A escancarada LUTA DE CLASSES durante a crise do coronavírus

“A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história da luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e jornaleiro, numa palavra, opressor e oprimido, estiveram em constante oposição um contra o outro. Realizavam uma luta ininterrupta, ora escondida, ora aberta, uma luta que sempre terminou ou numa reconstrução revolucionária da sociedade inteira ou na ruína de ambas as classes em luta.” (Manifesto do Partido Comunista – Karl Marx e Friedrich Engels)

A disputa de interesses que temos visto em Santa Catarina, no Brasil e no mundo sobre como agir diante da pandemia de Covid-19 é uma luta antiga, já descrita em 1848, por exemplo. Falamos da LUTA DE CLASSES, sobre a qual Marx e Engels explicaram no Manifesto do Partido Comunista.

Como exemplo, citamos Santa Catarina. Aqui, a classe exploradora – grupos de elite, patronais e representações de grandes empresários – se une contra a classe trabalhadora para impor o retorno ao trabalho e o fim da quarentena. Tais ações desconsideram as recomendações da Ciência e o aumento do número de doentes e mortes.

A quarentena no estado começou em 17 de março e permitia apenas o funcionamento de setores considerados essenciais, como farmácias, mercados, distribuidoras de água e gás, e postos de combustíveis. Porém, com o passar de alguns dias, o governador cedeu aos interesses da elite, autorizando a construção civil, profissionais liberais, o comércio de rua, restaurantes, hotéis e, a partir do dia 22 de abril, cultos, missas, shoppings, centros comerciais, restaurantes, exercícios em parques, praias e academias. É importante ressaltar que grandes fábricas não foram obrigadas a parar em nenhum momento.

No dia 22 de abril, com quase 1.100 pessoas infectadas pelo novo coronavírus em Santa Catarina e 37 mortos (sem contar os subnotificados por falta de testes), a vida passou a seguir quase normalmente nas ruas das cidades, pois o trabalhador precisa cumprir as ordens do patrão.

Sabemos que muitos dos que hoje saem às ruas para trabalhar o fazem porque precisam alimentar suas famílias e pelo medo do desemprego. Uma pesquisa do Sebrae/SC, divulgada em 20 de abril, mostrou que mais de 400 mil catarinenses já perderam seus trabalhos por causa da crise. O auxílio do governo federal é de vergonhosos R$ 600, valor bem inferior ao salário mínimo nacional e ainda mais abaixo dos R$ 4.366,51, considerado como o mínimo necessário para uma família de quatro pessoas sobreviver, segundo o Dieese.

Enquanto isso, quase ninguém fala sobre os juros da dívida pública (interna e externa), que chegam a mais de R$ 700 bilhões do Orçamento Federal anual – montante que não inclui as dívidas dos estados e municípios, os custos de rolagem da dívida, calculados em R$ 1,6 trilhão para 2020.

Essa dívida é o centro da falta de dinheiro para salvar vidas e já foi paga muitas vezes. Ela significa a entrega eterna de muito recurso público para os bancos e o mercado financeiro, enquanto milhões sofrem, não apenas com os horrores do novo coronavírus, mas com o desemprego, a fome, a falta de moradia, educação, água potável, saneamento básico…

Sindicatos, centrais sindicais e entidades estudantis estão quase todas caladas. Não se veem indicativos de greves e mobilizações para preservar empregos e direitos nem para exigir a quarentena e a preservação da vida dos trabalhadores. Reina uma ideia de unidade nacional para enfrentar o vírus, como se fosse possível conciliar os interesses dos patrões por lucro e dos trabalhadores por sobrevivência.

Essa é a LUTA DE CLASSES da qual falavam Marx e Engels. Ela continua firme e forte, com uma classe (elite) espancando como sempre os abaixo de si. Essa situação mudará quando compreendermos isso, nos unirmos e organizarmos. Neste momento no Brasil, essa luta passa irremediavelmente por derrubarmos o governo Bolsonaro, que declara que o “Brasil não pode parar, porque devemos salvar a economia”.

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