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APEOESP negocia volta às aulas e bloqueia assembleia em SP

Estamos a menos de um mês do retorno às aulas presenciais no estado de SP, de acordo com Doria e Rossieli. Neste contexto, o que vimos nos últimos dias por parte do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (APEOESP) é um verdadeiro escândalo.

A APEOESP representa o que há de pior na burocracia sindical brasileira. É o maior sindicato da América Latina. Porém, a APEOESP utiliza todo seu aparato para fortalecer um discurso aparentemente combativo, mantendo uma prática de traição à categoria e de negociação com as políticas do governo.

São inúmeros textos da entidade contra a volta às aulas presenciais. A primeira reportagem que se vê quando entramos no site do sindicato é justamente reforçando essa política. Porém, como bem explicou Marx, a prática é o critério da verdade.

Sejamos justos: durante a pandemia foram realizadas, de modo centralizado, duas carreatas e dois atos, duas ou três reuniões de representantes de escola (RE) descentralizadas, tudo com pouquíssima adesão. A parte mais combativa, na prática, se deu pela atuação descentralizada das subsedes regionais do sindicato, principalmente as dirigidas pela oposição à atual direção: organização de cestas básicas para terceirizados e professores sem renda, passagem com carro de som nos bairros etc. Pouco para um sindicato que representa mais de 200 mil professores.

Todas essas ações foram e continuam sendo absolutamente insuficientes para o combate efetivo ao governo. Porém, o que não se esperava era um aceno da direção do sindicato em relação à política declarada de Doria e Rossieli pela reabertura total das escolas. No Informe Urgente nº 107 (15/09/2020) da entidade está escrito o seguinte:

“Frente às ponderações e alertas da APEOESP, o secretário relativizou a perspectiva de volta em outubro, afirmando que só haverá volta em escolas que reúnam todas as condições de segurança sanitária e em número reduzido de estudantes. Ainda assim, frente ao risco de ampliação do contágio de coronavírus, a presidenta da APEOESP ponderou que sejam focadas as discussões em soluções para os estudantes que estão concluindo o último ano do ensino médio e que prestarão o Enem em janeiro e para os estudantes de EJA e CEEJA. O secretário da Educação concordou em discutir essa alternativa. Seria evitada assim uma volta generalizada às escolas” (grifo nosso).

Em um contexto onde a discussão central da educação em todo o país é a volta às aulas presenciais, quais soluções seriam essas? Seria muita ingenuidade acreditar que, como consta no Informe Urgente 110, tratava-se de soluções via ensino remoto. Está claro que se trata de uma negociação relativa à reabertura das escolas.

Coincidentemente, no dia 18/09/2020, o governo Doria declara retorno das aulas presenciais para alunos do ensino médio e EJA no dia 7 de outubro, “dialogando” com a posição do sindicato.

A direção da APEOESP é especialista neste quesito: tergiversar em relação ao óbvio. Somente seus seguidores têm dificuldade de enxergar a verdade em relação às suas ações.

E não se trata somente do Informe Urgente 107. O próprio “Manual escolas saudáveis”, produzido e difundido pela entidade, é uma evidência clara da política da direção. Embora em alguns trechos afirme ser um documento preparando o pós-pandemia, ao ser lançado praticamente junto com a Resolução 61/2020, que prepara o retorno às aulas presenciais, converte-se em uma ferramenta a mais para o governo convencer a categoria da necessidade do retorno.

Há instruções sobre como desenvolver atividades com distanciamento social e outras práticas próprias do período de pandemia. Momento e fatos não podem ser desconectados aqui.

Ao invés de investir dinheiro nesse tipo de material, deveriam efetivar uma séria campanha contra a volta às aulas. Com materiais aos 200 mil professores explicando a necessidade de os professores participarem das reuniões de RE, dos atos e demais mobilizações contra o retorno às aulas presenciais. Mas a linha da direção da APEOESP passa longe de almejar a luta séria da categoria.

Por último, salientamos a vergonhosa recusa do sindicato em convocar uma assembleia da categoria. Praticamente referendaram essa posição na reunião da diretoria do sindicato do dia 21/09/2020. Isso junto ao típico método de ofensas e intimidação nos espaços deliberativos do sindicato aos opositores.

A direção da APEOESP prepara mais uma derrota. Quanto a nós, professores de base, nos resta intensificar a luta em diálogo com a comunidade escolar, construir a luta contra a volta às aulas e exigir uma assembleia da APEOESP para definir as táticas de luta. Para nós, não há alternativa: se o governo mantiver a volta para outubro, só resta deliberar pela greve. Nem que para isso tenhamos que nos organizar acima da própria direção da APEOESP.

Nenhuma confiança na direção da APEOESP!

Exigimos assembleia já para debater a greve contra o retorno às aulas presenciais!

Sem vacina, sem aulas!

Fora Doria e Bolsonaro!

Por um governo dos trabalhadores, sem patrões nem generais!

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