Chegou a América Socialista 18

A revista traz artigos que vão da economia às artes e analisa o papel do reformismo

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APRESENTAÇÃO

O lançamento da revista América Socialista 18 surge em um cenário onde a morte de milhões de pessoas na pandemia não permite que o véu “progressista” das direções traidoras se sustente. O papel nefasto que o reformismo tem na luta dos trabalhadores e a necessidade das lições da história estão mais atuais do que nunca.

Nesta edição trazemos um conjunto de artigos que retratam, da economia às artes, as lições que os revolucionários tanto precisam, desde os exemplos a serem seguidos até aqueles a serem repelidos. O papel do reformismo como um entrave para a emancipação dos trabalhadores está muito bem demarcado nesta edição da revista.

Para abrir a edição temos o artigo de Francesco Giliani, da sessão Italiana da CMI. Em 21 de janeiro deste ano, o Partido Comunista da Itália completou 100 anos. Em razão do centenário, nossa seção italiana está desenvolvendo diversas atividades que tratam do nascimento do comunismo naquele país e a influência dos acontecimentos italianos no conjunto do movimento operário internacional. Neste contexto, publicamos a primeira parte de um artigo sobre Antônio Gramsci, personagem político destacado em todo o mundo.

Neste artigo temos a contextualização dos acontecimentos que envolveram Gramsci, seus erros em meio ao surgimento da Oposição de Esquerda; a falsificação da transformação de Gramsci, comunista ligado à vanguarda operária de Turim, em um intelectual palatável e que “transformou” o marxismo em algo ao gosto da intelectualidade, são alguns dos destaques. O papel do stalinismo, que controlou o PCI até 1943, e apontamentos acerca de uma das obras mais conhecidas de Antônio Gramsci, Cadernos do Cárcere, também ganham espaço. O artigo traz uma análise profunda não só de Gramsci, mas de todo contexto do surgimento do comunismo na Itália.

O ano de 2020 foi marcado pelo aumento assustador da violência doméstica, em todo o mundo. A luta pela emancipação da mulher tem sido árdua e a disputa teórica, com todo o tipo de teorias que buscam adaptar a luta das mulheres ao sistema vigente, tem se intensificado. Para contribuir neste debate, trazemos aqui um artigo de fundamental importância sobre a questão do trabalho doméstico. David Rey resgata a história da luta das mulheres trabalhadoras, desmascara os reformistas de todas as estirpes e retoma nossas bandeiras históricas na luta pelo socialismo e, portanto, do desaparecimento de qualquer vestígio de escravidão doméstica e de submissão da mulher ao homem.

Os ataques ao que resta das conquistas da Revolução Cubana estão muito mais intensos do que a imprensa burguesa divulga. Os embargos econômicos, numa pressão gigantesca para pôr fim ao que resta de uma economia planificada e que, mesmo com todas as dificuldades, demonstrou seu significado, por exemplo, na saúde pública, gratuita e para todos. Até o fechamento desta edição Cuba registrou menos de 500 mortos por Covid 19, enquanto o império americano passa de 550 mil mortos. É neste cenário que trazemos dois artigos de Jorge Martin tratando de questões da atualidade da situação de Cuba. O primeiro trata das propostas de reorganização monetária encaminhadas pelo governo cubano e a necessidade de adotar o caminho inverso do que se está propondo. No segundo, Jorge Martin polemiza com José Alejandro Rodrigue, da Juventud Rebelde, que justifica a reorganização monetária proposta pelo governo cubano com argumentos ultraliberais.

Em comemoração aos 150 anos da Comuna de Paris, trazemos nesta edição da AS o clássico da teoria marxista, Lições da Comuna de Paris de Leon Trotsky. O artigo datado do cinquentenário da Comuna, retoma desde o heroísmo das massas operárias de Paris até a falta de um partido, o que inclui a falta de líderes que estivessem à altura dos communardes. Também aborda a tática na ação de tomada do poder, a necessidade de uma estrutura partidária que tivesse se preparado para isso, portanto, em condições de responder às necessidades das massas. Denuncia os líderes covardes que, nas palavras de Trotsky, são de um certo anarquismo mundano. Tira desses acontecimentos lições fundamentais para nossos dias:

“O partido não cria a revolução ao seu gosto, não escolhe conforme lhe convém o momento para tomar o poder, mas intervém ativamente em todas as circunstâncias… Quanto mais profundamente penetrar um partido revolucionário em todas as esferas da luta revolucionária e quanto mais unido estiver em torno de um objetivo através da disciplina, melhor e mais rapidamente pode realizar sua missão.”

