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24 e 25 de agosto: o prenuncio da primavera do Chile

Wanderci Bueno

Durante a greve geral a repressão foi violenta em Santiago

Todos nós gostaríamos que a educação, a saúde e tantas outras coisas fossem de graça para todos, porém, afinal das contas, nada é grátis na vida.” Frase proferida por Sebastián Piñera, presidente da república do Chile.
Descarto a participação dos militares. Por isso, no momento, descartamos a possibilidade de uma investigação interna para apurar essa especulação“, afirmou Sergio Gajardo, general, chefe militar das tropas chilenas que assassinaram um jovem de 16 anos em Santiago durante a greve geral realizada nos dias 24 e 25 de agosto.

Escutamos três disparos que partiam dos furgões dos militares. Mas nós sequer participávamos das manifestações“, declarou Giusseppe Ramírez Atan, amigo de Manuel Gutiérrez Reinoso, o jovem de 16 anos que foi assassinado nas ruas de Santiago.

Durante a greve geral realizada no Chile foram presas 1394 pessoas. Várias batalhas entre jovens e a repressão ocorreram nas ruas da grande região metropolitana de Santiago.

Ainda não temos os números da greve geral. Quantas fábricas, quantas minas pararam e nem se ocorreram enfrentamentos entre trabalhadores e as tropas militares nas regiões industriais e nas minas.

Repressão dos carabineiros: estilo Pinochet

O assassinato bárbaro de Manuel Gutiérrez, a hipocrisia do governo diante do criminoso assassinato de Manuel, as ações das tropas no melhor estilo dos carabineiros assassinos, herança da época da ditadura, demonstram que o governo direitista de Piñera está podre e é um simulacro macabro do antigo regime do odiado Pinochet.

No Chile, durante a ditadura militar e nos governos que a sucederam, tudo, absolutamente tudo foi privatizado. Educação, saúde, previdência, transporte, mineração, etc. Agora os trabalhadores e a juventude voltam à cena política e cobram com juros tudo que lhes foi arrancado pela burguesia.

O assassinato de Manuel Gutiérrez pode levar o movimento dos trabalhadores e da juventude a dar um salto adiante. Mas para tanto os comunistas e socialistas, não podem continuar vacilando.


Segundo Arturo Martínez, dirigente da CUT, o protesto ” é a resposta do povo do Chile àqueles que negam seus direitos, aos que não querem conversar. Agora é a hora de conversarmos de verdade, caso contrário, isso vai continuar“. Os trabalhadores e os estudantes, a juventude, as donas de casa e aposentados não têm nada para conversar com Piñera. A CUT deve lutar para por abaixo esse governo para por fim à repressão.

As barricadas erguidas pelos jovens foram desmanteladas
É necessário que se realizem nas escolas, nas fábricas, nas minas, verdadeiras assembléias de massa para eleger delegados para preparar uma greve geral por tempo indeterminado para por abaixo o governo de Piñera e todas as heranças da ditadura, incluindo o Congresso Nacional, que deve ser substituído por uma Constituinte Soberana livremente eleita pelos trabalhadores, camponeses pobres e pela juventude. A responsabilidade primeira em dar este passo cabe aos socialistas e comunistas, aos sindicatos e centrais sindicais. 
A morte de Manuel Gutiérrez marca o fim da primeira etapa de luta e deve inaugurar o início da grande batalha do Chile que se erguerá na primavera de setembro para abrir caminho à satisfação das reivindicações e começar a dar fim ao regime da propriedade privada dos grandes meios de produção.

Bandeira agitada contra os carabineiros de Piñera

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