Início / Artigos / Outras Análises | Ver Mais / Arte & Cultura / Vida Longa ao Centro Cultural Mario Pedrosa!

Vida Longa ao Centro Cultural Mario Pedrosa!

No dia Internacional dos Trabalhadores, com discussão política e muita arte, foi inaugurado em São Paulo o Centro Cultural que leva o nome do militante revolucionário e crítico de arte, um dos fundadores da 4ª Internacional e do PT: Mario Pedrosa!

Na Rua Tabatinguera, número 318, próximo ao metrô Sé em São Paulo, em pleno dia 1º de Maio, dia internacional dos trabalhadores (mais sobre o dia 1º de Maio aqui), foi inaugurado o Centro Cultural Mario Pedrosa. Intencionalmente construído e organizado para a abertura nessa data, o Centro Cultural nasceu do trabalho coletivo dos militantes da Esquerda Marxista e de trabalhadores da cultura, militantes e trabalhadores que vêem na arte uma valiosa aliada à participação ativa e consciente na preparação para a Revolução. Um Centro Cultural feito por trabalhadores e para os trabalhadores.

Por volta das 16h, após o tradicional 1º de Maio da CUT, as atividades tiveram início no novo Centro Cultural com uma rápida explanação sobre quem foi Mario Pedrosa e também sobre a origem do 1º de Maio como Dia Internacional dos Trabalhadores. Em seguida teve lugar um relevante debate sobre a Revolução Venezuelana, com Caio Dezorzi e Marília Carbonari, militantes da Esquerda Marxista que viveram importantes momentos de organização da classe trabalhadora na Venezuela, como o Congresso do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Tiveram a sensibilidade e clareza de apresentar aos cerca de 50 companheiros(as) presentes (estudantes, artistas, trabalhadores, sindicalistas, militantes do PT) o contexto da Revolução em curso no país vizinho além de questões sobre a V Internacional chamada pelo presidente Chávez (saiba mais sobre a V Internacional aqui), sobre o papel da mídia, da cultura, do movimento estudantil na Venezuela e os perigos que ameaçam a revolução.

O camarada Caio falou ainda sobre o Jornal Lucha de Clases que foi lançado recentemente em Caracas e trouxe duas camisetas comemorativas do 13 de Abril que foram rifadas e o dinheiro revertido para o novo Centro Cultural (leia aqui o relato de viagem do camarada sobre a Venezuela).

Na seqüência, permeados pelo coquetel de inauguração, todos os presentes puderam desfrutar do trabalho visual do artista plástico Pato: um grafite feito exclusivamente para a inauguração do Centro Cultural e exposição de pinturas e obras cinéticas interativas, entre elas: “A vida errante” e “A vida inerte”. A Livraria Marxista, localizada no mesmo endereço e impulsionadora do Centro Cultural Mario Pedrosa, esteve generosamente acessível, compondo o agradável ambiente de encontros, leituras, descobertas de obras e textos marxistas.

O chorinho de Majó (pandeiro), Sérgio (flauta) e Diego (violão) nos presenteou com repertório de Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga, Mozart Terra, entre outros. O show do Rainer Pappon Trio (Rock Instrumental) abalou as estruturas do Centro Cultural, com Jimmy Pappon nos teclados, Rainer Pappon na guitarra e Mario Conte na bateria; com músicas de King Crimson entre composições do próprio Rainer: “Uau”, “Na Padaria”, “A vida inteira”, “Perdão”.

O trio Abaporu, composto por Richard Fermino (palhetas), Itamar Pereira (contrabaixo elétrico) e Mario Conte (bateria) trouxeram o som de Egberto Gismonti, “Cego Aderaldo”; “Capivara”, “Tacho”, “Viva o Rio de Janeiro” de Hermeto Pascoal; “Grândola, Vila Morena” de Zeca Alfonso – que foi senha para o avanço da MFA (Movimento das Forças Armadas) no dia 25 de Abril de 1974, conhecida como a Revolução dos Cravos (Portugal).

E, como não poderia faltar na inauguração do Centro Cultural Mario Pedrosa, houve a roda de samba chacoalhada por integrantes do grupo Antropofágica, por Frederico César (clarineta), Lucas Vasconcelos (cavaquinho e voz), Thiago Vasconcelos (violão e voz), Bruno Mota (violão e voz) e Bruno Miotto (caixa e rebolo), fechando a programação com músicas de Adoniran Barbosa e o hino “A Internacional” em ritmo brasileiro. Foi uma completa confraternização!

Esteve presente também o companheiro José Carlos Miranda, da coordenação nacional do MNS (Movimento Negro Socialista) e pré-candidato a Deputado Estadual pelo PT, que fez uma saudação lembrando a trajetória de Mario Pedrosa.

Todo esse acontecimento não ocorreria também sem a presença do público, sem o interesse das pessoas presentes em compartilhar e construir um espaço de reflexão e apreciação de manifestações culturais e políticas intrínsecas às necessidades humanas. Assim, o Centro Cultural presta uma homenagem a Mario Pedrosa, grande crítico de arte e militante trotskista, que entre muitos feitos em prol da emancipação da classe trabalhadora, participou da Conferência de fundação da IV Internacional em 1938, foi o primeiro filiado do Partido dos Trabalhadores, bem como um dos responsáveis pela elaboração da carta de princípios e manifesto de fundação do PT.

Foi grande a animação pela inauguração desse novo espaço, deixando os cerca de 100 militantes, artistas e apreciadores que passaram pelo evento com um gosto de “quero mais”. Por isso, debates, palestras, ciclos de formação, obras das diferentes linguagens (visuais, cênicas e musicais) serão fomentados no Centro Cultural Mario Pedrosa, tendo como base existencial a contribuição tanto financeira quanto artística de trabalhadores e militantes. É um Centro Cultural independente da burguesia, para fomentar a arte independente.

Com a pretensão de não cobrar ingresso, o Centro Cultural só poderá viver e crescer com a contribuição voluntária de trabalhadores e jovens. Por isso, a arrecadação já começou na própria inauguração, com rifas e passando o chapéu. A venda de livros, revistas, jornais, DVDs e camisetas na Livraria Marxista também ajudam a manter o espaço.

“O que queremos: a independência da arte – para a revolução, a revolução – para a libertação definitiva da arte”. (Manifesto Por Uma Arte Revolucionária Independente de André Breton e Diego Rivera – 1938).

Vida Longa ao Centro Cultural Mario Pedrosa! Viva a luta dos trabalhadores!

=======
Para conferir a programação das próximas semanas do Centro Cultural Mario Pedrosa, acesse o blog: www.centroculturalmpedrosa.blogspot.com

Deixe seu comentário

Leia também...

A Terceira Margem – Crítica

Ouvi algumas histórias sobre mulheres e crianças de tribos indígenas serem pegas no laço. Os …

Deixe uma resposta