isso que o resultado não deve ser entendido de maneira alguma de forma precipitada.

A instabilidade é inevitável

Não importa quem ganhe, o próximo ocupante da Casa Branca irá governar sobre um barril de pólvora de crise e instabilidade. Cortes, austeridade e ataques à classe trabalhadora estão na pauta não importa qual tenha sido a promessa do candidato. Os trabalhadores não terão outra escolha a não ser lutar contra essas medidas nos seus locais de trabalho e nas ruas. Se Trump ganhar, não haverá apenas protestos espontâneos de massas, mas também a próxima crise econômica pode se iniciar. Seus apoiadores perceberão em pouco tempo que foram enganados. Se Clinton ganhar, sua lua-de-mel muito provavelmente terá vida curta, especialmente com o devastador colapso econômica que se agiganta no horizonte. A última crise minou não apenas o tesouro nacional, mas também a vontade da população de salvar as finanças do 1%. O choque e a inércia serão substituídos por indignação e mobilização.

As repetidas declarações de Trump a respeito do “aparelhamento do sistema” reverberam em diversas camadas sociais e são calculadas para manter a desconfiança e a instabilidades em níveis altos caso ele perca. Qualquer que seja o “vencedor”, ele vai começar o governo com uma das mais baixas taxas de aprovação da história moderna. E, se o controle sobre o Congresso se mantiver dividido, o impasse em Washington irá piorar, minando ainda mais a pouca confiança que ainda resta no sistema político. E da mesma maneira que o Caso Dreyfus quase levou abaixo a Terceira República da França nos anos 1890, tal quantidade de escândalos pode derrubar tanto Clinton quanto Trump.

Os líderes sindicais falharam conosco novamente em não lançar nenhuma candidatura ou partido independente. Não importa o resultado, sua política de “mal menor” está em seus últimos suspiros e a sua autoridade sobre as bases está minguando. Há também aqueles “à esquerda” que chamam para o voto em Hillary Clinton e sua “política de estado responsável”, enquanto candidatos de partidos não alinhados só recebem apoio se não “roubarem votos” dela. No entanto, isso não eleva em nada a consciência de classe ou a confiança dos trabalhadores e, objetivamente, encoraja o voto nos inimigos de nossa classe. Se Clinton ganhar, essas pessoas serão desacreditadas juntamente com ela. Se Clinton perder, serão desacreditadas por terem falhado em derrotar Trump com sua “estratégia”.

E não nos esqueçamos do Colégio Eleitoral. Apesar de toda a ladainha sobre democracia e o desejo da maioria, nem um único americano votou para presidente neste 8 de novembro. O Colégio Eleitoral é uma das muitas válvulas de segurança acopladas à Constituição Americana para garantir que as massas não tomem as rédeas de fato da democracia. Ele foi passando para os distritos rurais mais conservadores e significa que os eleitores na verdade elegem “delegados” que não são legalmente obrigados a votar no candidato mais votado em seu distrito eleitoral. Lembre-se: é democracia para a burguesia, não para a classe trabalhadora.

Um outro partido?

Nós não devemos ter qualquer ilusão  na democracia burguesa ou nos partidos da classe dominante. O fato é que não há opções viváveis para a classe trabalhadora nestas eleições. Os liberais podem ser superficialmente atraentes, mas na prática são profundamente contrários à classe trabalhadora. Apesar da honestidade de seus apoiadores, Jill Stein e Green por uma série de motivos foram incapazes de se aproveitar seriamente da energia deixada por Sanders. Quer tenha desperdiçado uma oportunidade histórica, quer tenha apenas cumprido o papel que pretendia desde o início, Sanders mostrou o gigantesco potencial para uma expressão genuinamente de massas da classe trabalhadora. A ascensão de Sanders mostrou como é realmente um movimento de massas – a mobilização de milhões de jovens e trabalhadores abertamente interessados no socialismo. Mas sem uma alternativa real, milhões de jovens vão se abster das eleições deste ano ou realizar um voto de protesto, a despeito da histeria que se tem instalado ao redor de Trump.

