Foto: Ricardo Amanajas / Ag.Para

As mortes pela Covid-19 e as Guerras Mundiais

O placar aponta uma goleada. Com 2.341.004 mortes no mundo, a Covid-19 assola a humanidade e expõe a falência do capitalismo. Obviamente, o revés e o saldo negativo são contra a maioria da população do globo, aquela que produz toda a riqueza, mas que tem suas vidas ceifadas pela exploração e, desde o último ano, por uma doença curável. Curável ao ponto da Ciência e seus trabalhadores serem capazes de realizar a vacina em um rápido espaço de tempo, o que poderia ter sido ainda mais rápido com uma cooperação internacional. Apesar de tamanha conquista científica, a imunização geral e massiva segue se arrastando, sendo de responsabilidade dos Estados nacionais e dos cartéis farmacêuticos, que jogam com o tempo e as mortes para reterem maior lucro possível.

Sendo assim, esta assombrosa quantidade de mortes tem como principal responsável a economia capitalista. A anarquia do mercado, controladora do Estado burguês, se agrava e se despe de todas as suas máscaras em períodos como o atual, onde se alastra um vírus mortal e os corpos se empilham como se canhões, metralhadoras e aviões estivessem abrindo fogo contra cidades e campos de todos os países. Mas, diferente de uma guerra, onde prédios e cidades são destruídos, agora só os corpos estão caindo.

Essa comparação não é exagerada, muito pelo contrário. Segundo a Universidade Johns Hopkins, de Baltimore, no estado de Maryland, os Estados Unidos superaram o número de soldados mortos na Segunda Guerra Mundial. Em 10 de fevereiro, o centro do capitalismo mundial conta 468.088 óbitos, enquanto a guerra que perdurou de setembro de 1939 a setembro de 1945 entre Aliados versus Eixo assassinou 291.557 pessoas. Tenhamos clareza que o número de “baixas” pela pandemia de nosso tempo tende a ser muito maior, tendo em vista a subnotificação em diversos momentos dos últimos meses, diante dos 27.233.532 de casos registrados no país, e contando.

Para termos mais subsídios históricos com guerras marcantes impostas pelas classes dominantes, podemos pontuar que a Guerra da Síria, iniciada em 2011 e ainda em curso, aponta 586 mil corpos tombados. Já a Guerra do Paraguai de 1864 a 1870, responsável pelo surgimento do Exército brasileiro e gastos inigualáveis do Estado Imperial, causou cerca de 400 mil mortos entre os países envolvidos. Enquanto isso, o icônico atentado norte-americano em Hiroshima, no Japão, em 6 de agosto de 1945, matou 130 mil cidadãos. Também pode-se comparar que pouco mais de 800 militares brasileiros morreram devido à Covid-19, enquanto, segundo o Boletim Especial do Exército de 2 de dezembro de 1946, 457 pracinhas da Força Expedicionária Brasileira perderam a vida na Itália, na participação da FEB na Segunda Guerra Mundial.

De todo modo, entre guerras históricas, contemporâneas e o vírus, o fato mais contundente é o massacre gerado pela pandemia, fazendo muitas pessoas chamarem governantes, como Jair Bolsonaro e Donald Trump, de genocidas. Embora conceitualmente isto esteja errado, pois um genocídio significa o extermínio deliberado e sistemático de um grupo étnico, essa indignação geral representa o ódio que a população passa a ter por estas figuras, que na prática não passam de fantoches do capital e seu modo produtivo.

O que queremos dizer com isso é que o fulcral neste comparativo entre pandemia e guerras mundiais é vermos o estágio decadente do capitalismo. As guerras históricas surgiram com o intuito dos Estados e mercados nacionais ampliarem seus impérios e territórios, aumentando a produção e exploração da força de trabalho. Obviamente que esse impulso bélico gera a destruição de centros urbanos e rurais, arrasando instalações, prédios, fábricas, causando o caos, mas depois da posse do vencedor, a reconstrução e as potências se impõem.

Contudo, diferente do convencional, a “guerra” da Covid-19 não resulta na aniquilação de estruturas físicas, mas no assolamento da principal força produtiva da humanidade, os trabalhadores. Diante disso, há um elemento ainda mais cruel, pois afeta, especialmente, os idosos, sendo extremamente conveniente para a atual fase reacionária do sistema, já que tem como premissa para manter a taxa de lucros da burguesia, a supressão de conquistas históricas dos trabalhadores, como a previdência pública. Mas também assola a juventude, que tem seu direito à educação altamente atacado, sem ter garantida a estrutura para assistir às aulas virtuais ou, como agora, tendo que se expor com a retomada das aulas presenciais sem a vacina para todos. Além disso, a desesperança e a falta de perspectiva são marcantes, dada a crise econômica aprofundada pela pandemia, empregos dignos estão cada vez mais escassos.

Em todos os cenários, fica evidente que o capitalismo não apresenta mais perspectivas para a humanidade, senão a barbárie, que já emergiu em diversos momentos da história deste modo produtivo e que mostra sua faceta cruel no momento em que vivemos, com corpos abandonados nas ruas e pessoas morrendo sozinhas, sem qualquer assistência médica. Como disse Lenin, o capitalismo é um horror sem fim!

Contudo, assim como ensina o marxismo, este sistema é engendrado de contradições e não é fim da história. Ao passo que enriquece com a guerra do vírus, aprofunda a revolta e a convulsão social em todo o mundo. A juventude e os trabalhadores estão em movimento, produzindo não só as riquezas, como também revoluções, buscando dar fim a tudo isso para tomar a vida em suas mãos. Porém, nesta guerra, na luta entre as classes, para que sejamos vencedores, fincando a bandeira vermelha da liberdade contra a morte, a exploração e a opressão, temos a única arma da organização revolucionária, conquistando mais jovens e olhando o mundo com os olhos da classe operária.

Referências:

MANEO, Adriano. Total de 1 milhão de mortos por coronavírus supera óbitos de guerras históricas. Folha de São Paulo, 28 set. 2020. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/09/total-de-1-milhao-de-mortos-por-coronavirus-supera-obitos-de-guerras-historicas.shtml>. Acesso em: 10 fev. 2021.

HERDY; COSTA. Militares vítimas de Covid-19 já superam o número de pracinhas mortos na Segunda Guerra Mundial, Época, dez. 2020. Disponível em: <https://epoca.globo.com/brasil/militares-vitimas-de-covid-19-ja-superam-numero-de-pracinhas-mortos-na-segunda-guerra-mundial-24791426>. Acesso em: 10 fev. 2021.

ESTADÃO. EUA já registram mais mortes por COVID que de soldados na 2ª Guerra. Estado de Minas, dez. 2020. Disponível em: <https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2020/12/12/interna_internacional,1219893/eua-ja-registram-mais-mortes-por-covid-que-de-soldados-na-2-guerra.shtml>. Acesso em: 10 fev. 2021.

PUBLICADO EM LIBERDADEELUTA.ORG

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