Imagem: Fernando Vivas, GovBA

Chuvas, inundações e as férias do presidente

No mês de dezembro de 2021 a Bahia passou por três fortes períodos de chuvas, o maior acumulado de chuvas desde 1989 no estado: dias 1 a 4, dias 7 a 12 e, por último, dias 23 a 27.  Em dezembro do ano que passou e começo de janeiro deste ano as chuvas também atingiram outros estados das regiões Nordeste, Sudeste e Centro Oeste. Chuvas fortes com enxurradas que aumentaram o fluxo dos rios, causando inundações que deixaram cidades inteiras debaixo d’água.

Nenhum verão é igual a outro. As chuvas desta estação na região são influenciadas por dois fenômenos atmosférico-oceânicos conhecidos como La Niña e a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e as dinâmicas desses fenômenos mudam de ano a ano.

Trata-se de algo inevitável? Sabemos que somente com pesados investimentos em ciência e nas universidades podemos obter respostas mais eficazes e previsões mais confiáveis. Mas a tragédia social com milhares de atingidos e com vítimas fatais poderiam também ser evitadas com investimentos em moradia e infraestrutura.

Os impactos

Na Bahia, desalojados e desabrigados somam 93 mil, 26 vítimas fatais e 518 feridos. Foram 715 mil pessoas atingidas em 154 municípios que estão em situação de emergência (de um total de 417). Em Minas Gerais, os desalojados e desabrigados somam 14 mil, com 6 vítimas fatais em 154 municípios em situação de emergência (de um total de 853). As famílias que não conseguiram retornar para suas casas estão abrigadas em casas de amigos, parentes ou escolas e galpões. Além disso, é preciso considerar os impactos no comércio, na indústria, na produção agrícola e na infraestrutura das cidades que também foi bastante comprometida (como estradas e pontes danificadas).

Imagem: GRAER-PMBA
Um plano emergencial deveria imediatamente realocar os afetados em hotéis, pensões e casas e apartamentos que estão vazios, mas nada concreto foi realizado. As novas moradias deveriam ser construídas fora das áreas de risco de uma nova tragédia, fora das áreas de maior declividade, das áreas mais vulneráveis aos alagamentos dos rios urbanos e áreas de baixada com drenagem insuficiente. Deve-se dar início a uma Reforma Urbana. Para essas medidas, os R$ 700 milhões do Governo Federal, anunciados como “uma grande bolada”, é uma quantia irrisória.

O governo Bolsonaro usa mais de R$ 20 bilhões de “orçamento secreto” e “Fundo Eleitoral” para comprar votos no Congresso, mas nesse momento em que as famílias e as cidades precisam de apoio, sua ajuda é com o “troco da pipoca”. Rui Costa (PT), governador da Bahia, junto as Centrais Sindicais e demais organizações de esquerda, precisam fazer o que se espera da oposição e liderar a mobilização por mais recursos para se avançar com reformas profundas nas áreas atingidas, não só para recursos de alimentação e assistência social imediata. É preciso reconstruir as cidades prevendo que eventos extremos como essas chuvas acontecerão novamente.

Recursos para isso não faltam, que sejam taxadas as grandes fortunas. Que seja expropriado o agronegócio para que possamos controlar o preço dos alimentos. Essas grandes empresas rurais possuem as melhores terras e a produção é sugada para o exterior por causa da alta do dólar, enquanto para os brasileiros a fome aumenta. As terras precisam estar sob controle de quem nela produz e de quem nela trabalha e não servir ao lucro das multinacionais. É nesse momento que devemos levantar bem alto a bandeira do fim do pagamento da Dívida Pública. Ou o orçamento do Estado serve para a assistência das famílias e para reconstruir as cidades de forma segura, ou serve para enriquecer banqueiros.

E o que faz Bolsonaro? Enquanto um milhão passa o Natal e Réveillon retirando lama de suas casas, ele ignora tudo e sai de férias, exibindo seus passeios de Jet Ski. Estamos no segundo ano da pandemia que Bolsonaro tratou como uma “gripezinha” e que já matou 619 mil brasileiros. A verdadeira gripe também deu as caras e estamos vendo hospitais com filas nas calçadas para pessoas serem atendias, mas Bolsonaro conseguiu ser internado muito rápido quando precisou de hospital.

Ignorando os atingidos pelas enchentes, Bolsonaro tirou férias em SC / Image,: Reprodução, Twitter
A solução para que o acesso à moradia, saúde e educação não seja um privilégio de alguns, mas sim um direito de todos, passa hoje pela luta para pôr abaixo o governo Bolsonaro, pelas reivindicações mais urgentes que atendam as necessidades dos atingidos pelas chuvas e pela construção de um partido revolucionário. Um ano novo inicia, mas ainda temos que construir um mundo novo, socialista.

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