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A matança de pobres e negros continua

Enquanto a indignação e a revolta pelos assassinatos de Marielle e de Anderson ocorridos na quinta feira (15/3) se expressavam de diversas maneiras no Brasil e no mundo, o Estado e seu aparato policial repressivo se mantinham impermeáveis a essas manifestações contrárias ao terrorismo de Estado, e continuavam a praticar seu modus operandi, o que levou na sexta-feira a mais três mortes no Complexo do Alemão.

Em operação ocorrida no Morro do Alemão, no dia 16 de março, em uma suposta troca de tiros entre a PM e bandidos, três pessoas foram mortas por balas “não perdidas”. A troca de tiros se deu num momento onde havia muitas pessoas nas ruas. Perderam a vida Lucia 58 anos, José Roberto 58 anos e Benjamin 2 anos. Todas vítimas negras.

Há anos as favelas do Rio de Janeiro e sua população composta majoritariamente por negros e negras são alvos de operações policiais onde toda sorte de violência é praticada. Invasões de residências, espancamentos, assassinatos, torturas são praticadas cotidianamente pelas forças policiais do Estado, que são parte integrante do crime organizado.

Todo esse aparato repressivo se coloca a serviço da manutenção dos interesses e dos privilégios da classe dominante deste país. A classe trabalhadora, os pobres, os negros são os inimigos do Estado que representa os interesses do capital, e que também se utiliza do racismo para aumentar a exploração.

Esses episódios e outros mostram de maneira nua e crua que não existem as mínimas possibilidades de inclusão social, igualdade racial, num regime que se sustenta na exploração sem limites da classe trabalhadora, cuja maioria é composta de negros e negras. O que estamos vendo é a barbárie. Os que dizem ser possível melhorar e humanizar a exploração por dentro desta ordem não passam de embusteiros de má fé, e precisam ser duramente combatidos.

A intervenção militar no Rio de Janeiro não resolverá nenhum desses problemas, só transformará a vida dos moradores das favelas e dos bairros pobres em um verdadeiro inferno. A intervenção militar serve apenas para dar uma satisfação às camadas médias reacionárias da sociedade, e é a expressão da burguesia tentando encontrar uma solução para o caos usando a repressão para abafar os problemas sociais.

Só a classe trabalhadora organizada pode dar um fim à violência, ao terrorismo de Estado, ao sistema capitalista, à exploração e ao racismo. Essa é a tarefa que as direções das organizações que a classe construiu deveriam estar fazendo, e não se perdendo nos tapetes azulados da institucionalidade dos palácios da burguesia.

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