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América Socialista resgata lições dos congressos da Internacional Comunista

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A Revista América Socialista, órgão teórico e político da Corrente Marxista Internacional (CMI) nas Américas, chega na edição brasileira à sua edição número 14.  São 7 anos de publicação regular e de um esforço teórico e político dos militantes da CMI nas Américas e da Esquerda Marxista em particular para elevar a formação e a discussão política entre militantes revolucionários e a vanguarda dos trabalhadores e da juventude. Este trabalho é absolutamente necessário frente à impressionante regressão política e teórica imposta pelo estalinismo e pela socialdemocracia em todo o mundo. Não só vivemos uma época de decadência moral, cultural e política da sociedade burguesa. É também uma época muito difícil para o movimento operário, oprimido por décadas por enormes aparatos contrarrevolucionários e que hoje resiste e luta com as armas que tem para reencontrar um novo eixo de independência de classe e o caminho da revolução socialista.

Nesta edição comemoramos cem anos de fundação da Terceira Internacional, a Internacional Comunista, e também rememoramos o assassinato covarde de Rosa Luxemburgo pelos aliados da socialdemocracia alemã, que, junto com toda a reação política monarquista, esmagou em sangue a revolução dos operários, torturou e matou seus líderes. Um excelente artigo sobre Rosa Luxemburgo é publicado nesta edição para que novos militantes jovens e trabalhadores não esqueçam os mártires de sua classe e mantenham vivo seu ódio de classe contra a burguesia , que jamais hesitou em atirar no lixo todos seus discursos democráticos e afogar em sangue toda revolta dos escravos trabalhadores contra o regime da propriedade privada dos meios de produção. A tarefa a que Rosa Luxemburgo dedicou sua vida continua sendo a tarefa que nós devemos resolver.

Um ótimo artigo de Alan Woods sobre a chamada transição espanhola , a transição da ditadura fascista de Francisco Franco para a suposta democracia, na Espanha, nos conta com detalhes, e com os olhos de um militante que viveu essa transição e sua época revolucionária,  a traição organizada pelos líderes da socialdemocracia , o PSOE, e pelo Partido Comunista Espanhol, o PCE, em especial o papel nefasto e imundo jogado por Santiago Carrilho, o secretário estalinista do PCE, e que resultou num regime com uma fachada democrática, mas que mantém, no essencial, estrutura repressiva antidemocrática erguida pela ditadura de Franco. Este amigo de Hitler e Mussolini deixou de pé sua herança fascista, guardada e garantida pelos líderes socialdemocratas e stalinistas. É por isso que, hoje, a democracia espanhola é capaz de manter enjaulados os líderes políticos Independentistas da Catalunha, cujo único crime foi expressar e lutar pela separação do Estado Espanhol e buscar, assim, expressar a vontade da maioria da população da Catalunha.

Um artigo de sobre a luta do movimento negro retoma, de forma histórica e geral, o combate contra o racismo e o racialismo e por sua emancipação no Brasil, apontando para os combates necessários ainda hoje a serem travados, junto com a classe operária e a juventude, contra toda opressão e exploração. O que passa, necessariamente, por um combate contra a violência estatal contra negros jovens, em particular. O recente assassinato de um negro no volante de seu carro com a família, no Rio de Janeiro, covardemente fuzilado pelo Exército brasileiro com 80 balaços, obviamente tem como causa o ódio das forças armadas da burguesia contra trabalhadores, pretos e pobres. A alegação mentirosa de que atiraram num criminoso é uma declaração de como a burguesia e seus lacaios encaram a cor da pele de um ser humano. O racismo serve a essa gente como instrumento para manter aterrorizada a população e cada vez mais armar o aparato repressivo, que em última instância, será sempre usado contra a classe trabalhadora.

Retomamos ainda, nesta edição, a herança histórica do bolchevismo em relação ao trabalho na juventude. Isso é um importante aprendizado porque uma das acusações que os bravíssimos mencheviques, aliados da burguesia, faziam contra os bolcheviques é de que eles eram um partido de estudantes, por causa da sua enorme quantidade de jovens militantes e dirigentes. Na verdade, é um grande orgulho para o partido revolucionário ter a capacidade de ganhar jovens e ter entre seus quadros jovens estudantes como foram Lenin, Trotsky, Sverdlov, Zinoviev, Kamenev. Sem falar do passado, em que o estudante Karl Marx e seu amigo o estudante Frederic Engels construíram a fortaleza que chamamos marxismo.

