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Foto: Instagram/marielle_franco

AJD exige uma investigação independente nas mortes de Marielle e Anderson

“Fico manso, amanso a dor
Holiday é um dia de paz
Solto o ódio, mato o amor
Holiday eu já não penso mais”
Estácio Holly Estácio, de Luiz Melodia

Marielle e Anderson morreram no Estácio. Duas pessoas que não foram mortes à toa. Não existem mortes à toa. Foram mortes de ódio. No caso de Marielle, ódio a uma mulher negra, jovem e oriunda da Favela da Maré, que sobreviveu à miséria e à violência. Sobreviveu à sabotagem estatal à educação e à saúde, e conseguiu ser eleita vereadora no Rio de Janeiro.

Não “mais uma vereadora”, numa casa legislativa onde muitos são sanguessugas da miséria, exploradores do medo, vendedores de uma vida melhor após a morte. Uma mulher que, no pequeno espaço do que resta de democracia, colocou sua vida a serviço dos seus, enfrentando as incontáveis violências que a população negra e favelada sofre todos os dias.

Marielle e Anderson não foram vítimas do delírio fascista chamado “falta de segurança pública”. Foram vítimas do aparelho estatal que não admite mudar, que não admite ser criticado, causador em primeiro e último grau de toda essa violência que ele, ao fingir combater, multiplica e retroalimenta.

Vítima também é a ideia de comunidade com sua vida em rede e seus laços de solidariedade.

A intervenção militar, um ato de força e ignorância, não deteve as nove balas que mataram Marielle e Anderson. Nunca deterá. Não se combate violência com mais violência.

As mortes de Marielle e Anderson foram, repita-se, mortes de ódio, ódio à democracia. A falsa democracia brasileira permite que uma pessoa como Marielle seja eleita, mas não que exista e muito menos que resista.

Pela real possibilidade de participação de agentes estatais no extermínio de Marielle e Anderson, e suas famílias e amigos: a AJD, Associação Juízes para a Democracia, exige uma investigação independente. Propõe ainda uma discussão democrática e radical de alterações na sangrenta “política de segurança pública” conduzida pelo Estado antidemocrático e violador dos direitos humanos.

Nossa proposta marca nosso repúdio ao recado dado por aqueles que odeiam a democracia e semeiam a violência em todas as partes.

São Paulo/Rio de Janeiro, 15 de março de 2018.

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