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As direções mantêm as ruas vazias

Cadê a greve geral?

Em 2019 a classe trabalhadora e a juventude deram demonstrações significativas de força que culminaram em atos massivos, em especial nos dias 15 e 30 de maio. A palavra de ordem “Fora Bolsonaro” foi abraçada pela massa de manifestantes e parecia que o movimento poderia avançar. Porém, após operação criminosa das direções da CUT e da UNE, que rebaixaram a pauta das reivindicações para uma bandeira vaga de “defesa da educação”, as manifestações se dissiparam, perdendo momentaneamente seu potencial de transbordamento. Isso resultou num ato mais enfraquecido no mês de junho, e ainda pior em agosto. Em meio a tudo isso, avançaram no Congresso Nacional a Reforma da Previdência, praticamente aprovada, outra reforma trabalhista e outros ataques do governo.
O que é necessário entender é que a ausência de mobilização nas últimas manifestações nada tem a ver com a suposta “onda conservadora” ou com um desânimo da classe trabalhadora. O centro para compreender esse processo é a crise de direção do proletariado.

A direção do movimento operário brasileiro está em parte com as centrais sindicais patronais (Força Sindical, NCST, CGT etc.), que desde que nasceram e até hoje desenvolvem políticas de interesse da burguesia. Porém a maior central ainda é a CUT, responsável por organizar a maior parcela do movimento operário brasileiro, e que aplica o programa reformista de conciliação de classe. Sendo esses os responsáveis pela articulação dos trabalhadores brasileiros, fica claro o porquê de a mobilização ser, hoje, praticamente inexistente contra os ataques do governo Bolsonaro.

A direção da CUT há muito tempo abandonou o socialismo. Hoje defende a democracia burguesa e dissemina a ilusão de que podemos fazer avançar a humanidade por meio do capitalismo. Exatamente por isso não tem interesse nenhum em dizer Fora Bolsonaro. Sua luta é muito mais para preparar uma base de eleitores para 2022, de modo a preservar a sacrossanta democracia burguesa. Essa é a razão por detrás do desmonte da greve geral do dia 14/06: impedir seu transbordamento, como em maio, e uma possível perda do controle do movimento. Afinal, isso sim poderia caminhar em direção à derrubada do governo Bolsonaro.

Esse tipo de prática, expressa principalmente na CUT, gera um distanciamento e uma desconfiança justificados da classe trabalhadora e juventude em relação a essas entidades. As direções sindicais nada aprenderam com a eleição de Bolsonaro, que atribuem à dita onda conservadora. Como já explicamos, Bolsonaro surfou na onda política antissistema, apresentando-se como a única possibilidade para mudar tudo que está aí. E o PT e a CUT se apresentaram como os defensores desta democracia, mesmo com todo o sofrimento que ela significa à nossa classe.

Foram, com justiça, punidos nas urnas, onde a massa da população buscava uma alternativa contra tudo que está aí.
Por outro lado, os aparatos sindicais também lutam para manter seus aparatos e privilégios. O fim do imposto sindical colocou tudo isso em questão, de modo a colocarem em segundo plano a luta contra a reforma da previdência ou qualquer embate de interesse dos trabalhadores. Isso ajuda a explicar, inclusive, o número reduzido de greves em 2019.

De acordo com os dados disponibilizados pelo DIEESE, entre 2018 e 2019 houve uma queda de 41% no número de greve no país. Como já dissemos, isso não reflete desânimo, mas é a expressão da desconfiança nas direções do movimento sindical, em especial a CUT. Estima-se que entre 2017 e 2018 houve queda de arrecadação de 86% no orçamento dos sindicatos brasileiros: de R$ 3,65 bilhões em 2017, o valor arrecadado em 2018 foi reduzido a R$ 500 milhões (Fonte: antigo Ministério do Trabalho).

A redução drástica na arrecadação das centrais sindicais transparece também sua total dependência política e econômica do Estado burguês. Caso a CUT tivesse mantido a linha de sua fundação, se não tivesse aceitado as contribuições sindicais obrigatórias sobre os trabalhadores, se não tivesse desenvolvido seu aparato com base no dinheiro do Estado burguês, se vivesse prioritariamente a partir do dinheiro oriundo diretamente dos trabalhadores, hoje o ataque do governo seria praticamente nulo contra ela. Porém, como Lenin já explicou, métodos reformistas estão em conexão com programas reformistas. Sendo a política do PT e da CUT, desde o fim da década de 80, a de coalizão com a classe burguesa, seus métodos seguiram os mesmos caminhos, culminando no abandono da linha socialista e da independência de classe.

É dever da CUT convocar uma nova greve geral, por tempo indeterminado, contra as privatizações, a destruição dos direitos trabalhistas, a Reforma da Previdência e por Fora Bolsonaro. Um ponto de partida importante é o papel que ela poderia jogar para unificar a luta dos trabalhadores das estatais. E junto a isso deve retomar a luta pela independência de classe, sobrevivendo a partir das contribuições sindicais voluntárias dos trabalhadores. O problema é que, neste momento, ela nada faz nesta direção e continua a política de traição ao conjunto da classe trabalhadora.

A falência política das direções sindicais brasileiras coloca a necessidade de forjarmos novos e revolucionários quadros para intervir e dirigir o movimento operário. Quadros que se construam de forma consciente, junto à base do movimento, ajudando em cada combate parcial e também explicando os problemas gerais da política no Brasil e no mundo. As políticas reformistas e burocráticas dos aparatos necessitam ser superadas para que a classe trabalhadora possa caminhar em direção à superação desse sistema. Esse é o combate da Esquerda Marxista. Junte-se a nós!

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