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8 de Março: Lute contra a opressão às mulheres, lute contra o capitalismo! Declaração da Corrente Marxista Internacional

A seguir está a declaração da Corrente Marxista Internacional (CMI) que será lançada em todo o mundo no Dia Internacional da Mulher (8 de março). Nós explicamos por que a luta pela libertação feminina deve ser também a luta pelo socialismo!

Por todo o mundo a opressão contra as mulheres está em discussão. Hoje, Dia Internacional da Mulher, uma greve foi convocada em diversos países e em muitos outros haverá manifestações, marchas e reuniões acontecendo. Nos últimos anos nós temos visto movimentos massivos pelos direitos das mulheres, como, por exemplo, quando Trump tomou posse. Também na Polônia, contra leis de aborto mais rigorosas, o movimento de oposição à violência contra as mulheres na Argentina e no México, entre outros. Também vimos derrotas das ideias reacionárias da Igreja Católica na Irlanda sobre a questão do casamento homoafetivo. Estes são sinais da radicalização geral da sociedade. Trabalhadores, e especialmente a juventude, estão começando a se mover para mudar suas vidas e atuar contra qualquer forma de opressão ou discriminação.

Marcha das mulheres contra Donald Trump. Foto: Flickr, Fibonacci Blue.

A crise do capitalismo teve sérios efeitos nas condições de vida das mulheres. Em todos os países, mulheres carregaram os cortes sistemáticos de diversos serviços sociais, tais como auxílio-creche, asilos e assim por diante, aumentando assim o peso sobre suas costas, que tradicionalmente carregam a responsabilidade de cuidar das crianças, dos idosos e dos mais fracos. Os salários, que já são menores para as mulheres do que para os homens, estão sendo cortados. Também as demissões, os empregos precários e outros exemplos significam a deterioração das condições de vida e o aumento da insegurança dos trabalhadores, o que afeta as trabalhadoras mulheres desproporcionalmente. Isso também dificulta que as mulheres conquistem sua independência financeira e que assim possam abandonar relacionamentos abusivos.

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Os problemas enfrentados pelas mulheres não são “apenas” de caráter material. A opressão está impregnada no sistema judicial, onde mulheres lidam com leis antiaborto discriminatórias e onde, de maneira geral, mulheres e outros grupos oprimidos não são tratados como iguais.

A opressão contra as mulheres é reforçada pela classe dominante através da ideologia, da mídia de massa, do sistema educacional e assim por diante.

Há também a questão da violência e do assédio sexual contra as mulheres. No Paquistão, garotas são estupradas e mulheres assassinadas em homicídios de honra (homicídios executados pelos próprios membros da família). Nos EUA, uma a cada seis mulheres irão sofrer um estupro ou uma tentativa de estupro durante sua vida, enquanto 99% dos estupradores não serão punidos.

Estes são os problemas que as mulheres estão lidando e lutando contra. Por todo o mundo, mulheres – e também homens – foram às ruas para lutar contra a opressão, a intolerância e o sexismo. Isso é muito bom e reflete o despertar e a radicalização. Mas uma questão também surge: qual a melhor maneira de lutar contra a opressão e a desigualdade?

A Corrente Internacional Marxista apoia todas as buscas por igualdade. Nós lutamos contra a opressão às mulheres e outros grupos perseguidos. Para nós, a luta pela libertação das mulheres, no entanto, não pode ser separada da luta contra o capitalismo, pois a opressão é uma parte inerente da sociedade de classes e, portanto, só pode ser combatida como uma parte da luta de classes geral.

Foi a Internacional Socialista (Segunda Internacional) que declarou o dia 8 de março como Dia Internacional das Mulheres em 1910, um dia para as exigências das mulheres trabalhadoras. Naquela época, uma das principais lutas era pelo direito das mulheres ao voto. As mulheres das classes superiores e da pequena burguesia, que lideravam o movimento das mulheres na época, viam a luta pelo direito das mulheres ao voto como uma luta única, enquanto o movimento dos trabalhadores a viram como uma oportunidade de lutar pela igualdade e emancipação para todas as mulheres. É por isso que os fundadores do Dia da Mulher fizeram questão de enfatizar que era na verdade Dia das Mulheres Trabalhadoras.

Sufrágio feminino nos EUA. Imagem: Biblioteca da Cornell University.

Para as mulheres das classes dominantes, lutar pela igualdade era o mesmo que lutar para ter os mesmos privilégios dos homens das suas classes: ter o direito de serem advogadas, médicas, primeiras-ministras e executivas de empresas. É claro que defendemos o direito das mulheres poderem ser tudo isso, mas ao mesmo tempo sabemos que para a grande maioria das mulheres essas realizações pessoais não mudam as coisas. Tatcher na Grã-Bretanha e Angela Merkel na Alemanha não tornaram as coisas melhores para as mulheres – muito pelo contrário. Assim como se Hillary Clinton tivesse se tornado presidente dos EUA, esse fato não teria mudado para melhor a situação das mulheres no país, nem a situação das mulheres nos países sujeitos à intervenção imperialista dos EUA.

