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Um ano sem o camarada Chico Lessa

Na noite de 27 de fevereiro de 2015 nosso querido camarada Chico Lessa foi assolado por um terrível acidente e, em 28 de fevereiro, Chico Lessa nos deixava. Difícil medir o tamanho do vazio deixado por ele na luta de classes e, em especial, na construção do partido revolucionário, mas sem dúvida estamos dia a dia lutando para que seu legado seja mantido.

Na noite de 27 de fevereiro de 2015 nosso querido camarada Chico Lessa foi assolado por um terrível acidente e, em 28 de fevereiro, Chico Lessa nos deixava. Difícil medir o tamanho do vazio deixado por ele na luta de classes e, em especial, na construção do partido revolucionário, mas sem dúvida estamos dia a dia lutando para que seu legado seja mantido. 

Francisco foi um advogado trabalhista brilhante, mas acima de tudo foi um militante exemplar. Não um militante perfeito, até porque essa palavra não combina com a defesa incondicional do materialismo histórico dialético, que Chico defendeu até seu último dia. 

A Esquerda Marxista tem por objetivo preservar a história desse camarada com o intuito de que ele nos sirva de exemplo. Todos aqueles que se reivindicam do marxismo precisam conhecer aqueles que dedicaram suas vidas na construção de outro mundo, na construção do Socialismo. 

Francisco João Lessa era um homem que veio do campo, interior de Santa Catarina, um campônio como ele gostava de dizer, frequentou o seminário e em dado momento o padre explicou a ele que era melhor que fosse pra casa, pois ele gostava muito das coisas da vida e o menino, nas palavras do poeta – “Tinha fugido do céu (…). No céu era tudo falso, tudo em desacordo, com flores e árvores e pedras, no céu tinha que estar sempre sério”*. 

Dali em diante, Chico conheceu o mundo. Foi para a cidade grande, trabalhou, conheceu a pé a capital do Estado de Santa Catarina cadastrando casas. Dizia sempre, Florianópolis é linda. De Floripa foi para Itajaí, estudar Direito. Conheceu o movimento estudantil, a literatura e o marxismo. De campônio o jovem passou a internacionalista, posição essa que o acompanharia até a partida. Gostava de contar que cuidou da biblioteca na ausência da funcionária, pois era quem mais conhecia tudo que lá estava. 

Chico era um operário do direito, como ele dizia, um advogado brilhante, que conhecia música clássica, Cervantes, Goethe, leu a obra toda de Orwell e chegou a presentear toda a família cada qual com um livro do Gabriel Garcia Marques. Leu e estudou profundamente tudo que pode, até o último dia, de Trotsky, Lenin, Marx e Engels. Ao mesmo tempo, era um homem simples, contava história, ria muito, dizia que a humanidade não nasceu para a tristeza. Ao lado dos operários viveu toda sua vida adulta, fosse na assembleia sindical, na defesa judicial dos operários ou mesmo no boteco em frente à fábrica. Sim, Chico era um homem que estava sempre ao lado dos operários. 

Na vida sindical ajudou a fundar a Alisc (Associação dos Licenciados de SC, hoje Sinte) em Itajaí e outros tantos sindicatos pelo estado. Teve papel fundamental na construção da CUT, na conquista para os trabalhadores do Sindicato dos Metalúrgicos, em Jaraguá do Sul, dos Plásticos, Mecânicos e Metalúrgicos, em Joinville. Muitas dessas entidades voltaram às mãos da direita ou traíram os interesses da classe trabalhadora com o passar dos anos. Chico rompeu com cada uma das direções que se apelegaram e combateu a colaboração de classes até seu último dia. Isso vale também para o Partido dos Trabalhadores, que ajudou a fundar e dentro do qual lutou pela virada à esquerda por mais de 30 anos. Ele estava entusiasmado com a decisão da EM de sair do PT e entrar no PSol. Não fosse sua prematura partida, teria cumprido papel de destaque nessa nova empreitada.

O último sindicato que Chico ajudou a retomar para os trabalhadores e para a CUT, em 2010, foi o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Joinville e Região, onde atuou até seu último dia. 

Chico era um homem que ouvia, não tinha ânsia em responder. Viveu a maior parte absoluta da vida consciente como um militante da Esquerda Marxista, da Corrente Marxista Internacional, portanto, acreditando na construção do partido, no centralismo democrático e na unidade dos trabalhadores do mundo. Membro do Comitê Central da EM, foi um dos principais dirigentes das Fábricas Ocupadas, fez história, desafiou o judiciário, descumpriu ordens judiciais, tudo em defesa dos operários da Cipla e da Interfibra. Sem dúvidas, se a ele perguntassem, diria: nada em minha vida militante foi maior que a luta das fábricas ocupadas. 

Chico faleceu em um trágico acidente em São Paulo. Estava lá para cumprir uma tarefa que se orgulhava em fazer, a reunião do Comitê Central da Esquerda Marxista. Seu coração parou de bater na Avenida São João.  

Nesta data de indescritível tristeza, os militantes da Esquerda Marxista homenageiam Chico Lessa com nova vitória nas eleições do Sinsej.

Como disse Engels na morte de Marx, nós dizemos ao nosso camarada: “Seu nome viverá através dos séculos, assim como sua obra”. Chico Lessa, Presente! 

* O excerto é do poema “O guardador de Rebanhos” do escritor português Fernando Pessoa, escritor esse que Chico adorava. 

 

 

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