A economia planejada em tempos não só de pandemia

Artigo produzido por um Comitê de Ação pelo Fora Bolsonaro. Leia mais artigos produzidos pelos comitês aqui.

Pandemias acontecem em todas as sociedades. A maneira como se lida com ela, no entanto, pode ser um marco que nos ilustra quais os interesses estão na lista de prioridades para serem atendidos. No Brasil, uma das primeiras medidas tomadas pelo governo durante a pandemia foi dedicar R$ 1,4 trilhão para salvar bancos — que, em primeira instância, não produzem absolutamente nada. Somado a isto, vimos fraudes e superfaturamento em licitações de respiradores e insumos médicos para hospitais, e presenciamos um mercado paralelo de negociatas com equipamentos. Escancarado e sem pudor, a face do atual sistema se mostrou, uma outra vez, comercializando com a vida dos trabalhadores para “girar a economia” e deixar “a boiada passar”.

Também há, é verdade, uma solidariedade que transcende monopólios, individualismos e competições fomentadas nestes dias. Em vários países, jovens e trabalhadores comuns se colocaram à disposição para ajudar os necessitados e se ofereceram para assistir vizinhos que não podiam sair de casa para buscar remédio e comida. Mutirões foram organizados para dar alimento a caminhoneiros e aos profissionais da saúde que não tinham tempo para buscar uma refeição. Em vários lugares, enquanto bairros abastados contam com melhores condições de saúde e saneamento para enfrentar a pandemia, é nas comunidades periféricas, sem estrutura e onde a saúde muitas vezes não chega, que encontramos esta solidariedade, quebrando o mantra de que “estamos no mesmo barco”. Não estamos.

No momento atual, tudo isso deve ser comparado ao papel que exerce o Estado, a quem ele presta assistência e a como um punhado de banqueiros e empresários entende uma pandemia e a vida das pessoas. Diante desta comparação, é inevitável concluir que o mundo seria melhor e mais solidário se estivesse sob o controle daqueles que conhecem sua própria segurança e suas próprias necessidades: os trabalhadores. A partir daqui, também inevitável seria imaginar como a reorganização da economia e seu planejamento poderiam salvar muitas vidas.

Atualmente, vigora um sistema em que a produção é regida pelo acúmulo de capital, cujo destino é assegurado a conta dos capitalistas. E isto, o lucro, é gerado ainda que custe vidas, como foi em Brumadinho, como foi em Mariana e como é agora com a pandemia pela Covid-19. Nestes casos, qualquer trabalhador não colocaria seu próprio bem-estar em risco se não tivesse que pensar em sua subsistência; nenhum trabalhador pensaria em produzir mais do que a sociedade demanda nestes momentos apenas para atender aos interesses financeiros de especuladores e executivos empresariais. Se estes trabalhadores possuem o poder de interromper uma produção através da sua organização, por que não transferir ao trabalhador o poder da própria produção? É aqui onde entra a planificação da economia.

Nesta economia planejada, os trabalhadores poderiam reorganizar a produção para fornecer todas as demandas imediatas nesta situação, como assistência médica, remédios, leitos e profissionais de saúde. Neste mundo, sem as parafernálias fronteiriças, os Estados cooperariam para ajudar uns aos outros a resolver todas as crises, no lugar de competirem entre si. Nesta realidade, não seriam patrões nem generais que decidiriam emplacar medidas e decretos que coloquem em risco a vida de quem trabalha. 

São os trabalhadores, melhor do que ninguém, que sabem o que precisa ser produzido e quais são os serviços essenciais que precisam estar em vigor.

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