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Unidade para enfrentar a burguesia

“a burguesia não está sendo capaz de unificar-se em torno de um projeto próprio de enfrentamento com os trabalhadores. Serra é a expressão desta falência política dos capitalistas”

A burguesia procura sempre colocar a base de militantes e ativistas do PT em situação de passividade diante das eleições. O próprio comando eleitoral de Dilma, busca invariavelmente depositar suas fichas na TV.

As pesquisas, que mostravam Dilma sempre crescendo, mudaram um pouco. Mas o jogo é o mesmo.

Ao que tudo indica Dilma pode levar no primeiro turno. A burguesia joga para mostrar que tudo se deve aos programas televisivos.

Na verdade três fatores se combinam para alavancar a candidatura Dilma. Os comícios do PT com Lula à frente arrasta multidões e isso cria um enorme impacto no ânimo dos militantes e ativistas, nos trabalhadores em geral, que empurram Dilma para cima. Depois a tônica dos discursos foi se modificando no PT. Antes se falava só na continuidade do governo Lula, depois virou: “O que Lula fez, faremos mais e melhoraremos mais”. Isso para as massas em geral tem um enorme significado, carregado de ilusões, é certo, mas os trabalhadores se agarram aí porque realmente querem mais. Cedo ou tarde cobrarão suas reivindicações.

Por fim, a TV tem um papel importante, mas não é o decisivo. Que adiantaria Dilma aparecer na telinha da TV se não fosse a candidata do PT, ou seja, não “aparecesse” como do interesse dos trabalhadores e da imensa maioria do povo brasileiro? O que move milhões e milhões é a necessidade de mudança, o desejo de avançar e melhorar. É a busca confusa por uma sociedade sem explorados e exploradores, o socialismo.

A candidatura Serra despencou. E isso significa que a burguesia não está sendo capaz de unificar-se em torno de um projeto próprio de enfrentamento com os trabalhadores. Serra é a expressão desta falência política dos capitalistas.

Aliás, a burguesia é hoje incapaz de simplesmente constituir uma verdadeira oposição. Serra começou seu programa no horário político se apresentando com uma foto de Lula como fundo como se fosse seu herdeiro político e continuador. Depois de ter declarado que nada tinha contra Lula e que Lula estava acima dos partidos, que era intocável. Realmente os marqueteiros dessa gente podem ter ideias muito exóticas, mas quem aprova tudo é o próprio Serra e o comando do PSDB.

Tendo tirado o retrato de FHC de seu cenário e colocado o de Lula não é de estranhar que parte de seu eleitorado tenha desaparecido e outra parte tenha resolvido ficar com o original de Lula, a Dilma.

A grande questão que impede a unificação da burguesia em torno de um candidato burguês é a questão do programa a ser aplicado e a capacidade de dar paz social ao capital. E nestes dois itens Lula é imbatível.

A oposição burguesa não pode combater o programa econômico de Lula porque é o seu próprio programa e tem que se limitar a pequenas reservas e sugestões de mais eficiência e outras bobagens. As acusações de corrupção são ridículas vindas dos políticos da burguesia que no Brasil já nascem mafiosos como nasceu sua própria classe. O imperialismo e os capitalistas tupiniquins estão ganhando dinheiro como nunca com a bolha de crédito que Lula criou e está inflando como um balão. Por isso, grande parte deles apóia Dilma apesar da vontade de ter um burguês governando diretamente, pois não se cansam de desconfiar do PT e do que pode acontecer com ele em uma situação de crise grave.

Já a oposição dos grupos sectários de igualar o Lula à burguesia assim como Dilma e Serra só pode isolar estes grupos ainda mais e deixar Lula de mãos livres.

Nesta situação de falência política da burguesia é incrível ver Dilma na TV, em São Paulo, defendendo para governador Paulo Skaff, empresário e ex-presidente da FIESP, do PSB, e assim jogando a candidatura de Mercadante para baixo. Depois declara estar por um amplo governo inclusive com os derrotados nas eleições. Isso é um atentado contra a vontade do povo, a ressurreição do cadáver Serra e um sopro de vida na burguesia. Além disso, abandonou completamente até as pequenas reformas propostas pelo programa do PT aprovadas no congresso que a lançou candidata, como as 40 horas e o tamanho da propriedade da terra.

É neste cenário que a Esquerda Marxista só pode reafirmar: nenhum voto nos candidatos da burguesia, vote Dilma e nos candidatos petistas contra a direita, por um Governo Socialista dos Trabalhadores.

Diante do fracasso da burguesia não podemos deixar que floresça nada, a não ser a semente do socialismo!

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