Foto: Roksana Helscher, Pixabay

Caem as máscaras

Na última sexta-feira (03/07) a lei nº 14.019, que obrigava a utilização de máscaras em locais públicos e com grandes aglomerações, foi vetado por Bolsonaro e sua trupe de obscurantistas. Os vetos se aplicam para comércios, escolas, igrejas, eventos públicos entre outros espaços. Na segunda-feira (06) o veto de uso de máscaras foi ampliado para os presídios, criando assim o cenário perfeito para uma catástrofe de proporções monumentais.

Os vetos sancionados por Bolsonaro também implicam não cobrar multas de estabelecimentos que fujam dos protocolos de segurança de combate à Covid-19, não obrigação de cartazes e instrumentos de conscientização de higiene e utilização correta das máscaras, distanciamento social e capacidade máxima de indivíduos permitidos dentro do estabelecimento.

As máscaras cumprem a função de evitar a proliferação da doença, como apontam virologistas e a própria Organização Mundial da Saúde (OMS). Aliadas às medidas de higiene e distanciamento social, elas ajudam a manter a curva de achatamento da doença em níveis controlados. Sem a obrigatoriedade em locais de grandes aglomerações e orientações do uso correto de manuseio e higiene, a tendência é que os números de infectados cresça substancialmente.

Hoje o Brasil se encontra como um dos focos da pandemia mundial, com cerca de 1,6 milhão de casos confirmados e mais de 65 mil mortes. Números esses que são muito maiores pela falta de testes para monitoramento.

Essas medidas do governo federal se juntam as dos governos estaduais e municipais, que cada vez mais sãos pressionados por amplos setores da burguesia a aplicarem a chamada “imunidade de rebanho” — que consiste em grande parte da população se infectar com a Covid-19 e assim se curarem por conta própria. O que parece não se levar em conta nesse cenário é que os números de pessoas infectadas que precisam de tratamento especializado são muito maiores do que a capacidade de leitos/UTI existentes em qualquer lugar do país.

Na busca da “normalidade”, vemos que as medidas da burguesia nos levam a consequências inimagináveis. Os governadores, que no começo da pandemia se colocavam numa postura crítica a Bolsonaro, cada vez mais se calam e seguem à risca as medidas aplicadas por ele, que na verdade são medidas impulsionadas pelo grande capital. A postura dos empresários de insistir pelo fim das (quase nulas) quarentenas que ainda existem, tem como foco movimentar a economia para se salvarem da crise estabelecida. 

Desde o começo da pandemia o Brasil vem acumulando desastres. A confirmação do surto do novo coronavírus, em 31 de dezembro de 2019 na China, até o primeiro caso no Brasil em 26 de fevereiro, deu possibilidade de estudar o que estava acontecendo em outros países e se preparar para o que viria. Obviamente a política obscurantista de Bolsonaro jogou esse tempo no lixo, custando a vida de milhares de pessoas. Em todos os países que tiveram uma postura séria de combate à pandemia, todos utilizaram da ciência como arma ao combate à doença, mesma ciência que hoje defende a quarentena e utilização de equipamentos de proteção individual.

O combate à pandemia não é feito por nós marxistas de forma moralista, apenas repetindo chavões de “fique em casa e lave as mãos” (mesmo sendo essencial). Entendemos as consequências da pandemia como um reflexo da barbárie capitalista. Os trabalhadores que são expostos e obrigados a saírem de forma alguma são culpados pela doença, os culpados são os empresários! Que defendem a imunidade de rebanho, a volta de setores da indústria em sua totalidade, o não comprometimento no combate à pandemia, NÃO USAR MÁSCARAS e assim por diante, tudo isso em busca de lucrar sobre a vida de nossa classe. 

Não temos ilusões no capitalismo, por isso combatemos esse sistema que nos expõe ao risco da contaminação, dor e desespero. Nossa solução é a construção de um amplo movimento pelo Fora Bolsonaro! Por um governo dos trabalhadores, sem patrões nem generais.

Estamos nos organizando em todo país para estudar e combater, faça parte de um comitê de luta!

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