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A ferrovia sob ataque

Feliz Ano Velho

Conforme apresentado pelo camarada Allan Woods em artigo publicado pela Corrente Marxista Internacional (CMI), para um número sempre crescente de trabalhadores os desejos de um ano próspero não soam mais do que palavras vazias. No cenário atual de crise do sistema capitalista, a chegada de um novo ano não trás em si qualquer perspectiva de melhoras ou esperança de progresso para a imensa maioria da população. É o retrato perfeito da sinuca de bico em que o capital enfiou a humanidade. Em seu estágio imperialista, o capital arrasta para a beira do precipício todo conjunto da sociedade.

As massas seguem na luta

Com a crescente desmoralização das instituições burguesas, jovens e trabalhadores ao redor do mundo têm saído às ruas com o grito preso na garganta contra as diversas formas concretas que toma a exploração capitalista. De Norte ao Sul do esses milhões de jovens e trabalhadores têm posto em questão a própria existência do sistema capitalista. Movimentos dessa magnitude serviram também para expor grandes fragilidades do movimento de massas atual, o problema de crise de direção do proletariado se mostrou em toda sua grandeza, seja na ausência de um programa firmemente plantado no terreno do marxismo revolucionário entre esses movimentos espontâneos, seja no choque contra as direções reformistas que se põe como obstáculo ao movimento operário e tentam com todas as forças preservar o Estado burguês e restabelecer a confiança nessas instituições odiadas.

Nesse sentido, os processos de luta que observamos em nossa frente de intervenção entre os ferroviários formam um microcosmo, um laboratório, em que podemos observar tomar forma as tendências gerais apontadas pela CMI e pela Esquerda Marxista aqui no Brasil.

Os ataques direcionados aos ferroviários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) pelo governo estadual se conformam dentro do quadro do capitalismo em desintegração e da política de jogar o peso da crise em cima das costas dos trabalhadores. Na CPTM os trabalhadores estão desde o começo da pandemia tendo que garantir uma proteção minimamente efetiva contra os riscos de contaminação a partir do próprio bolso – uma vez que a empresa falhou miseravelmente na tarefa de fornecer à categoria equipamentos de proteção adequados – somado a isso temos a proposta de reajuste zero por parte da empresa e a ameaça de privatização das linhas 8 e 9 que segue a todo vapor.

Diante dessa sequência de ataques o que fazem as direções sindicais? Tudo em seu poder para desarmar a categoria para o combate, reafirmando a falácia de entrada em um período reacionário, propagada na leitura política dos reformistas diante da sua crise de representação – subproduto da própria crise que atravessam as instituições burguesas – essas direções têm ficado em silêncio diante da onda de ataques que sofre a categoria ou, quando muito, adotando uma postura legalista de encaminhar todas as lutas para dentro das instituições, em batalhas judiciais em que os trabalhadores estão em franca desvantagem. Conscientemente tentam, a todo custo, afastar os trabalhadores da luta nas ruas onde a classe trabalhadora pode melhor combater por seus direitos.

Essa política tem sido sistematicamente aplicada durante anos na categoria. O resultado é o esvaziamento constante das entidades sindicais que se convertem em cascas ocas, que buscam cada vez mais sua legitimidade como representantes da categoria não do fato de serem expressão real dos interesses dos trabalhadores, mas de um pedaço de papel emitido pelo Estado burguês. Esse esvaziamento dos órgãos sindicais ocasionados por uma política de capitulação e contenção dos ferroviários, vira novamente argumento para sufocar ou simplesmente se recusar a discutir alternativas de luta que desviem da máquina burocrática da justiça burguesa – como tem feito de maneira sistemática o sindicato Sorocabana desde sua sabotagem à greve geral contra a reforma da previdência. Se deixarmos correr da forma como está, os trabalhadores da CPTM só irão acumular perdas e mais perdas.

Um novo caminho

Não é possível entrar em um período verdadeiramente reacionário e de recuo tático da classe trabalhadora sem que primeiro nos sejam impostas grandes derrotas. A vitória de Bolsonaro em 2018 não foi essa grande derrota – embora os reformistas e democratas vulgares tenham visto como o sinal do fim dos tempos e a entrada em uma era das trevas –, ela foi uma expressão da confusão de milhões de brasileiros que, cada vez mais insatisfeitos com as instituições “democráticas” incapazes de dar resposta para a crise econômica e social que marcou praticamente a última década inteira, não encontraram representação em uma esquerda domesticada, que ao invés de propor uma saída para a crise através da construção de uma nova sociedade, procurou se agarrar com todas as forças à essas instituições odiadas.

O momento de crise do capital é o momento em que todas as contradições sociais se tornam agudas e visíveis até ao mais desatento dos observadores. Conforme se aprofunda a crise o momento do enfrentamento entre burguesia e proletariado se torna cada vez mais iminente e o resultado desse confronta vai determinar todo o período histórico subsequente.

Nessa luta, como disse o camarada Lenin, nossa organização é a única arma de que dispõe a classe trabalhadora. Sendo assim, se torna imprescindível uma compreensão clara de nossas tarefas e do momento histórico em que vivemos, entender que na CPTM e no mundo os reformistas de os matizes se constituem em obstáculos reais para a conclusão das lutas iniciadas pela juventude e pelos trabalhadores. A tarefa do dia é armar a classe trabalhadora de instrumentos com os quais seja possível se organizar para a luta iminente, isso significa superar as direções burocráticas em nossas frentes de intervenção, construindo as iniciativas de base como o Comitê de Luta Contra a Privatização da CPTM e o Comitê de Ação Fora Bolsonaro CPTM. A superação dos reformistas em nível nacional e internacional se dará através do combate pela construção de um partido revolucionário. Para isso convidamos todos a conhecer e a se somar nessa luta com a gente ingressando na Esquerda marxista, seção brasileira da Corrente Marxista Internacional (CMI).

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