As tentativas da mídia de mascarar a fome no Brasil

A fome é um dos elementos que se aprofundam diante de todo o caos causado pelo capitalismo e aprofundado pela pandemia.  Através das grandes emissoras e portais da mídia burguesa, temos acompanhado como a classe dominante busca enganar os trabalhadores tirando o foco dos reais problemas causados pelo capitalismo.

Em pesquisa realizada no final de 2020,  o grupo “Alimento para Justiça” apresentou o panorama assustador em que 15% da população brasileira vive com insegurança alimentar grave, 12,7% com insegurança moderada e 31,7% com insegurança leve sem perspectiva de recuperação.  Os dados apontam que cerca de 125 milhões de brasileiros não têm uma alimentação digna para sobreviver.

A pesquisa aponta que desde 2013, quando a crise das instituições se aprofundou, os índices de insegurança alimentar (Fome) se elavam por todo o país e evidencia outros graves problemas entre a maioria da população que sofre com a falta de alimentação digna: 66 a 67% são negros e pardos, reafirmando assim o caráter racista do sistema. Nas casas chefiadas unicamente por mulheres, 73,8% vivem em condições alimentares precárias.

Em todos os casos a maioria da classe trabalhadora sobrevive de doações solidárias. Os dados também apontam que a população em insegurança alimentar reduziu em 85% os alimentos saudáveis como frutas e vegetais, tendo outros alimentos básicos como carnes, arroz, feijão e cereais abolidos das mesas trabalhadoras pelo aumento dos preços.

Outra pesquisa, realizada pelo Instituto Data Favela, aponta que quase 70% dos moradores em favelas não têm dinheiro para comprar alimentos. Segundo o levantamento, 93% das famílias não têm nenhuma renda guardada para emergências e outras demandas.

As “soluções” que a mídia burguesa busca trazer para o problema que se aprofunda são, no máximo, paliativas. Vários portais apresentam receitas como colocar mais água no feijão para render mais ou explicam quando podemos comer alimentos mofados fazendo com que os trabalhadores se acostumem com a miséria.

Outros exemplos que buscam esconder ou jogar uma cortina de fumaça sobre o problema assistimos nas emissoras amigas de Bolsonaro, como no caso da emissora do apresentador Ratinho, que coloca a manchete “Gás caro e comida mais saborosa: fogão à lenha vira xodó nas casas”, mostrando assim a precariedade do cotidiano da classe trabalhadora que tem que passar horas em frente ao forno, muitas vezes adaptado e sem condições de segurança mínimas.

O crescimento massivo nos números da fome no país reflete aquilo que o capitalismo pode nos oferecer, isto é, miséria e morte para os trabalhadores. A mídia cria um discurso para nos ludibriar e assim não focarmos em outra coisa a não ser sobreviver com o mínimo e insuficiente que temos. Gritamos basta!

Queremos condições de vida digna a todos os trabalhadores!

  • Abaixo o governo Bolsonaro! Por um governo dos trabalhadores sem patrões nem generais!
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