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Um dia agitado e mais tempestades pela frente

Confronto entre polícia e manifestantes contrários às medidas do governador do Rio, bate boca entre ministros do STF, invasão do Congresso por uma turba de direita. Os sinais da instabildiade do regime político se multiplicam a cada dia.

Foto: 16/11/2016- Servidores estaduais do Rio de Janeiro protestam contra o pacote de cortes do governo do estado em frente ao prédio da Alerj. Crédito: Tânia Rêgo/ Agência Brasil

Ontem (quarta-feira, 16 de novembro), o governador do Rio de Janeiro mandou seu pacote para a Assembleia Legislativa, que pune os servidores pela crise do Estado. Os servidores foram à luta. Milhares se concentraram em frente ao Palácio Tiradentes, onde se dá a votação. Durante o feriado, foi construída uma grade dupla para impedir os servidores de chegarem perto, ao custo de 20 mil reais! Quando a manifestação aumentou, a Força Nacional de Segurança e o Batalhão de Choque da PM despejaram bombas e spray de pimenta e balas de borracha à vontade. Dois integrantes da tropa de choque, revoltados, abandonaram o batalhão, jogaram seus escudos fora e se uniram aos manifestantes. A primeira grade caiu e só não houve invasão porque os manifestantes pararam. O número de feridos é grande.

No STF, o bate boca entre dois ministros parecia briga de jardim de infância. O inefável Gilmar Mendes profere um voto a favor do governo e contra os servidores. Depois que se verificou vencido, ele pede vistas ao processo. Lewandowiski coloca o problema: afinal, depois do voto, como se pode pedir vistas? A decisão, no final, não ficou clara, mas o bate-boca ficou! O STF perde a sua “compostura” e mostra a sua verdadeira face, composta por seres humanos muito “normais”, em adjetivos e nomes que caberiam em qualquer briga de bar.

Finalmente, o plenário do Congresso é invadido por um grupo fascistóide que pede intervenção militar, dá vivas a Sérgio Moro e grita que nossa bandeira jamais será vermelha. O curioso dessa história toda é como funciona a repressão no Congresso. Vários sites de jornais noticiaram que a polícia legislativa sabia que existiam elementos de direita se reunindo e avisou a mesa. Apesar disso, eles puderam entrar normalmente pela porta principal, quebraram uma porta de vidro e invadiram o plenário sem nenhuma reação visível. Os estudantes que estiveram no Congresso semana passada, sem ter feito nenhuma ação violenta, comportando-se dentro das normas estabelecidas, receberam spray de pimenta na cara. E os direitistas passam pelos controles, quebram e arrebentam, ficam cantando e gritando na mesa após expulsarem os deputados. E só recebem a reprimenda do Presidente da Casa depois de tudo feito, dizendo que “exige respeito” e pedindo que “todos sejam presos e processados”. Muito valente o Presidente que deixou tudo passar e só depois esbraveja.

A marca da instabilidade e a crescente temperatura de polarização social ressaltam a abertura de um novo período da luta de classes no Brasil.

Conforme publicamos na edição 96 do Jornal Foice e Martelo, de 4 de outubro: “O que está em curso é uma profunda crise do regime capitalista com o desmoronamento do regime político da Nova República saído da Constituição de 1988. Acontecimentos revolucionários estão em gestação em escala global e o Brasil está inserido neste quadro”. 

Em primeiro lugar, é preciso ter tranquilidade para compreender estes acontecimentos. Ao mesmo tempo são fatos, ainda que difusos, compreensíveis de acontecerem num momento aonde a podridão das instituições começa a soltar seus pedaços na conjuntura.

No Rio de Janeiro, os servidores, aposentados e pensionistas estão sob forte ataque, em alguns setores com salários há meses atrasados, incluindo aí os policiais.

O STF está profundamente dividido sobre “o que fazer”. Trata-se de uma expressão da divisão da própria burguesia.

Na invasão da Câmara, está muito claro que um grupo de dezenas de pessoas circulando pela Casa sem ser acompanhado é muito estranho. Não sabemos se houve ajuda de algum parlamentar de direita, mas é certo que algum deputado foi no mínimo complacente com aquela turba.

Não há uma onda conservadora, há indignação generalizada contra as instituições. E sem uma organização que galvanize esta energia contra o sistema, a tendência é que esses fatos se multipliquem e, sem esta força galvanizadora, acabe por dissipar esta energia.

O aquecimento da luta de classes aumenta a polarização social e grupos de direita e extrema direita cada vez mais saem das tocas escuras. Mas alertamos: este jogo ainda não foi jogado. É o início de um novo período da luta de classes que se avizinha. É preciso observar também a formidável disposição de luta da juventude e da classe trabalhadora no último período.

Cabe aos revolucionários neste momento evitar todo impressionismo, acreditar na capacidade de luta e organização da classe trabalhadora, explicando a situação, ajudando e apoiando as mobilizações. Ao mesmo tempo, devem impulsionar, a partir do debate e intervenção na luta de classes, a construção de uma nova força política capaz de unir todos que se mantem fiéis às bandeiras históricas da classe trabalhadora e da luta pelo socialismo.     

Tempestades se avizinham e a melhor forma de enfrentá-las é estarmos preparados e organizados. Este é o combate da Esquerda Marxista, junte-se a nós!

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