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A população negra não tem nada a comemorar neste 20 de novembro

Hoje no Dia Nacional da Consciência Negra temos que dizer de forma objetiva que a situação de vida da população pobre e negra piorou nos últimos anos, aumentando de forma substancial os níveis de exclusão em todos os segmentos.

Os números dos principais indicadores mostram isso sem maquiagem. O aumento do desemprego atinge em cheio a população negra, o que leva esta parcela significativa da classe trabalhadora a ter no trabalho precário, na informalidade sua fonte de renda, que mal dá para cobrir as necessidades básicas.

A reforma trabalhista, da previdência, a PEC da morte que aprovou o congelamento dos gastos públicos, o desemprego crescente, foram políticas de ajuste do governo para atender os interesses do grande capital, e que levaram ao empobrecimento da classe trabalhadora, que as políticas sociais compensatórias foram incapazes de conter.

Nesta data é muito comum os movimentos negros denunciarem o racismo estrutural e suas consequências, e cobrarem do Estado e suas instituições “políticas públicas” que possam reverter esta situação, fundamentando estas reivindicações no princípio das reparações, por conta dos mais de três séculos em que durou o regime escravocrata.

Os anos passam e o que vemos são “políticas públicas” adotadas pelos governos deste Estado que está a serviço da burguesia que vão exatamente na direção contrária. Estes governos estão comprometidos com a sustentação do sistema que é capitalista, e do qual o racismo é um de seus pilares de sustentação. É uma grande ilusão acreditar que basta adotar um discurso radical racialista para que as coisas possam vir a mudar. Não há espaço para aplicação de políticas reformistas capazes de humanizar o capitalismo, onde uma parcela efêmera de negros se daria bem, e a grande maioria continuaria a queimar no fogo do inferno.

Esta é a posição dos que negam a importância da luta de classes como elemento estruturante de combate a todas as outras opressões que ajudam a sustentar o regime de exploração de classe, e a negação do combate ao racismo estrutural conectado com luta de classes que se impõe para a classe trabalhadora e a juventude, e confina esta luta no território de marcado pelo sistema. Constituem-se, portanto, em um obstáculo para a luta revolucionária da população negra.

É preciso dizer as coisas como são: não existem as mínimas possibilidades da maioria da população negra ter acesso a um modo de vida decente dentro do sistema capitalista. O centro da luta da maioria da população negra deve ser o combate intransigente para derrotar o sistema, que é fonte de todos os males aos quais somos submetidos todos os dias.

O processo de luta, realizado de forma organizada nas demandas reais do dia a dia, em defesa das reivindicações justas como: a defesa dos direitos democráticos, educação pública, gratuita para todos em todos os níveis, saúde pública e gratuita para todos, reforma agrária, demarcação das terras dos quilombos remanescentes, reforma urbana, emprego, salário decente, aposentadoria justa, fim da violência policial, são o que garantiria condições de vida decentes. Isso leva a um confronto direto com os governos e o Estado, o caminho para se construir um instrumento político de massa no qual os negros e não negros pobres se reconheçam, para lutarem com o objetivo de conquistar o poder, destruir o sistema e seu Estado e o racismo como instrumento de exploração e eliminação física de milhões de homens e mulheres.

O 20 de Novembro deveria estar servindo para a população pobre e negra estar discutindo e organizando a luta para enfrentar e derrotar o governo Bolsonaro que expressa os interesses da classe dominante, e colocar no chão o seu Estado e todas as instituições que o compõe. A nossa porta de saída desta ordem que nos explora a todos como classe trabalhadora está na revolução.

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