A ascensão de um partido de massas da classe trabalhadora, seja qual for a forma que tome no início, vai virar o cenário de ponta-cabeça. Milhões abandonarão de uma vez tanto democratas quanto republicanos. Devido à peculiaridade da história e da dinâmica política deste país, haverá muita confusão e diversas questões contraditórias em um partido como esse. No entanto, com o tempo as questões de classe fundamentais virão à tona e uma ala esquerda revolucionária se cristalizará ao lado de uma ala direita reformista. Os marxistas estarão envolvidos de corpo e alma desde o começo, lutando pelo socialismo revolucionário, pelo pleno emprego, por saúde pública, educação e pela nacionalização das 500 maiores empresas sob controle operário.

Na ausência de um partido como esse, nós encorajamos nossos membros e apoiadores a votarem por qualquer candidato à esquerda dos democratas que eles prefiram, com o entendimento de que votos de protesto representam apenas um protesto. Embora possam servir como um termômetro político interessante em dados momentos, nós não estamos interessados em apoiar partidos não alinhados. O partido majoritário da classe trabalhadora merece ser a primeira opção de partido e é por isso que nós lutamos. Somente um partido socialista de massas pode derrotar os partidos dos patrões nas urnas. Somente um programa socialista revolucionário pode acabar com o sistema de uma vez por todas.

Em resumo, nestas eleições nós estamos ao lado da classe trabalhadora como sempre estivemos. Nós estamos testemunhando o sistema se esfacelando, mas até que haja uma força social e política organizada para superá-lo, a crise pode se estender por anos e até décadas. Não há atalhos e o caminho para o poder político e econômico não será fácil, mas nós estamos mais confiantes do que nunca no poder dos trabalhadores.

A casse dominante está dividida e incerta sobre como manter seu domínio diante da tempestade econômica que se aproxima. As últimas revelações do FBI indicam que o aparato de estado em si, que em teoria deveria se manter politicamente imparcial e apenas manter e reforçar o funcionamento do sistema, também está profundamente dividido, inserindo-se no processo eleitora de maneira sem precedentes.

Lutar por um futuro socialista!

Longe de abaixar a poeira, as eleições desestabilizaram a situação ainda mais. Quer estejamos prontos ou não, movimentos de massas em escalas jamais vistas estão no horizonte. A vida ensina e os acontecimentos dos próximos anos serão uma rota acelerada na crise do capitalismo em todos os níveis. Ao mesmo tempo em que acompanhamos as reviravoltas das eleições, nós não podemos ser distraídos pelo circo da política burguesa. Não há espaço para desmotivar ou cair na rotina. Ao contrário, nós devemos estar cheios de um otimismo revolucionário ardente ao mesmo tempo em que mantemos nossos olhos abertos para o que realmente importa: a construção de uma organização com quadros capazes de treinar e educar os batalhões revolucionários do futuro.

Um após o outro, os principais pilares do domínio burguês estão sendo derrubados. O sistema está andando na corda bamba, mas no momento não há qualquer força na sociedade capaz de empurrá-lo de vez. De acordo com o sociólogo alemão Wolfgang Streeck, “o capitalismo irá permanecer no limbo no futuro próximo, morto ou quase morto devido a uma overdose de si mesmo, mas ainda muito presente, uma vez que ninguém terá o poder de tirar do caminho seu corpo decrépito”.

A tarefa histórica da Corrente Marxista Internacional é ajudar a classe trabalhadora a mover o “corpo decrépito” do capitalismo para fora do caminho. Para isso precisamos crescer tanto em quantidade quanto em qualidade. Junte-se a nós e ajude a humanidade a seguir adiante.

Artigo publicado originalmente em 4 de novembro de 2016, no site da seção norte-americana da Corrente Marxista Internacional (CMI), sob o título “US Election 2016: On the Eve of Armageddon“.

TRADUÇÃO DE FELIPE LIBÓRIO.