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A Revolução dos Pobres no Iraque expõe os crimes do sistema de cotas

Nota do Editor: Esse artigo foi publicado originalmente no dia 04 de novembro de 2019 no site da organização política Socialist Revolution.
Nota do Tradutor: O sistema de cotas foi inserido no Iraque em sua Constituição de 2005, dois anos após a invasão dos EUA no país. Supostamente se trata de uma maneira de impedir conflitos étnicos, com curdos, xiitas e sunitas sendo obrigados a dividir os cargos de liderança do poder estatal. Porém, de fato, é uma política sectária, que divide a população e seus supostos representantes em nacionalidades para o Estado-Nação. Além disso, de acordo com O Globo (25/10/2019): “Há, entre muitos manifestantes, a compreensão de que [o sistema de cotas] possibilitou que líderes xiitas, curdos e sunitas se apropriassem de fundos públicos para seu próprio proveito, em detrimento do bem-estar geral.

Até esse momento, faz cinco dias que a cidade de Bagdá e a maioria das cidades do centro e do sul do Iraque estão abaladas com as manifestações em massa, que vem exigindo oportunidade de emprego, melhoria da qualidade de vida e provisão de necessidades básicas, como eletricidade, água, serviços de saúde e educação para a grande maioria da sociedade iraquiana. Esses protestos têm sido corretamente descritos como a Revolução dos Pobres.

O confronto do proletariado iraquiano, juntamente com as massas esmagadas, de um lado, e o sistema de cotas, corrupção e opressão, o regime reacionário e retrógrado, do outro, entrou em uma nova etapa da luta histórica, em que os protestos tem fornecido grande profundidade às contradições entre as massas oprimidas, as forças e partidos islâmicos e nacionalistas, seu sistema político e suas milícias terroristas.

As experiências dos últimos anos e da luta de classes desde 2011, e mais precisamente desde os protestos que ocorreram na cidade de Basra ano passado, eram para exigir por empregos e melhoria na alimentação e na qualidade de vida. Nessas lutas as massas sentiram as conspirações e o conluio dos partidos políticos islâmicos, e seu perigo em disseminar ilusões, mentiras e além disso sua capacidade de surfar na onda de protestos em alguns momentos e, em outros, manter seu poder oprimindo as massas e dividindo cotas entre elas de forma sectária.

Como os partidos fascistas religiosos, suas instituições militares e suas milícias, incluindo a Swat, a Brigada Badr, o Asaib e outras milícias criminosas, não estão conseguindo expor suas alegações, conspirações e atentados para dividir as massas dessa vez. Portanto, eles têm se utilizado de armas, força excessiva e munição viva contra mulheres, crianças, idosos e utilizado as mais hediondas formas de repressão, violência, brutalidade e barbárie contra as massas. Inclusive, as estimativas preliminares provam que o número de casualidades excede milhares de mortos e feridos.

O movimento de outubro tem se caracterizado por uma completa separação das massas da política e da religião vigente, o que é uma separação irreversível. As lutas dos últimos dez anos têm enriquecido os trabalhadores com uma clara consciência social da corrupção e da deterioração dessas forças e partidos ao ponto de crerem na possibilidade de uma reedição de março de 1991. Não apenas isso, mas as massas rebeldes desenharam páginas de heroísmo e dedicação que nunca foram vistas na história política do Iraque. O movimento de outubro fez com que as fraquezas e as ilusões da “Primavera Árabe” de depositar as esperanças nos militares, nos religiosos e na oposição liberal se tornassem ilusões passadas, contraditas pelos eventos pós-Primavera Árabe. As massas de manifestantes mostraram que eles não têm esperanças em uma ação militar ou em um golpe de Estado, da mesma forma que as ilusões nas políticas islâmicas sunitas e xiitas foram dissipadas. Esse movimento tem positivamente superado a recente luta dos sudaneses, pois os manifestantes não acreditam que o Exército possa levá-los a compartilhar um novo governo e desistir de sua Revolução.

Então, o que deve ser feito agora? A atual situação no Iraque e os saldos políticos e sociais, internos e externos, irá impor às massas revoltosas, mais cedo ou mais tarde, a busca da libertação final e o fim da existência do regime vigente. O horizonte político e a esperança da emancipação e do fim do sistema exploratório e opressivo não são uma reivindicação final, mas sim um ponto fundamental da luta, e não pode ser sobreposto ou substituído por outra alternativa.

A organização das massas de manifestantes em Conselhos Revolucionários ou quaisquer formas de organizações de massas dinâmicas e flexíveis pode assegurar o progresso e o desenvolvimento do movimento, trabalhar para impedir a dispersão, a derrota e o confinamento dos conflitos em um número limitado de cidades, além de buscar uma ampla participação de ambas as nacionalidades e o uso de todas as formas de luta. Por isso, a construção de tais formas de organização se torna uma tarefa urgente e fatídica.

O regime revelou sua inabilidade para confrontar a solidariedade e a coragem das massas de manifestantes, e começa a lançar uma campanha de promessas falsas e pacifistas, procurando negociar com os representantes do movimento. Esse é o momento oportuno para eleger um grupo de revolucionários para representar o movimento, nós precisamos responder ‘NÃO’ a quaisquer tipos de negociações secretas. Os representantes devem ser eleitos pelo movimento de forma direta e pública. Nós precisamos nos beneficiar de todas as formas de lutas de massas, de demonstrações a manifestações pacíficas, desobediência civil e o uso de todas as ferramentas de luta e de organização, organizando os bairros e os centros em Conselhos Revolucionários e Comitês Revolucionários para a insurreição armada quando garantirmos seus pré-requisitos materiais e sociais.

 

Tradução de João Lucas Brandão.

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