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“Vagão das mulheres” e o problema da superlotação nos transportes públicos

A discussão acerca do transporte público e suas tantas repercussões na sociedade é reacendida com um projeto de lei que prevê a criação de vagão exclusivo para mulheres no Metrô e nos trens.

A discussão acerca do transporte público e suas tantas repercussões na sociedade é reacendida com um projeto de lei que prevê a criação de vagão exclusivo para mulheres no Metrô e nos trens. Ele foi aprovado no último 3 de julho na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) e precisa ser sancionado pelo governador Geraldo Alckmin para entrar em vigor.

O “vagão rosa”, como é apelidado o projeto, tem o intuito de “proteger as usuárias de assédios sexuais” tem previsão de funcionar diariamente, exceto nos fins de semana e nos feriados, e caso metrô e trem não cumprirem as normas, estarão sujeitos a penalidades.

Trata-se de um projeto que mascara e não soluciona uma série de problemas, a principal delas é a falta de investimento no transporte público, causado pela concessão do próprio governo estadual para empresas privadas que não estão interessadas em melhorias voltadas para a população e sim com seus próprios lucros. A consequência dessa política é um transporte que não atende as demandas da população e que gera uma série de transtornos, a mais sentida é o fato de pagarmos tão caro e irmos extremamente desconfortáveis em vagões abarrotados de gente para simplesmente nos locomover. Essa situação atrelada a uma sociedade machista e patriarcal gera em especial nas mulheres, o assédio e em casos mais graves, estupros dentro desses espaços. Dados preocupantes da Delegacia do Metropolitano (Delpom) – órgão responsável por ver crimes cometidos nos trens e metrôs no estado de São Paulo – mostram que só no começo desse ano, pelo menos 33 homens foram presos acusados de assédio e/ou estupro nesses locais.

A política e dos vagões exclusivos já é realizada desde de 2006 na cidade do Rio de Janeiro e desde de 2012 no Distrito Federal. A experiência mostra que na prática, um único vagão não dá conta de comportar todas as mulheres usuárias, além de muitos não respeitarem tal lei.

Defender políticas como essa não promovem uma real integração saudável entre os diferentes gêneros e não é uma real solução para o machismo presente em nossa sociedade, pelo contrário, acirram uma convivência nos moldes “guerra dos sexos” e que não levam à uma luta que convém a todos, independente do gênero: a luta conjunta por melhorias no transporte público para que seja realizado por órgãos públicos, sem cobrança de tarifa, que atendam a toda população e para uma real integração da mulher em todos os espaços, sem segregações, sem classes sociais, numa sociedade justa e igualitária.

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