As carreiras das mulheres políticas, executivas e acadêmicas são baseadas no trabalho mal remunerado das mulheres que limpam, cozinham e cuidam de seus filhos por elas. As mulheres na elite da sociedade apoiam a igualdade até começarmos a exigir um aumento no salário e melhoria de trabalho para as mulheres trabalhadoras que fizeram que as suas carreiras fossem possíveis.

Muito progresso foi feito desde o primeiro Dia das Mulheres em 1910. Em muitos países mulheres ganharam o direito ao voto, à educação, uma legislação que proíbe a violência contra as mulheres, e muitos países também têm leis para salários iguais entre gêneros. E ainda assim não nos é dada a verdadeira igualdade. Mesmo em países com total igualdade perante a lei, ainda há violência e opressão e as mulheres continuam a ter salários significativamente mais baixos que os dos homens em todos os países. Igualdade formal não alcança a raiz do problema e tampouco vai resolvê-lo. A opressão tem sua raiz na sociedade de classes, assim como o abuso, a violência, o sexismo e a intolerância.

As trabalhadoras têxteis de Petrogrado iniciaram a Revolução de Fevereiro. Foto: domínio público.

O capitalismo é um sistema baseado na exploração da classe trabalhadora. Uma pequena camada no topo da sociedade enriquece através do trabalho não pago dos trabalhadores. A única maneira de se manter no poder é através da política de dividir para conquistar: eles dividem os trabalhadores de acordo com sua nacionalidade, religião, orientação sexual, gênero e o que mais conseguirem. Por meio da mídia eles fazem o que podem para semear ódio e chauvinismo. O único meio de combate é a união da classe trabalhadora e os métodos de luta da classe trabalhadora, ou seja, protestos, greves e mobilizações em massa.

O capitalismo está em um beco sem saída. Ele não oferece um caminho a ser seguido pelos trabalhadores e a juventude. Hoje, metade da riqueza do mundo está concentrada na mão de oito pessoas. O problema não é que todos estes oito super-ricos sejam homens – o problema é o sistema que concentra a riqueza nas mãos de cada vez menos pessoas enquanto a vida da maioria só piora.

O impasse na sociedade está gerando ódio e frustração generalizados. Em um país atrás do outro nós vemos trabalhadores e jovens tomando as ruas. Mas esses protestos assumiram um caráter diferente dos do passado. Durante o cenário pós-guerra o sistema podia conceder reformas. Hoje, reformas positivas dentro da sociedade capitalista estão fora de cogitação.

Essa ideia está começando a ganhar corpo entre a população, não de maneira clara e bem formulada, mas como um sentimento geral de incapacidade de viver dentro dos limites da sociedade existente. Os protestos não somente fazem exigências acerca de problemas concretos, mas também tratam do direito à dignidade e ao respeito – como vimos na Primavera Árabe, onde as mulheres desempenharam um importante papel na luta para a derrubada de Mubarak, e naquela luta também alteraram a relação entre homens e mulheres.

Cartaz de 1924, de autoria de Alexander Rodchenko, promovendo a alfabetização feminina. Imagem: domínio público.

Com certeza é um sinal de mudança quando as camadas mais oprimidas, como as mulheres, começam a se mover e chegam à liderança da luta. A crise capitalista destrói a antiga estabilidade e com isso a sociedade também está sendo degradada. A classe dominante, desesperada para se segurar ao poder, depende cada vez mais do sexismo, do racismo e de outras formas de divisão venenosa. Mas o capitalismo não irá desaparecer sozinho. Ele tem que ser derrubado através de uma revolução socialista.

Uma revolução socialista que introduza uma economia democraticamente planejada que lance as bases materiais para o fim da desigualdade e da opressão. Em uma economia planificada, a riqueza produzida iria para o benefício da maioria, e não da minoria. O horário de trabalho seria imediatamente diminuído, dando tempo para todos tomarem parte na direção da sociedade. Os recursos necessários seriam alocados para o bem-estar social, e pesquisas e fundos seriam dedicados a remover a carga do trabalho doméstico, como, por exemplo, provendo asilos, saúde, educação, alimentação comum de alta qualidade e barata, limpeza, serviços etc.

A luta pelos direitos das mulheres é uma luta pela revolução socialista! Foto: autoria própria.

Isso lançaria a base material para mulheres e homens serem verdadeiramente livres para buscar seus potenciais como seres humanos, sem nenhuma limitação material. Quando a base material para a desigualdade e a opressão for removida, a base do chauvinismo, do sexismo e de todas as formas de intolerância começará a se desmanchar e poderá finalmente ter seu fim.

A luta pelos direitos das mulheres, a luta pela igualdade, é uma luta pela libertação de toda a humanidade: a luta pela revolução socialista!

Tradução Jéssica Stolfi

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