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VI Congresso do PT prenuncia mudanças sem alterar reformismo

O PT pretende discutir em sua direção e no seu congresso como derrubar as medidas antipopulares que tramitam no Congresso Nacional. Mas como farão isso?

A Direção Nacional do PT, decidiu realizar em abril de 2017 o VI Congresso do partido. As várias tendências do partido veem na realização do Congresso, a oportunidade de fazer um balanço dos erros cometidos pela direção partidária e pelo governo, bem como avaliar o que fazer para resgatar a confiança de sua base social.

Falam da necessidade de reinventar o PT, de garantir autonomia aos movimentos sociais, de desenvolver uma atuação no Congresso Nacional para tentar derrubar as reformas do governo Temer, de lutar por eleições diretas para presidente, etc.

Algumas dessas posições revelam a doença mortal que impregnou e levou à falência do PT: o reformismo. O PT nasceu como um partido operário independente. Um partido sem patrões. Onde os trabalhadores, sob a base da independência de classe, buscavam construir um instrumento de luta e organização que rompesse com esse sistema de exploração.

No entanto, as ideias reformistas defendidas por várias tendências e seus dirigentes tomaram conta do partido e o afastaram dessa vocação revolucionária. A adoção dessa linha política levou o PT através de sua direção a adaptar-se ao sistema capitalista. Defenderam a todo custo as instituições e o Estado burguês.

Diante dessa opção política, a direção do PT passou a defender as mais estranhas e vergonhosas políticas de aliança com a burguesia e seus partidos.

Alimentando a falsa ilusão de que só com essa política de conciliação de classes haveria avanços para a classe trabalhadora, foram destruindo gradativamente o caráter de classe do PT e o levando à destruição.

A história é prova de que conquistas efetivas e permanentes para a classe trabalhadora só aconteceram quando a classe toma o poder em suas mãos. Todos os exemplos da história do movimento operário demonstram cabalmente que sempre que as organizações da classe se aliam à burguesia, as migalhas distribuídas nos tempos de bonança são substituídas por ataques brutais aos direitos e conquistas dos trabalhadores quando o sistema entra em colapso.

Uma clara ilusão dos reformistas é pensar que, para resolver os problemas do partido ou da classe trabalhadora, basta fazer uma nova eleição. Várias lideranças do PT e outros dirigentes de esquerda vêm defendendo a proposta de eleições diretas para presidente. Esse tipo de posição política, ao fim e ao cabo, só tem um objetivo: tentar salvar e dar novo folego às instituições podres do sistema vigente, que cada dia mais é odiado pelos explorados.

Não, a classe trabalhadora não precisa de mais eleições para resolver seus problemas. As eleições no estado burguês não têm por objetivo mudar nada. Almejam tão somente manter o controle da burguesia sobre a classe trabalhadora. Pois no capitalismo quem decide não são os trabalhadores e suas direções reformistas. É a burguesia. É o capital.

Toda essa ilusão sobre a politica de conciliação de classe foi por terra, a partir da crise internacional do capitalismo iniciada em 2008/2009. A burguesia não tem qualquer perspectiva de solução para a crise até o momento. Para manter seus lucros, ela ataca brutalmente os direitos e conquistas da classe trabalhadora. Essas medidas de interesse da burguesia, embora já estavam em curso durante o governo do PT, com Temer estão sendo aceleradas e aprofundadas.

O PT pretende discutir em sua direção e no seu congresso como derrubar as medidas antipopulares que tramitam no Congresso Nacional. Mas como farão isso? Foi justamente o partido que iniciou a aplicação dessas medidas antipopulares que levaram a classe trabalhadora e a juventude a se afastar e levar a sigla à falência. São as consequências por ter desenvolvido uma política reformista de adaptação ao capital.

Está claro. Não é possível agradar a dois senhores. Principalmente em tempos de crise mundial do capitalismo. O PT pode até tirar resoluções de combate às medidas antipopulares. Mas, essas resoluções internas não terão consequências efetivas.  Sabemos que o que pode impedir ou reverter os ataques aos direitos da classe não é o número de deputados e senadores supostamente de esquerda que a classe tem no Congresso Nacional. Mas, sim, a capacidade de mobilização, unidade, organização e luta da classe trabalhadora e da juventude nas ruas.

Os poucos avanços que foram conquistados na Constituição de 1988 não foram determinados pelo número de representantes de esquerda que estavam no Congresso. Embora saibamos que ter representantes marxistas no parlamento burguês seja importante, o que é determinante para obter avanços é a capacidade de mobilização, unidade, organização e luta dos explorados.

Os dirigentes do PT, para não assumirem seus erros políticos, falam em golpe. Negam-se olimpicamente a reconhecer que tudo está como está por que a linha política adotada pela direção reformista do partido freou os movimentos sociais, se afastou de sua base social, para aplicar uma linha política de colaboração de classes com a burguesia. Essa política reacionária do partido levou a classe trabalhadora e principalmente a juventude a romper com o PT.

Esses últimos, diante da adaptação de suas velhas organizações, buscam uma saída. Mas, ainda não encontraram uma alternativa que lhe de segurança para combater de maneira unificada. Reagem quando necessário, por categoria ou seguimento. Os explorados estão exercitando seus músculos para os combates que virão.

Cedo ou tarde, a classe trabalhadora e a juventude, guiadas por suas necessidades materiais, vão se levantar para combater por seus interesses gerais. E nesse combate, vão precisar e construirão novas formas de lutar. Esse tem sido um traço marcante nas mobilizações de resistência em nível internacional nos últimos anos.

Nós marxistas nos entendemos como parte da classe trabalhadora, que a ajuda a cada vez mais ter compreensão da necessidade de avançar na construção de uma organização revolucionária, que sobre a base da independência de classe, da luta pelas reivindicações mais sentidas, ajude as massas a destruir este sistema podre e construir uma sociedade sem explorados nem exploradores.

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