Foto: FOX Sports Brasil, Twitter

Atletas do PSG e Istanbul se retiram de campo após racismo no futebol

Na partida de futebol entre Paris Saint-Germain (PSG) e Istanbul Basaksehir, nesta terça-feira (8/12), pela Champions League, os dois times se retiraram do campo logo nos primeiros minutos de jogo, após o quarto árbitro do jogo, o romeno Sebastian Coltescu, deferir palavras racistas contra o camaronês Pierre Webó, auxiliar técnico do Istanbul.

Não há precedentes na história do futebol em que os dois times se negaram a jogar em protesto contra um ato racista.

A medida que a crise capitalista avança o racismo fica cada vez mais voraz. Por outro lado, a luta de classes impõe uma reação jamais vista. Prova disso é o levante antissistema que ocorre nos EUA, com o movimento Black Lives Matter; mas, também, no Brasil, como nas manifestações antirracistas contra os assassinatos de João Pedro Matos – morto pela polícia; João Alberto – assassinado por seguranças do Carrefour; e recentemente Emily e Rebeca – mortas por conta da ação de PMs.

A ação de massas dos trabalhadores contra o racismo tem impacto em toda a sociedade e pressiona até setores da burguesia a dar uma resposta ao problema – sob risco de uma revolta popular generaliza, que pode, inclusive, ameaçar as posições da classe dominante.

Amplas esferas da mídia burguesa, da academia e mesmo da economia são empurrados a dizer “não ao racismo”, mesmo que formalmente. O esporte, como parte da sociedade, igualmente reproduz essas contradições – muitas vezes de forma distorcida.

Há pouco tempo era incomum reações antirracistas no esporte, particularmente no futebol. Entretanto, o tensionamento entre as classes sociais tem impactado até os gramados com a luta contra o racismo.

Em agosto deste ano, os atletas da NBA (National Basketball Association – liga norte-americana de basquete, a principal do mundo) paralisaram os playoffs (finais da competição) em solidariedade aos atos antirracistas nos EUA. Centenas de astros de diversas modalidades esportivas se posicionaram em favor dos manifestantes que tomavam as ruas.

No jogo de hoje, entre o time francês PSG e o turco Istanbul, os jogadores dos times exigiram do árbitro uma decisão incisiva. O que não ocorreu.

A agressão racista aconteceu quando os atletas do Instambul reclamavam do árbitro, Ovidiu Hategan, a marcação de um cartão amarelo. Foi quando o quarto árbitro, Sebastian Coltescu, se dirigiu ao juiz e afirmou:

“Aquele preto ali. Vá lá e verifique quem é. Aquele preto ali. Não dá para agir assim” – apontando para o camaronês.

Pierre Webó, do Istanbul, ouviu a ofensa racista e questionou:

“O que você falou? Por que você falou preto?”

O juiz do jogo ao invés de punir o agressor expulsou o camaronês – a vítima. A partir daí os atletas se revoltaram. O atacante senegalês Demba Ba foi até o quarto árbitro Sebastian Coltescu para tomar satisfação e indagou:

“Você nunca diz ‘esse cara branco’, você diz ‘esse cara’. Então por que você está mencionando ‘cara preto’? Você tem que dizer ‘esse cara preto’? Por quê?!”

Neymar Júnior e o francês Mbappé – considerado um dos melhores do mundo – disseram ao árbitro que o time não continuaria em campo ao lado de um racista.

“Não vamos jogar. Não podemos jogar. Com esse cara (quarto árbitro) aqui, não vamos jogar”

Recentemente, em setembro, Neymar se manifestou nas redes sociais alegando ter sido vítima de racismo, quando o zagueiro do Olympique de Marseille teria o chamado de macaco, no clássico contra o PSG. Antes desse episódio, Neymar jamais tinha se posicionado sobre racismo e sempre foi omisso sobre o assunto.

Com as equipes se retirando o jogo teve que ser suspenso pela UEFA (Union of European Football Associations) – braço da Federação Internacional de Futebol (FIFA) na Europa.

Embora a FIFA e a UEFA tenham espalhados dizeres contra o racismo em suas competições, na prática, quando o ato racista partiu da própria equipe de arbitragem, o juiz do jogo – autoridade máxima em campo – não expulsou o agressor e não solicitou que o policiamento prendesse Sebastian Coltescu, mesmo com duas equipes inteiras solicitando uma ação e toda a aparelhagem de filmagens de prova.

Tudo isso ocorre em uma França convulsionada. No dia 21 de novembro o espancamento pela polícia do músico negro Michel Zecler provocou a ira de trabalhadores e jovens cansados de opressão. Na semana passada, nas chamadas “marchas pela liberdade”, manifestações enormes tomaram as ruas da França contra uma nova lei de segurança, a violência policial e o racismo.

O racismo é um dos pensamentos mais atrasados que o capitalismo já produziu. A burguesia se apoia nessa ideologia reacionária para justificar sua dominação, como se ela fosse uma raça superior, e dividir a classe trabalhadora. A base desse pensamento é a divisão da sociedade em classes sociais.

As atitudes antirracistas no esporte são fundamentais e provam como a luta de classes tem seus efeitos práticos por toda a parte. As mobilizações têm despertado setores que jamais se posicionariam. No entanto, é a superação da sociedade capitalista e a edificação de uma sociedade socialista que pode de vez pôr fim à opressão do homem pelo homem. Esse jogo só os trabalhadores podem vencer. É hora de marcar esse gol.

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