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Jair Bolsonaro e Sérgio Moro

A moral de Moro e Bolsonaro

Bolsonaro é um demagogo aventureiro. Prometeu e segue prometendo muitas coisas que não vai entregar. Uma delas é o combate à corrupção. A entrada de Sérgio Moro como ministro da Justiça supostamente simbolizaria isso.

Bolsonaro é direto. Em reunião com parlamentares do PSL ele explicou: questão ideológica é mais grave que a corrupção no Brasil”.

Contudo, a nomeação dos futuros ministros seguiu bem a linha “ideológica”. Assim é com o novo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), investigado por tráfico de influência, fraude em licitação e “caixa 2”, mas que é ligado diretamente aos planos de saúde privados. A manutenção do ministro da Controladoria Geral da União (CGU) de Temer é outro exemplo. Afinal, o homem que procurava dar “respeitabilidade” a Temer pode muito bem servir a Bolsonaro.

A parcialidade, os abusos, a ilegalidade que marcaram a atuação do judiciário e da Lava Jato para atingir seus objetivos políticos pró-burgueses, vão continuar agora com seu braço no poder executivo, através de Moro.

“Aos amigos tudo, aos inimigos a lei”, este é o lema que norteará a ação do governo. Outro caso ilustra bem isso: Onyx Lorenzoni, futuro ministro da Casa Civil, é réu confesso por “caixa 2”, crime que Moro já considerou “pior que desvio de recursos para o enriquecimento ilícito”. Mas no caso de seu futuro colega de ministério, a resposta de Moro foi de minimizar a gravidade do crime, pois “ele já admitiu e pediu desculpas”. Os réus condenados por Moro na Lava Jato ficaram sabendo com certo atraso que um pedido de desculpas bastaria para a absolvição.

Os marxistas não se iludem de que a luta por ética na política resolverá os problemas do proletariado. A corrupção é fruto do capitalismo decadente. É impossível moralizar este sistema, é preciso aboli-lo. O roubo dos cofres públicos tem suas formas ilegais, mas também suas formas legais no capitalismo. Os juízes que tinham um auxílio moradia mesmo morando em casa própria (Moro entre eles), conseguiram fazer aprovar um “reajuste” de 16,38%, com os ministros do STF e o Procurador Geral da República passando a receber quase R$ 40 mil por mês. Só pra comparar, o piso nacional dos professores é de R$ 2.455,35 mensais. Porém, essa conta chega a ser pequena se comparada com o roubo permanente da fraudulenta dívida pública, com juros altíssimos para enriquecer banqueiros e especuladores internacionais. Em 2017, R$ 986 bilhões foram destinados para pagamento de juros e amortizações da dívida. Já as privatizações, que Bolsonaro e Paulo Guedes querem levar até o fim, significam a entrega de empresas estatais e a exploração de recursos naturais para multinacionais a “preço de banana” – para lembrar, a Vale do Rio Doce foi vendida em 1997 por R$ 3,3 bilhões, quando apenas suas reservas minerais estavam calculadas em R$ 100 bilhões.

O governo Bolsonaro vai manter tudo isso que está aí. Ele mesmo é um velho político que usufruiu por décadas das benesses do cargo parlamentar, colocou a família no mesmo “ramo”, sem propor e fazer nada de novo. Entre os aliados e futuros ministros estão os políticos dos partidos tradicionais, além de ex-militares, fundamentalistas evangélicos e representantes do capital financeiro internacional. Para estes, todos os favores.

“Aos inimigos a lei”, e os inimigos são os jovens e trabalhadores que vão lutar contra as medidas de Bolsonaro. Este governo tentará aprofundar o caráter bonapartista do Estado, avançando nos ataques, na retirada de direitos, na repressão e criminalização das lutas populares. Deixará as PMs mais à vontade para cometer abusos e a justiça para ignorar as liberdades democráticas conquistadas, tentando aprovar leis de ataque como “Escola Sem Partido” e ampliação da “Lei Antiterrorismo”. Entretanto, por outro lado, este será também um governo instável, que terá que se enfrentar com uma classe trabalhadora que está desorientada, mas não está derrotada. A classe dominante teme que Bolsonaro seja a gasolina em uma situação política fervente. Por isso tenta controlá-lo dentro de certos limites.

O governo de Emmanuel Macron, da França, era apresentado pela burguesia internacional como um modelo a ser seguido para evitar a polarização social. Em pouco tempo teve que se enfrentar com mobilizações de estudantes e greves. Agora, o movimento dos coletes amarelos (gilet jaunes, em francês) explodiu massivamente nas ruas do país a partir da alta do preço dos combustíveis. Uma das faixas na manifestação em Paris dizia: Macron = destituição, governo = demissão, sistema = abolição.

A abolição do sistema, este é o sentimento que predomina entre as massas ao redor do mundo. Bolsonaro, assim como Trump, surfou neste sentimento para vencer, mentindo e iludindo. Mas a máscara irá derreter e o que se prepara é a ruptura de uma parcela significativa dos próprios eleitores de Bolsonaro com o governo que elegeram. Uma das primeiras medidas para mostrar serviço será a Reforma da Previdência. Em pouco tempo, a palavra de ordem “Fora Bolsonaro” poderá ganhar as ruas.

Para este cenário os militantes revolucionários devem se preparar, organizando a resistência e o combate contra o governo Bolsonaro. Estudando e mobilizando, construindo uma alternativa às direções conciliadoras, aos reformistas de esquerda e de direita, fortalecendo a Esquerda Marxista, seção brasileira da Corrente Marxista Internacional, a organização de combate que mantém firme os princípios, o método e o programa do marxismo. O chicote da contrarrevolução muitas vezes na história fez a luta pela revolução avançar. O ano de 2019 promete intensas lutas.

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