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Uma greve histórica para os Petroleiros

A greve dos petroleiros chega a seu final com muitas vitórias, desde o reestabelecimento da mesa única de negociação com a Petrobrás e suas subsidiárias, a quase completa manutenção do Acordo Coletivo de Trabalho vigente, até o reajuste salarial que evoluiu de 5,73% em uma primeira proposta e alcançou 9,53%, recompondo a inflação do período. Desafiando as políticas de austeridade do Governo Federal.

A greve dos petroleiros chega a seu final com muitas vitórias, desde o reestabelecimento da mesa única de negociação com a Petrobrás e suas subsidiárias, a quase completa manutenção do Acordo Coletivo de Trabalho vigente, até o reajuste salarial que evoluiu de 5,73% em uma primeira proposta e alcançou 9,53%, recompondo a inflação do período. Desafiando as políticas de austeridade do Governo Federal.

A greve teve forte adesão das bases operacionais, onde muitos jovens petroleiros pela primeira vez participaram de uma forte greve nacional. Dezenas de plataformas, terminais e refinarias foram entregues às equipes de contingência. Em muitas unidades enfrentou-se o aparato policial e o assédio de gerentes inescrupulosos.

Depois de anos a mercê da política de colaboração de classes a categoria petroleira voltou a alongar seus músculos e mostrou estar pronta para as futuras batalhas que virão.

Apesar das vitórias, muita coisa ficou pendente. Nada ficou resolvido em relação ao Plano de desinvestimento (privatização) da Petrobrás, será criado um grupo de trabalho com os sindicatos para rediscutir este Plano, e nele não estão incluídas as subsidiárias. Em relação aos dias parados, os trabalhadores pagarão metade das horas monetariamente e a outra metade com horas extras de trabalho.

Por isso muitas bases entenderam que a Federação Única dos Petroleiros (FUP) indicou a saída da greve de forma prematura e as bases do Norte Fluminense, Espírito Santo e Minas Gerais votaram em um primeiro momento contra o indicativo da FUP permanecendo em greve por mais alguns dias tentando reverter o desmonte da greve, mas dado o isolamento dessas bases, no dia 20 de novembro, também decidiram sair da greve.

Os sindicatos da Federação Nacional dos Petroleiros mantiveram o indicativo de greve até que o Norte Fluminense, a principal região de exploração da Petrobrás, decidiu pela saída da greve. O Sindicato do Litoral Paulista, importante região de exploração, distribuição e refino, foi a vanguarda do movimento, foram os primeiros a entrar em greve e os últimos a sair.

A greve foi efetivamente forte quando as duas Federações entraram na greve e reduziram, significativamente, o ritmo de exploração e refino de unidades da Petrobras. Foi neste momento que a direção da companhia se dobrou e começou a negociar, cedendo em muitos pontos importantes. Por isso todas as bases entenderam que esta foi uma greve vitoriosa.

Apesar da vitória ficou evidente, que a divisão da categoria em duas Federações é o grande obstáculo a ser vencido pelos trabalhadores petroleiros no próximo período.

O grande desafio para a próxima greve, que fatalmente virá, é trazer para a luta as bases administrativas e os elementos mais atrasados da categoria, explicando pacientemente o momento histórico que vivemos, assim como envolver na luta, os petroleiros das empresas terceirizadas, que estão sendo diariamente demitidos, sem o menor constrangimento, e com o aval da direção da Petrobrás.

Hoje, é possível abrir uma luta real para impedir o esquartejamento da Petrobras e revogação das Emendas Constitucionais e Leis que quebraram o monopólio estatal do Petróleo. A base para isso, a mobilização e conscientização dos operários petroleiros já começou. A luta de todos os trabalhadores e da juventude podem e devem abrir caminho para a derrota do governo e da burguesia e uma Petrobras 100% estatal sob controle operário. 

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