Trotsky faz ainda uma brilhante relação entre a Revolução Russa e a Comuna, e chama atenção para o fato de que, aos revolucionários não cabe fazer premonições, mas sim se preparar e analisar os acontecimentos da história de forma atenciosa, dando os passos resolutos em todos os momentos, sejam eles em tempos de aparente paz, sejam de guerra. Sem nenhuma dúvida, uma reflexão à altura de um dos maiores dirigentes da nossa classe que a história já viu. O líder do Exército Vermelho nos presenteia com um texto impecável e de fundamental leitura a todos os revolucionários.

Em seguida, apresentamos aos nossos leitores o artigo “Keynes está morto! Os reformistas não o ressuscitarão” de Antonio Erpice. O artigo retoma o surgimento do keynesianismo na história e como o economista expoente da intelectualidade de Cambridge se tornou a referência no cenário mundial dos anos 30, tornando-se, mais tarde, o “queridinho” inclusive de grande parte da esquerda atual. Antonio explica as manobras econômicas pouco científicas de Keynes, todos os acontecimentos históricos quando aparentemente o keynesianismo deu certo e a total impossibilidade de ressuscitá-lo na atualidade. Apresenta também a fragilidade teórica da economia keynesiana em relação ao marxismo e conclui explicando o papel inútil da burguesia em tentar ressuscitar o keynesianismo e o crime que significa grande parte da esquerda assumir essa política. Finaliza apontando a luta pela teoria e prática do marxismo como a única saída.

O artigo seguinte é o inspirador da capa da AS 18, A revolução gráfica do Maio francês de Daniele Chiavelli. Aos revolucionários amantes da arte esse artigo nos deixa saciados, um texto agradável que traz a história do que se transformou a Escola Nacional Superior de Belas Artes de Paris, durante o maio de 1968. O artigo nos traz a sinestesia de sermos parte daqueles dias, as assembleias, o serviço de ordem, os espaços comunitários de alimentação, a produção coletiva, onde a obra passa, de fato, ser maior que o autor. O texto faz ainda um comparativo entre a influência do movimento na Itália e os limites impostos pelo Partido Comunista daquele país ao desenvolvimento da revolução gráfica italiana.

Para fechar a edição, apresentamos um artigo de Michel G. Silva e Serge Goulart sobre a política de Nahuel Moreno e do PST argentino levada durante a guerra das Malvinas, ocorrida há 39 anos. Este foi um exemplo gritante de incompreensão da luta pela Frente Única e um desvio total do marxismo. Neste artigo se percebe o que não se deve fazer e uma demonstração de que os esquemas, os clichês e a repetição de fórmulas esterilizadas, não servem para a construção da organização revolucionária, nem para ajudar o movimento operário a avançar, e muito menos para se chegar a uma revolução vitoriosa. A análise desta política de apoio à guerra desencadeada pela ditadura militar argentina tem toda a atualidade.

Excelente leitura a todos!

ÍNDICE

  • O mito de Gramsci, “o ocidental”. Hegemonia, guerra de movimento e posição: o que resta de Gramsci no “gramscismo”? – Francesco Giliani
  • O trabalho doméstico é um trabalho “não remunerado”? Como uma premissa teórica falsa conduz a uma posição reacionária na prática – David Rey
  • O que significa o ordenamento monetário em Cuba – Jorge Martin
  • O problema da economia cubana é o “papai Estado” e sua “superproteção igualitarista”? – Jorge Martin
  • Lições da Comuna de Paris – Leon Trotsky (1921)
  • Keynes está morto! Os reformistas não o ressuscitarão – Antonio Erpice
  • A revolução gráfica do Maio Francês de 1968 – Daniele Chiavelli
  • Nahuel Moreno, revisionismo e adaptação na Guerra das Malvinas – Michel Silva e Serge Goulart

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