Foto: Cristiane Sacconi

Carta aberta aos trabalhadores da Educação Municipal de São Paulo

Os profissionais da educação do Município de São Paulo realizaram uma greve que durou mais de 120 dias. Esta luta foi travada contra os ataques do governo Covas/Nunes, que mesmo diante de inúmeras mortes de trabalhadores pela Covid-19 insistiram em manter atendimento presencial nas unidades escolares, com a justificativa de ter estabelecido protocolos de higiene e segurança, que na prática não garantem, de longe, a não contaminação pelo mortal vírus. Todos sabemos, apesar da postura negacionista dos governos Federal, Estadual e Municipal, que a única maneira verdadeiramente segura de se conter o vírus é a vacinação em massa da população, exigência que estava na pauta de luta dos educadores.

Além disto, os trabalhadores apontaram que a prefeitura não entregou os materiais como tablets e internet para todos os estudantes da rede, estando a passos bem lentos deste processo, o que acabou por causar uma exclusão ainda maior dos filhos da classe trabalhadora no processo de aprendizagem durante a pandemia.

Importante pontuar que durante todo o período de greve, apenas no dia 1º de junho que a SME iniciou de fato um diálogo de negociação, se propondo, mediante término da greve, pagar aos grevistas 50% dos seus salários cortados e os outros 50% pagar mediante ao calendário de reposição.  E a partir de então, dar continuidade à discussão dos outros pontos de reivindicações da categoria.

Para os profissionais da educação essa contraproposta foi inaceitável, pois com ela o governo desrespeita o direito à greve de todo trabalhador e em nenhum momento levou-se em consideração as péssimas condições que ficariam com o corte de 100% do salário, principalmente diante do contexto da pandemia que nos encontramos. Assim, era de extrema importância que os proventos fossem pagos em sua integralidade. Além da necessidade da garantia de vacinação para todos e meios para os estudantes terem acesso as aulas remotas.

Mas os sindicatos se prestaram, como sempre, a um papel conciliador e não mobilizador da categoria para enfrentar os ataques sofridos. O maior sindicato dos educadores do município de SP, SINPEEM, tendo como presidente quase vitalício (mais de 20 anos) o ex-vereador Claudio Fonseca, parte da base aliada do governo PSDB, nada fez para superar os entraves da greve, muito pelo contrário, apenas desmobilizou e descaracterizou as ações de luta dos trabalhadores e defendeu uma greve de pijama, ou seja, do “fique em casa”, pois colocou que a classe não poderia em ir para as ruas devido ao risco de saúde. Se utilizando desta justificativa para não organizar uma greve unificada que de fato pudesse enfrentar as manobras do governo.

Foi assim, que o SINPEEM colaborou para sabotar e deliberou a suspensão da greve em “assembleia virtual” realizada no dia 07/06. Assembleia esta que não permitiu uma real participação da categoria, onde muitos não conseguiram entrar. Importante destacar que a maioria das pessoas que tiveram direito à fala faziam parte da diretoria do sindicato, no qual reafirmaram seu posicionamento na defesa pela aceitação da proposta do governo. E, como se isto não bastasse, o tempo decidido para ser realizado o processo de votação não foi respeitado e o presidente Claudio Fonseca finalizou o processo de votação, deixando mais de 500 presentes sem oportunidade de se manifestarem.

O SINPEEM foi o único sindicato que não realizou reuniões ou assembleias no decorrer da luta para que os profissionais da educação pudessem dialogar e construir os rumos da greve. Todas as decisões foram tomadas e elaboradas por aqueles que sequer estão no chão das escolas. Os trabalhadores se mostraram dispostos a se organizarem sozinhos e participaram de atos isolados para exigirem serem ouvidos, para defenderem o direito à vida de toda comunidade escolar. Enquanto isso, Claudio Fonseca, dentro de seu gabinete, defendia uma greve sem luta, confiando apenas nas saídas das leis e instituições burguesas, que nada tem a oferecer para a classe trabalhadora.

Diante desta postura e de tantas outras ocorridas historicamente nas lutas da classe trabalhadora, nós afirmamos que não podemos criar nenhuma ilusão nas saídas institucionais deste sistema opressor que vivemos. Acreditamos que o único método é a nossa organização enquanto trabalhadores para enfrentarmos concretamente estas situações. É a classe trabalhadora que paga com a própria vida pelas escolhas dos governantes. Entre os que morrem, temos um aumento considerável de professores, resultado este, da política aplicada em todas as instâncias.

O momento em que vivemos é a expressão da decadência do sistema capitalista que decide que o lucro dos patrões vale mais que a vida dos trabalhadores.

Neste sentido, nós do Coletivo Educadores pelo Socialismo chamamos a todos, para juntos discutirmos ações de luta em defesa das reivindicações dos trabalhadores da educação pública por Fora Bolsonaro, já. O encontro acontecerá dia 15 de junho (3ª feira) às 20h. Clique aqui e participe!

Participaremos do ato de rua “Fora Bolsonaro” no dia 19 de junho (19J) com o nosso bloco de luta.  Junte-se a nós!!! Convidamos também para que venham construir conosco no dia 10 de julho o Encontro Nacional Abaixo Bolsonaro já, e para participarem também da plenária estadual que antecede este encontro, no dia 20/06.

Só a derrubada do governo Bolsonaro e a construção de um governo dos trabalhadores e para os trabalhadores pode nos garantir uma vida digna.

Conheça nossa página do coletivo Educadores pelo Socialismo.

 

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