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Foto: Jornalistas Livres

As más escolhas de Freixo (PSOL)

Em uma entrevista na Folha de São Paulo sobre  sua candidatura à presidência da Câmara dos Deputados, Marcelo Freixo explica o seu posicionamento sobre o comunismo e o socialismo:

Folha: De 2013 pra cá, ascendeu o fantasma do comunismo. Ao que o sr. atribui esse…

Freixo: Devaneio.

Folha: …fenômeno?

Freixo: Da mesma maneira que eles dizem que o grande problema da educação é o Paulo Freire. Quem dera nosso problema fosse excesso de Paulo Freire nas escolas. Fazem isso pra criar uma pauta que interessa ao discurso conservador. Nosso problema não é o socialismo, é a obra da escravidão.

O posicionamento de Freixo se torna mais claro em uma entrevista disponível no YouTube, a partir do minuto 17. Ele expõe melhor ao vivo sua posição e explica que o debate central que temos que fazer é sobre as consequências da escravidão e não o debate sobre o socialismo.

Ao colocar as coisas dessa forma, o deputado eleito pelo PSOL, na verdade, está atacando as próprias bases fundadoras do partido, como o partido do socialismo e da liberdade. Freixo diz que a discussão sobre o comunismo, que passa a existir entre os jovens e os trabalhadores, é um “devaneio”, enquanto Bolsonaro e a Folha (um órgão de imprensa dos capitalistas) tratam do assunto como uma ameaça real ou pelo menos (para a Folha) como um “fenômeno”.

Essa mudança que Freixo faz no partido e na sua estratégia, mudança que a direção do partido, ao não se posicionar, aceita, leva o PSOL exatamente para o mesmo local de onde saiu: a política do PT de conciliação de classes que foi vitoriosa no início dos anos 90 sob o nome de “luta por um governo democrático e popular”. Em última análise, a proposta de Freixo, sob argumentos e discursos um pouco mais rasteiros do que os de José Dirceu (que foi um dos principais defensores e aplicadores dessa “teoria” que levou ao governo Lula de conciliação com a burguesia), é a mesma – união dos “democratas” contra os “fanáticos” ou contra a extrema direita.

Para fazer a sua pirueta ideológica, Freixo, acompanhando os grandes jornais burgueses, diz que há uma disputa no governo Bolsonaro. Os jornais e analistas dividem-se sobre se essa disputa é: entre os “ultraliberais”; os “militares” e os “políticos”; ou entre “ultraliberais” e “políticos”. Já Freixo enxerga uma disputa entre os “fanáticos”, como os que enxergam Jesus em goiabeiras ou combatem o “fantasma” do comunismo e os “interesses do mercado”.

Há divergências no governo Bolsonaro? Certamente. Interesses contraditórios? Sim. Mas o que unifica todos é a figura e a política do presidente a qual todos se curvam, como os cortesãos diante de seu imperador. Assim, Moro, apesar de terem modificado a essência do projeto de posse de armas elaborado pelo Ministério da Justiça, continua defendendo o decreto que contraria muito do que ele pensava sobre o assunto.

Os militares dizem que vão acatar a ordem, caso estejam na Reforma da Previdência, embora já estejam em plena campanha pública contra a sua inclusão nas mudanças.  Porém, é preciso prestar atenção – o que une tudo, o que cola tudo, é o capital financeiro. Paulo Guedes não é seu economista preferido. Nomear o filho do vice-presidente como diretor do Banco do Brasil atrapalha o discurso da moralidade. Indicar um amigo do presidente para diretor da Petrobras, idem. Colocar dois ex-diretores da Odebrecht para serem membros do Conselho da Petrobras, a mesma coisa… Porém, tudo é perdoado desde que o governo faça a Reforma das Reformas, a mãe de todas as reformas, a destruição da previdência pública!

Nesse ponto, somos a favor da mais ampla frente com todos em defesa dos direitos dos trabalhadores. Agora, acordos para disputar a presidência da Câmara Dos deputados até com o centro (que Freixo diz que não existe, mas depois pensa melhor e, picado pela mosca azul, desdiz, no final da entrevista do UOL, o que disse na abertura), ou seja, com a burguesia em torno de um funcionamento “democrático” da Câmara, independente do conteúdo político deste “funcionamento”, é ultrapassar em muito as fronteiras de classe.

Freixo está disputando a Presidência da Câmara dos Deputados? Sim. Porém, mais que isso, ele quer que os jovens deixem de acreditar no socialismo e creiam que o único rumo a tomar é o rumo do acordo com a burguesia. Por isso, o seu balanço da candidatura Boulos é direto:

FOLHA – O sr. disse que foi um dos fiadores do projeto Boulos candidato. Ele teve o pior desempenho de um presidenciável do PSOL. O partido fez sua autocrítica?

Freixo – A gente teve um dos melhores candidatos da nossa história no pior momento histórico. A polarização que aconteceu levou ao voto útil no primeiro turno: pessoas dizendo “quero votar no Boulos, mas vou votar no Haddad — ou no Ciro, para não ter PT e Bolsonaro no segundo turno, porque, se tiver, Bolsonaro ganha. Claro que tivemos erros de estrutura, de condução de campanha, mas não na escolha do candidato.

Desta forma, o problema da candidatura Boulos seria de “momento”. A hipótese de que o candidato deveria defender o socialismo, o comunismo, o combate ao capitalismo, isso está muito longe de toda a análise e do pensamento de Freixo.

No entanto, a juventude e os trabalhadores acreditam em Freixo, aceitam essa política? Mostra-se que o povo não seguiu Freixo se averiguarmos a votação de Boulos, a votação nos candidatos majoritários do PSOL, que reduziu-se da campanha passada para esta, a votação nos candidatos a Câmara Federal que se manteve praticamente igual (em número de votos), apesar da mudança na lei eleitoral ter garantido maior número de deputados.

Os marxistas (comunistas) têm uma proposta – é preciso aceitar o debate real que está colocado. No mundo inteiro, o capital abre uma guerra contra os trabalhadores e a juventude. Podemos fazer como Freixo que quer se aliar a uma parte da burguesia e aceitar que ela vai continuar nos explorando de uma forma ou outra, sob a desculpa que Bolsonaro é a barbárie ou o fanatismo. Ou podemos explicar que o nosso objetivo é fim deste sistema. Nós nos posicionamos pelo fim do capitalismo, pelo socialismo e pelo comunismo. E convidamos os jovens e os trabalhadores a fazerem esse debate.

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