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Zé Dirceu: De Cuba ao Brasil

Em artigo do dia 9 passado (ler em http://blogesquerdamarxista.blogspot.com/2012/02/ze-dirceu-defende-as-privatizacoes.html) o camarada Bicalho explicava que concessão e privatização, embora juridicamente sejam conceitos diferentes, ambos implicam em passar o controle e a exploração para a empresa privada. Seguindo a série de artigos de críticas às posições de Zé, Bicalho explica abaixo que a base dos argumentos do companheiro se assenta na defesa da propriedade privada dos grandes meios de produção, inclusive para Cuba.

Luiz Bicalho
José Dirceu, durante a ditadura militar, esteve exilado em Cuba. Agora, muitos anos depois, Zé resolve acompanhar a situação de Cuba e elogiar as medidas econômicas tomadas pelo governo Cubano. E, na mesma data, no Blog do Zé, falando do Brasil, repete o mesmo dogma que ecoa por todos os lados na maioria da direção do PT: conceder não é privatizar. O que estes dois artigos têm em comum? A defesa da propriedade privada, do mercado, como a única saída para o mundo. O Zé que um dia defendeu o socialismo e o comunismo, agora é um defensor ferrenho da propriedade privada, da livre iniciativa, do capital. 
No artigo sobre Cuba, Zé cita como um “fato corriqueiro” que entre meio milhão e um milhão de pessoas serão demitidas. Para ele parece ser coisa pequena e nada demais. Afinal, para quem tem o mercado como a meta final, o essencial é que Cuba esteja se tornando mais atrativa para empresas como a Odebrecht e vai se abrir mais e mais ao capitalismo.
Aliás, no artigo sobre as “concessões” (onde Zé insiste em dizer que as mesmas são diferentes das privatizações) ele afirma: “Na era do tucanato, as empresas eram torradas nas bacias das almas a preços de compadre. Hoje, os ganhos obtidos nos leilões são destinados ao desenvolvimento do país.”

Os que viveram a era do tucanato lembram bem disso: o dinheiro das privatizações seria usado para o bem do Brasil, para pagar a dívida, para permitir que o País investisse no desenvolvimento. A retórica, 15 anos depois, é a mesma. A única diferença é que o Zé de 15 anos atrás posicionava-se contra as privatizações e dizia que o problema de Cuba era o bloqueio econômico dos EUA.
Os anos passaram e agora Cuba “vai bem” ao demitir servidores públicos e abrir a economia para as grandes empresas. E conceder não é privatizar, embora tudo termine na mão da iniciativa privada. Mudou o mundo? Parece mais é que quem mudou foi o Zé.

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