Publicamos também um artigo de Eric Lerner, um físico norte-americano que reivindica o marxismo, o materialismo dialético e histórico, e que nos dá um resumo do seu livro “O Big Bang nunca aconteceu”, mostrando como esta teoria é uma teoria falsa e cujo sentido maior é tentar comprovar “cientificamente” que Deus existe e está no início de tudo. Este artigo é também uma homenagem a Engels e seu livro “A Dialética da Natureza”, livro incomparável e que merece a leitura atenta de todo revolucionário que pretende entender o mundo e a natureza.

Apresentamos também um artigo de Trotsky, escrito em 1929, sobre a questão dos sindicatos e o suposto apartidarismo sindical,  que é como se apresenta, hoje em dia, a independência dos sindicatos em relação a todos os partidos, esta política antimarxista antibolchevique, não só dos setores mais atrasados do movimento operário, mas também dos oportunistas de todo tipo. Hoje se tornou comum que correntes políticas, inclusive as que se dizem revolucionárias, se apresentarem disfarçadas nas eleições sindicais, reivindicando a independência em relação a todos os partidos.

Uma coisa é certa. É uma pedra de toque a independência dos sindicatos em relação à burguesia e ao estado burguês, aos patrões.  Assim como a luta pela liberdade sindical contra toda e qualquer tipo de ingerência estatal ou legislação burguesa sobre os sindicatos. Mas, isso não tem nada a ver com esconder o trabalho dos comunistas no sindicato. Os comunistas defendem cada uma das conquistas dos trabalhadores e suas reivindicações, mas eles não militam nos sindicatos para melhorar um pouquinho a vida da classe trabalhadora, eles militam nos sindicatos para organizar a classe trabalhadora e construir a organização revolucionária para pôr abaixo todo o sistema de exploração burguês. Não são, portanto, os comunistas nos sindicatos, meros negociantes do valor da força de trabalho da categoria em questão. A negociação do valor da força de trabalho é parte e preparação do combate para organizar o exército da revolução para tomar o poder estatal e liquidar com o regime da propriedade privada dos meios de produção, o regime capitalista.

Finalmente, temos um informe escrito por Mathias Rakosi, em 1922, sobre os Congressos da Terceira Internacional. Rakosi explica os debates dos Congressos, suas resoluções e as circunstâncias em que elas foram tomadas, o que foi central em cada Congresso e o que teve que ser modificado de um Congresso para outro.

Os quatro primeiros Congressos da Internacional Comunista formaram a base da construção do Programa revolucionário do marxismo na época do imperialismo. Esta tarefa ficou incompleta porque a Terceira Internacional foi destroçada pelo stalinismo nos anos seguintes até sua liquidação final, em 1943. Essa tarefa teve que ser continuada por Trotsky, que sintetiza os quatro primeiros Congressos da IC e desenvolve esta base programática culminando no texto “A agonia Mortal do Capitalismo e as Tarefas da Quarta Internacional”, conhecido como o “Programa de Transição”.

Há cem anos foi fundada a Internacional comunista e há 100 anos os bolcheviques continuam esse combate. Esta luta conheceu grandes vitórias e grandes derrotas, mas é esse combate que continua a ser o centro da atividade revolucionária ainda hoje. A construção de uma verdadeira Internacional, não de seitas autoproclamados ou de ajuntamentos oportunistas, mas de uma verdadeira Internacional, baseada no marxismo, que seja capaz de dirigir o movimento dos trabalhadores em todo mundo, continua sendo a tarefa mais urgente de cada militante e de cada seção da Corrente Marxista Internacional, a CMI, em todo mundo.

Uma nova Internacional Comunista é uma necessidade de sobrevivência da classe trabalhadora e da espécie humana. Esperamos que essa revista ajude nessa tarefa e seja uma leitura agradável.

Apresentação da revista teórica marxista América Socialista nº 14. Abril de 2018.

Índice:

Há cem anos foi fundada a Internacional Comunista (Sobre os 4 primeiros congressos da IC)
Mathias Rakosi

A Espanha na década de 1970: como se traiu a revolução (1ª parte)
Alan Woods

Os bolcheviques e a juventude (1ª parte)
Evandro Colzani

A longa caminhada do Movimento Negro pela emancipação e o combate do MNS
Roque Ferreira

100 anos do assassinato de Rosa Luxemburgo: uma homenagem à luta pelo socialismo
Maritania Camargo

Depois de Engels, onde está o enfoque histórico nas ciências?
Eric Lerner

Sindicalismo e comunismo
Leon Trotsky

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