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A quem interessa o ataque do governo Bolsonaro ao conhecimento e à filosofia em especial?

Na manhã desta sexta-feira (26), Bolsonaro, decretou pelo Twitter o fim dos investimentos federais nas faculdades de Filosofia e Sociologia. Este é só um elemento a mais na necessidade eminente de pormos este governo e o capitalismo abaixo. Mas por que Bolsonaro se lança em uma cruzada contra a filosofia erguendo tochas e candelabros?

A Filosofia, desde tempos imemoriais, foi a ciência genitora de todas as outras. Foi dela que as demais ciências jorraram na era clássica, na Jônia. Ela serviu de alicerce e aporte teórico para que de seu complexo basilar se edificassem: a astronomia com Tales de Mileto, a física com Empédocles, a matemática com Pitágoras, a biologia com Aristóteles, a geologia com Anaximandro, a política com Sócrates e as faculdades atreladas à moral e cívica (resolutas na ética) com Platão em sua “A República”.

Desde muito cedo, o pensamento crítico resoluto na maiêutica socrática, método dialético pautado por debates na ágora que tinham por meta a aproximação da verdade e o parto de ideias, irritou as oligarquias e classes dominantes da pólis (da cidade), as quais desejavam mercantilizar o saber e substituí-lo pelo o que ficou conhecido como “saber sofístico”, que ganhava certa popularidade dentre a aristocracia ateniense uma vez que não se ocupava de “desvelar o cosmos pela faculdade do logos e da epistemologia”, mas pelo contrário; o sofisma tratava de lançar “giros-linguísticos”, “parábolas confusas” e argumentos de ad hominem pautados pela erística, que exortavam somente a retórica e os feitos heroicos, ao invés de parir ideias como o método dialético socrático propunha.

Por Sócrates ter se posicionado contra os sofistas, por ter denunciado a bulé (parlamento) como um antro infestado de comediantes, tanoeiros, celebridades que não estavam aptas a exercer a politeia e que fomentavam a vida injusta (hýbris) ao invés do exercício do “governo dos justos” (sofrósina), utilizando-se de seu método dialético conhecido como “Elenchus”, Socrates foi condenado à morte no ano de 399 a.C por ingestão de cicuta. Foi também acusado de “corromper a juventude com ideias de impiedade” , de “incitar o ateísmo” e de (contraditoriamente à segunda acusação) “introduzir um novo culto na pólis”.

Nos dias de hoje, os gestores do Estado burguês continuam a nutrir o asco, desprezo e temor ao conhecimento, uma vez que a filosofia tenha a capacidade – quando comprometida com os jovens e trabalhadores – de desvelar as causalidades da miséria, as raízes da exploração e os motores da alienação por intermédio do materialismo histórico e dialético o qual coloca as classes exploradas em movimento. Bolsonaro e seus ministros abjetos representam aquilo que seu guru místico expõe em sua práxis-política: um movimento anti-ciência, anti-conhecimento. São inúmeras as declarações de Olavo de Carvalho anti-vacina, contra o heliocentrismo e, pasmem, contra a própria gravidade! Olavo é “o espírito filosófico da lumpemburguesia” é uma espécie de rufião-embusteiro e apodrecido alçado pelo senso comum à condição de “filósofo”, representa não somente a decadência ideológica da burguesia: seu caráter anti-ilustrado e reacionário (no Brasil) mas é a explicitação do sofisma, da “pós-verdade” e do misticismo os quais norteiam as velas tresloucadas da nau capitaneada pelo governo lumpemburguês.

A “descentralização” do investimento no ensino superior em filosofia e em humanidades é a mais pura e explícita mentira. Bolsonaro não só quer acabar com a filosofia, mas também com todas as ciências, com toda a educação pública, ao passo que lança contra os pobres um programa de privatizações dos serviços mais essenciais inerente à paideia (ao parto) de uma forma de homem barbarizado, despido dos facultamentos científicos, artísticos, éticos, espirituais e gnoseológicos; depauperado física & espiritualmente, despolitizado e incapaz de se organizar politicamente, de combater a exploração de classes e a destruição da seguridade mínima lançados por terra a toque de caixa por Bolsonaro e por seu bando de ministros marginais, eis o objetivo central das medidas desta natureza.

Bolsonaro não cultua as artes, as letras e muito menos as ciências, tão pouco Weintraub e seu guru cartomante. Isso é algo muito evidente, mas para que nos façamos entender, lançamos mão da seguinte metáfora oriunda da mitologia clássica, para caracterizá-los: Bolsonaro é como Equídna que na tragédia grega pariu uma geração de aberrações e de bestas vomitadoras de ácido, das quais Hércules tratou de dar fim em seus “doze trabalhos”. E como Hércules é o proletário em armas enquanto classe revolucionária, o agente histórico que precisa liquidar as quimeras que jorram aos mil de seu ventre conspurco, como o filho de Zeus o fizera com Ortos, com a gila multi-céfala (Hidra) a qual arrancou as cabeças cauterizando as decapitações para que não nascessem mais outras, como domou a besta tricéfala de Hades ( o Cérberus) e como fez da maldita fera de Neméia um corselete (arrancando o seu couro).

Fora Bolsonaro!

* Felipe Lustosa é professor de história e filosofia e militante da Esquerda Marxista

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