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Vitorioso Seminário na Flaskô fecha o ano com chave de ouro

Editorial da edição nº 27 do Jornal Luta de Classes.

Realizou-se na Flaskô, no último dia 28 de Novembro, com 150 participantes, o Seminário em Defesa da Estatização da Fábrica Ocupada pelos Trabalhadores, em Defesa da Re-estatização da Embraer, da Cia. Vale do Rio Doce, das Ferrovias e pelo Monopólio Estatal da Petrobrás, do petróleo, do gás e de todo o Pré-Sal, em defesa dos Empregos.

O Seminário foi aberto perto das 10 horas da manhã no espaço esportivo da Fábrica de Cultura e Esportes da Flaskô, onde a Associação Dib ensina suas múltiplas atividades esportivas e educacionais, voltadas para os moradores de Sumaré e região.

A composição da mesa por si só indicava a magnitude do Seminário, que, realizando a Frente Única Operária pode dar os passos necessários para avançar nas lutas em torno das quais o Seminário foi organizado.

O conjunto das entidades e personalidades ali presentes demonstra a força de atração da luta da Flaskô e a magnitude do Seminário. Basta verificar a mesa do seminário listada abaixo e constatamos o largo espectro de unidade conseguida:

  • Serge Goulart, Coordenador Nacional do Movimento das Fábricas Ocupadas/Brasil;
  • Pedro Santinho, Coordenador do Conselho Operário da Fábrica Ocupada Flaskô;
  • Sergio Novaes, representando a CNQ (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Químico da CUT)
  • Faustão, pela Direção Nacional da CUT;
  • Herbert, Vice-Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos / Conlutas;
  • Renato Simões, da Secretaria Nacional de Movimentos Sociais do PT;
  • Cynthia Pinto, da Coordenação do MNDH (Movimento Nacional dos Direitos Humanos);
  • Marcela Moreira, do Diretório Estadual do PSOL de SP e do Instituto Cultural Voz Ativa;
  • Emanuel Cancella, Secretário Geral do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro e da FNP;
  • Danilo Ferreira, da direção do Sindicato dos Petroleiros do Estado de São Paulo;
  • Adel Daher Filho, da direção do Sindicato dos Ferroviários de Bauru, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul;
  • Alexandre Mandl, Advogado do Movimento das Fábricas Ocupadas;
  • Sebastião, pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra.

No plenário estavam presentes dezenas de jovens vindos de diferentes Universidades. A Juventude Revolução da Esquerda Marxista, o DCE e alguns Centros Acadêmicos da Unicamp, o ITCP, o CA da Filosofia da USP, UMES de São Bernardo do Campo, Movimento 27 de Março (trabalhadores da cultura), UEE-SP, movimentos de cooperativados, o vereador Dito Lustosa (PcdoB de Sumaré), além de moradores da Vila Operária e um representativo grupo de trabalhadores da Flaskô.

Abrindo os debates falou o companheiro Serge Goulart, que fez um vibrante e conciso relato das lutas que originaram o Movimento das Fábricas Ocupadas quando ocorreram as ocupações da Cipla e Interfibra em Joinville-SC.

Serge indicou que as ocupações em luta pela estatização transformaram-se em algo inaceitável para os patrões, pois os trabalhadores demonstraram que é possível construir uma sociedade sem patrões, reduzindo a jornada de trabalho para 30 horas sem redução dos salários. Para ele, isso tudo tornou-se insuportável para os patrões e levou à tomada militar das fábricas pelas tropas da Policia Federal em maio de 2007.

Mas o exemplo dessa luta permanecerá para sempre na memória dos trabalhadores e segue vivo na resistência heróica dos trabalhadores da Flaskô. Serge destacou ainda a necessidade de construir a unidade na ação entre todo o movimento dos trabalhadores, contra a criminalização dos dirigentes das fábricas ocupadas, e que essa unidade, representada ali na mesa, deveria ampliar-se para garantir a re-estatização da Vale e Embraer, bem como impor o restabelecimento do monopólio estatal sobre o petróleo, o Pré-sal e pela estatização da Flaskô.

Serge comparou a luta das ocupações com uma brasinha cheia de cinzas por cima, que parece estar apagada, que quando soprada voltará a produzir a chama que se espalhará para todas as fábricas.

Sergio Novaes, da CNQ, fez uma importante intervenção. Reproduzimos alguns trechos:

“Temos uma decisão do congresso da CNQ: nós precisamos de atitudes concretas no que diz respeito aos processos de criminalização. Os antigos donos estão tranqüilos e temos que responsabilizá-los. Temos que aprofundar a discussão na CUT para dar passos práticos… Vocês têm o compromisso da CNQ de ajudar nos processos, na matéria prima, para revitalizar esta grande luta, isso aqui deve ser um pólo de visitas para nossas comissões de fábricas… isto é o melhor curso de formação para a base… vendo esta luta… ela é o oxigênio para continuarmos no movimento sindical”.

