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Wall Street assume governo argentino

Eleito Macri, representantes de Wall Street assumiram os postos do aparato de Estado do vizinho latinoamericano.

“Wall Street assume Argentina (outra vez)”, segundo artigo da agência de notícias econômicas e financeiras norte americana, a Bloomberg, em 10/03/2016, quando a equipe econômica argentina anunciou um acordo com os credores internacionais em que se comprometia a pagar a dívida a vista. Segundo a Bloomberg, “Wall Street volta a estar a favor desta nova Argentina, e com grande ânimo porque, desde sua vitória em novembro, o presidente Mauricio Macri, ex-empresário, encheu sua administração com gente dos setores exportadores, financeiros e executivos corporativos”.

Já o Financial Times diz que a “Argentina recupera sua relação com Wall Street”, em que explica da mesma maneira as novas relações do governo argentino com o mercado financeiro internacional.

O fato é que, nomeados pelo novo presidente Maurício Macri, ex-executivos de bancos internacionais assumiram diretamente postos estratégicos na estrutura do governo. Eles são 27 executivos e trabalharam em Wall Street. São executivos saídos diretamente dos bancos e Fundos de Investimento internacionais.

Agora, estão no Ministério da Fazenda e Finanças, no Banco Central, na Comissão Nacional de Valores, Ministério de Seguridade Social e Previdência (ANSES), na Unidade de Informação Financeira (que investiga lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo), YPF (Petroleira estatal), Banco Nación (equivalente ao Banco do Brasil), no Ministério de Desenvolvimento Social e outros setores importantes.

Normalmente os governos burgueses dos países atrasados e dominados, como Argentina e Brasil, colocam alguns homens do mercado financeiro em alguns postos do governo. E dali estes fazem seu lobby, “aconselham” e “informam” os funcionários públicos de como o “Mercado” espera que atuem. Só que dessa vez foi como uma tomada de governo. Eles vieram com tudo e foram colocados diretamente no controle dos principais organismos estatais.

Mesmo no governo entreguista de Carlos Menem, que disse que a Argentina tinha “relações carnais com os EUA”, não se viu algo parecido. Não se tem notícia de algo assim na América Latina. Eles assumiram quase todos os postos chaves para seus próprios negócios e começaram a trabalhar rápido.

Fizeram operações de trocas de Títulos da Dívida (Tesouro Nacional e Banco Central), lançamento de títulos para pagar os chamados Fundos internacionais para quem a Argentina devia, e assim por diante. Em poucos meses se calcula que os bancos que representam ganharam mais de 700 milhões de dólares com estas operações segundo informou a agencia de informação financeira Bloomberg. E, agora, se preparam para privatizar tudo que seja estatal, inclusive a Seguridade Social e Previdência.

O JP Morgan é o que tem mais gente no governo, com quatro executivos. Os outros são do Goldman Sachs, Morgan Stanley, HSBC, Citi, Deutsche, Chase, Barclays, Merrill Lynch. Dos bancos argentinos apenas o Banco Galícia conseguiu por gente sua no governo. Parece que os que mandam mesmo, os de Wall Street, decidiram tomar até este setor da pífia burguesia argentina.

Talvez por isso o presidente da União Industrial Argentina (UIA) perguntou se Macri estava tentando suicidar-se. E o Financial Times publica a declaração de um diretor do Fundo Advanced Capital, Agustín Honig, que lembrou que na crise de 2001 o presidente Fernando de la Rúa teve que fugir de helicóptero da Casa Rosada: “O governo de De la Rúa fez o que Wall Street disse que tinha que fazer no país, e explodiu”.

Esperamos que desta vez o helicóptero não chegue a tempo.

Artigo publicado na edição 90 do jornal Foice&Martelo, de 15 junho de 2016.

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