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A Grã-Bretanha e a Europa

No final do século 19 e inicio do século 20, a Grã-Bretanha dominava os mares do mundo e tinha colônias por toda a Terra. Dominava por volta de 25% das terras e da população mundial. A 1ª Guerra Mundial (1914-1918) levou ao declínio do império. Ao fim da 2ª Guerra Mundial (1939-45), pouco sobrava do orgulhoso império “aonde o sol nunca se punha” e a maioria absoluta das colônias se tornou independente. 

Para se ter uma ideia do que isso representava, a Inglaterra, antes da 1ª Guerra, tinha o dobro dos navios que o restante dos países imperialistas. Ao final dela, isso já não era verdade. E ao final da 2ª Guerra, os EUA dominavam o mundo de maneira inconteste. 

Isso se expressa na desvalorização de sua moeda, a libra esterlina. Uma libra compra em média 2,8 dólares até 1967, desce então para uma média de 2,4 dólares até 1980 e vem descendo continuamente até o valor de hoje, em que uma libra compra de 1,2 dólares. Desde a criação do Euro, a libra esterlina vai de seu valor máximo de 1,75 libras por um euro até agora, em que vale 1,02 libras por um euro. 

Produção e capital financeiro

Para entender melhor, em 1970, 25% da produção britânica era produção industrial. Hoje, é menos de 10% o valor da indústria no total do PIB, sendo que o setor “de serviços” gera 80% do PIB. O emprego industrial era de 7 milhões de pessoas nesta década e hoje atinge um máximo de 2,7 milhões. Mais ainda: o maior setor é aeroespacial, o segundo ou terceiro do mundo, sendo que a Grã-Bretanha tem uma empresa que é a segunda mais contratada do mundo no setor de defesa (BAE System). 

A agricultura, que já proveu na década de 1970, 65% das necessidades alimentares, hoje atinge no máximo 50% destas (é um dos maiores problemas para o Brexit, apavorando todo um setor da burguesia). 

A City londrina, o centro financeiro de Londres, é um dos três maiores do mundo, junto com Nova York e Tóquio. Quatro dos seis maiores escritórios de advocacia do mundo estão situados em Londres, assim como representações ou sedes de mais de 500 bancos!

Grã-Bretanha e o movimento pela independência

Além disso, na Inglaterra, Londres concentra a renda. O PIB/habitante londrino é de 40 mil libras por habitante, enquanto no interior varia de 17 mil libras a 25 mil libras. Essa situação é decorrente da destruição da indústria britânica e do encolhimento do seu setor agropecuário em detrimento da atividade parasitária de serviços (financeiros principalmente), que são o recebimento de “rendas” dos investimentos feitos em outros países. Em outras palavras, a burguesia inglesa vive dos “rendimentos” obtidos da exportação de capitais e a maioria da população vegeta numa miséria cada vez mais crescente. É esse o ambiente que levou a que a maioria, principalmente no interior do país, votasse pela saída da União Europeia.

A Escócia e a renovação do Partido Trabalhista

O plebiscito pela independência da Escócia aconteceu em 2014. A maioria do Partido Trabalhista se juntou ao Partido Conservador contra a independência da Escócia. E os trabalhistas perderam praticamente todos os postos que conquistavam no parlamento pela Escócia, sendo derrotados pelo novo Partido Nacionalista Escocês. Marx já explicava, no século 19, que os operários ingleses só seriam livres quando defendessem a independência da Irlanda. Os marxistas defenderam a independência da Escócia. 

E a direção do Partido Trabalhista, que foi moldada durante dezenas de anos de conciliação de classes, foi derrotada por um deputado considerado “esquerdista”, Jeremy Corbyn, que mobilizou a juventude falando em reverter as políticas de privatização e destruição dos direitos trabalhistas aplicadas desde o governo Thatcher.

Os marxistas votaram e fizeram campanha por Corbyn como líder do partido, mas conservando sua independência. 

Na crise atual, em que o Partido Conservador começa a saltar em pedaços, vários setores da burguesia cogitam em apoiar os trabalhistas como o novo governo, ao invés dos arroubos de Boris Johnson que está destruindo seu próprio partido.  Afinal o Brexit (a separação da União Européia) não é tão simples. Envolve saber como ficará a economia inglesa e suas relações com a Europa e o resto do mundo.

Ao fazer as negociações, Teresa May não conseguiu satisfazer toda a burguesia e isto se mostrou quando ela perdeu votação atrás de votação, tentando aprovar um acordo que não era do agrado da maioria. Ela foi apeada da liderança dos conservadores e Boris Johnson assumiu, querendo separar-se da Europa sem acordo. E, novamente, também perdeu a votação. Ele então suspendeu por cinco semanas o Parlamento, com o “acordo” da Rainha (o que mostra que a “Realeza” britânica não é tão inofensiva quando querem fazer crer). Isto abre uma nova crise, um deputado sai dos conservadores e destrói a maioria ínfima que Boris tinha no parlamento e ele expulsa todos que votaram contra sua proposta. Assim, os conservadores se decompõe e um setor da burguesia cogita chegar a um acordo com Corbyn. Ele não pode ceder tão depressa, pois perderia todo o apoio das massas que conquistou no último período. Mas as apostas estão feitas. 

Os marxistas, organizados no grupo Socialist Appeal, lutam por um governo trabalhista que rume para o socialismo. Este é o caminho que apontamos como o mais rápido para resolver a crise atual em benefício dos trabalhadores e dos jovens. 

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