Emanuel Cancella abriu sua fala com a seguinte saudação:

“Queria saudar os operários no tratamento que estão dando a esta fábrica, desde a redução da jornada de trabalho para 30 horas até a criação da Fábrica de Cultura, isto é um projeto revolucionário, por isso nossa solidariedade a esta luta”.

E falando sobre a luta em defesa da nacionalização do petróleo, declarou:

“Devemos abrir uma grande campanha contra a privatização do Estado, em defesa da presença do Estado em todos os setores da economia. A Petrobrás, a partir de seus trabalhadores, desenvolveu tecnologia e descobriu o pré-sal. Nos movimentos sociais temos uma tese: todo o petróleo, do Pré-sal ou não, tem que ser de todo do Brasil… a constituição diz que todo o subsolo é da União.”

Danilo Ferreira da Silva, companheiro da direção dos petroleiros de SP, com grande emoção disse: “As criminalizações estão por toda a parte. Nós temos mais de 100 trabalhadores punidos e a Petrobrás quer oferecer meia anistia…”, e falando sobre o petróleo explica que: “…no governo Lula os leilões do Petróleo intensificaram-se e leilão é privatização.”

Hebert, vice-presidente dos metalúrgicos de SJC prestou um rico depoimento:

“…eu contei aos trabalhadores da EMBRAER sobre a experiência da Flaskô, expliquei como na prática seria a jornada de 30 horas, como vocês têm aqui, vi na expressão deles e no pensamento deles, a imaginação de cada um de como seria se eles trabalhassem também 30 horas. Hoje eles trabalham 43 horas na Embraer…. entendemos que a luta que temos que levar é pela re-estatização da Embraer.”

O companheiro Renato Simões do PT fez o plenário tremer de emoção quando declarou:

“… quero parabenizar os companheiros da Flaskô… em muitas oportunidades de crise na Cipla e na Flaskô, dialogando com os companheiros da Esquerda Marxista nós e muitos setores da esquerda no Brasil tínhamos dúvidas sobre a viabilidade de colocar o tema da re-estatização como um tema estratégico para a luta em relação ao desemprego. Ocorreram muitas experiências de autogestão, de cooperativas de trabalhadores administrando as empresas, e acompanhamos muitas em Franca, em São Paulo, mas a dúvida foi resolvida pela história… hoje o tema da re-estatização e da estatização de fábricas já esta colocado pela própria crise do capital. Eu os parabenizo pelo fato de que vocês não abriram mão desta perspectiva, ainda que a correlação de forças anterior não fosse de uma perspectiva imediata… isto abre caminho para muitas questões novas… nós precisamos construir a transição da crise do capital para a alternativa socialista”.

Perdoem-nos os leitores, mas no espaço que dispomos [editorial do Jornal] não podemos relatar o conjunto das falas. Elas serão reproduzida e divulgadas no blog da Flaskô. Serge Goulart fez a fala de encerramento apresentando um conjunto de propostas que foram construídas a partir dos debates fraternos e leais ali realizados.

Propostas consensuadas no Seminário

1. Organização de uma Coordenação com os componentes da mesa para dar prosseguimento às campanhas que desenvolveremos em nossas bases.

2. Apoiar o projeto de lei de anistia contra as medidas que pretendem criminalizar o Movimento das Fábricas Ocupadas (em particular: Pedro Santinho, Serge Goulart, Carlos Castro e Chico Lessa) e ampliar o debate de um Projeto de Lei pela anistia a todas as perseguições dirigidas contra os movimentos sociais e sindicalistas.

3. Apoiar um Projeto de Lei Federal pela estatização da Fábrica Ocupada Flaskô (em elaboração pelos trabalhadores).

4. Apoio ao Projeto de Lei Municipal pela declaração de utilidade pública de todos os bens móveis e imóveis da Flaskô, sobretudo tendo em vista o caráter social da luta, a existência da Vila Operária e da Fábrica de Cultura e Esportes.

5. Participar e preparar o Encontro Mundial de Trabalhadores de Fábricas Recuperadas na Argentina para o final de 2010.

6. Participar da preparação das sessões nacionais do Tribunal Internacional contra a Criminalização dos Movimentos Sociais.

7. Impulsionar desde a base nas escolas, nas fábricas e nos bairros a campanha pela Petrobras 100% estatal e todo o Pré-sal.

8. Impulsionar a campanha pela re-estatização da Embraer, denunciando a continuidade das demissões com dinheiro público do BNDES.

9. Prestar toda solidariedade à luta dos ferroviários contra as demissões, pela readmissão dos demitidos. Retomar a discussão sobre revitalização e re-estatização das Ferrovias.

Ao final foi tocado e cantado o Hino da Internacional. Todos de punhos erguidos e com mais vontade para prosseguir a luta!

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