“América Primeiro”: nova tática para os mesmos fins imperialistas

Uma das marcas psicológicas dos líderes norte-americanos reside na hipocrisia. O presidente Donald Trump eleva essa qualidade a um nível superior. Desde de que assumiu a Casa Branca, ele tem distribuído alertas, advertências e sanções para proteger o mundo contra ameaças nucleares, apontando Coreia do Norte, Irã e Rússia. Em janeiro deste ano, porém, recomendou em discurso modernizar e reconstruir o arsenal nuclear dos EUA. No mês seguinte, apresentou ao Congresso um superorçamento aumentando em 14,1% os gastos militares.

Um presidente sincero diria que está alarmado e quer ajuda para impedir que novas nações desenvolvam capacidade nuclear e dissuadam a ameaça militar norte-americana. Frisaria também que a renovação de seu próprio estoque serve para deixar claro a possibilidade de novas Hiroshima e Nagasaki. Como explicação do orçamento militar maior, enfatizaria que guerras convencionais serão recursos caso seus oponentes recusem abandonar seus planos.

Trump herdou um governo imperial mergulhado em tensões internacionais. Duas guerras intermináveis, profundos impactos internos da crise econômica de 2008, uma economia mundial vivendo de aparelhos, a Zona do Euro dividindo-se, instabilidade política nos países, uma atuação desastrosa na Síria, um impasse na Criméia e uma série de conflitos, rebeliões e guerras localizadas. Esse conjunto de problemas e conflitos representa um declínio relativo dos EUA, cujas posições estão sendo ocupadas por nações adversárias.

As ações rompantes, alarmistas e ameaçadoras do novo presidente ocorrerem diante dessas circunstâncias. Muito mais do que atitudes irresponsáveis, seus atos governamentais e sua política “América Primeiro” correspondem a uma nova tática para as peças dos EUA no tabuleiro mundial. Durante a gestão de Barack Obama, o imperialismo apostou em desenvolver parcerias multilaterais e controlar blocos econômicos por todo o mundo como forma de garantir seus interesses. “América Primeiro” significa que agora os EUA agirão de modo a assegurar os interesses de sua burguesia e de sua economia mesmo que aos custos da desgraça de outras nações ou mesmo de conflitos diplomáticos ou militares.

No entanto, a burguesia norte-americana não está unificada sobre isso. Essa divisão expressou-se na corrida eleitoral de 2016. Os escândalos, investigações e conflitos envolvendo Trump são a continuidade daquela disputa. São tentativas de setores do imperialismo de destituir o presidente, valendo-se para isso das alavancas que a burguesia dispõe no aparato de Estado norte-americano, como a CIA, o FBI, o Judiciário e o Congresso.

A resistência de Trump aos adversários demonstra que, embora contrariados e à força, outros setores do imperialismo norte-americano têm se alinhado pela política do “América Primeiro”. São novos meios para os mesmos fins infames, que dão repulsa a qualquer um que deles tome conhecimento. Para camuflar suas intensões vis, Trump recorre à hipocrisia tanto quanto seus precedentes do Partido Democrata ou do Partido Republicano.

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