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Argentina: Um ano sem Santiago, sem verdade e sem justiça

Em 1º de agosto temos o primeiro aniversário do desaparecimento forçado e morte de Santiago Maldonado, pelas mãos da Gendarmería[1], enquanto se manifestava em apoio às justas reivindicações do povo mapuche[2]. A Gendarmería o reprimiu selvagemente, com balas de borracha e de chumbo. Seu cadáver foi encontrado recentemente em 17 de outubro de 2017, no rio Chubut, em um local vasculhado anteriormente.

Este acontecimento desprezível foi o começo do que, posteriormente, ficou conhecido como a Doutrina Chocovar, em um inegável salto de qualidade na política repressiva do governo nacional aos lutadores sociais. Somam-se à prisão de Milagro Salas, o assassinato de Rafael Nahuel, em novembro de 2017, as infames campanhas nos meios de comunicação e redes sociais inventando movimentos violentos inexistentes como a RAM (o bisco de Bariloche negou sua existência), entre outros.

Diferentemente do massacre da ponte Avellaneda, em 26 de outubro de 2002, que termina com as mortes de Kosteki e Santillán, e onde são condenados à prisão perpétua Fanchiotti e Acosta (ainda que em seguida Fanchiotti passaria para o regime semiaberto), agora o governo premia a Echazú, um dos repressores responsáveis, com uma elevação de patente.

O precedente é sinistramente lógico e previsível. Este governo sabe que os ajustes brutais com a finalidade de transferir imensas riquezas aos setores concentrados e transnacionais, com seu consequente impacto na saúde, educação, precarização social e laboral só é possível em um contexto fortemente repressivo, com o arrocho aos lutadores sociais e sindicalistas, divisão do campo operário e popular, direitização da classe média e uma militarização progressiva da sociedade. Prova deste último é a intenção do governo de revogar a proibição das forças armadas intervirem na segurança interna, mediante um Decreto de Necessidade de Urgência sem passar nem pelo Congresso Nacional.

A resposta do campo operário e popular deve, imperiosamente, avançar na unidade dos movimentos sociais, partidos com claras palavras de ordem de luta, sindicatos, estudantes e organizações de bairro e populares, tendo clareza que a solução definitiva a estas calamidades é o Socialismo, com o poder nas mãos do povo trabalhador. As palavras de ordem devem incluir:

Justiça e condenação aos responsáveis pelas mortes de Santiago Maldonado e Rafael Nahuel!

Pelas liberdades democráticas, não à judicialização de protestos! Encerramento de processos judiciais e liberação de todos os lutadores populares acusados ou presos! Liberdade a Milagro Sala, Pablo Giusto e Diego Parodi, encerramento do processo contra Sebastián Romero, Dimas Ponce e César Arakaki!

Fora Patricia Bullrich!

Não ao acordo com o FMI. Não aos ajustes e demissões!

Não à intervenção das forças armadas na segurança interna!

Não à Lei de Calamidade Laboral!

Pela unidade e mobilização popular!

[1] Organização militar nacional argentina que cumpre funções de polícia em cidades menores (Nota do Tradutor – N.T.).

[2] Para saber mais, leia: Argentina: levaram-no vivo, vivo o queremos! Onde está Santiago Maldonado?; Santiago Maldonado: que apareça com vida já!; Santiago Maldonado: Sequestro na Argentina – o Estado é responsável!; Quem é Santiago Maldonado e por que o Estado argentino o sequestrou?; e O Corpo de Santiago fala, e em seu silêncio ensurdecedor clama por justiça e pelas liberdades democráticas (N.T.).

Artigo publicado na página El Militante, da seção argentina da Corrente Marxista Internacional Corriente Socialista Militante, sob o título “Un año sin Santiago, sin verdad y sin justicia: El Estado es responsable”, publicado em 26 de julho de 2018.

Tradução de Nathan Belcavello

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