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Um ano quente se inicia

Passado menos de um mês do início do ano, significativos acontecimentos agitaram a arena da luta de classes mundial.

Logo no início do ano, na Venezuela, a provocação golpista da direita venezuelana, utilizando como pretexto o estado de saúde do presidente Hugo Chávez, provocou a ira e a disposição de luta da classe trabalhadora em defender a revolução. No dia marcado para a posse do novo mandato presidencial (10/01), diante da impossibilidade de Chávez em cumprir a formalidade de fazer um juramento de posse, o povo inundou as ruas de Caracas e fez o seu juramento, no qual declararam defender “esta Constituição, nossa democracia popular, nossa independência e o direito de construir o socialismo na nossa pátria” e também “a Presidência do comandante Chávez nas ruas, com a razão, com a verdade, a força e a inteligência de um povo que conseguiu se libertar do domínio da burguesia”. Essa é a expressão da profunda consciência revolucionária da classe trabalhadora venezuelana que, mais de uma vez, salvou a revolução dos golpes da burguesia e do imperialismo. Indicamos a leitura do texto publicado em nossa página que analisa de forma mais aprofundada a situação na Venezuela, veja nesse link: http://www.marxismo.org.br/?q=content/venezuela-campanha-desestabilizadora-da-oposicao-provoca-resposta-revolucionaria

Ontem, dia 23 de janeiro, data em que se comemora a queda do ditador Marcos Pérez Jiménez em 1958, a oposição venezuelana tentou uma nova ofensiva e convocou uma demonstração de força da direita. O PSUV respondeu chamando as massas a tomarem as ruas no mesmo dia. A oposição direitista, temendo um fracasso de sua manifestação, acabou cancelando-a e realizando uma pequena reunião com 6 mil pessoas em um bairro elegante da classe alta de Caracas. Milhares e milhares de chavistas encheram as ruas e praças e marcharam até o bairro 23 de Janeiro, UNETE e CBST estiveram presentes com seus pelotões de trabalhadores que marcharam juntos com as milícias populares e mulheres em uniformes verdes, em seus cartazes frases contra qualquer pacto ou acordo com a direita.

Nos EUA, Obama tomou posse do seu novo mandato no último dia 21. Em seu discurso pregou a unidade em um momento que democratas e republicanos buscam acordo para o aumento do teto da crescente dívida pública que supera os 100% do PIB. É relevante destacar que segundo os números oficiais, cerca de 700 mil pessoas foram ao Capitólio acompanhar a posse, um número ainda considerável, mas bem abaixo dos mais de 2 milhões presentes em sua primeira posse em 2009, o que evidencia a crescente desilusão das massas. No discurso, nenhuma resposta sobre as questões concretas e relevantes para a classe trabalhadora, como o crescente desemprego que chegou à taxa de 8,2%. Crescem também as greves e mobilizações, a luta de classes esquenta no coração do capitalismo.

Na Alemanha, a eleição regional ocorrida no último domingo na Baixa Saxônia (região norte do país) teve como resultado a derrota do partido conservador da presidente Angela Merkel, o União Democrata Cristã (CDU). Venceu a eleição a oposição com a coalizão entre o SPD (sociais-democratas) e os verdes. Esse resultado repete a derrota de Merkel em grandes Estados, como a Renânia, e revela o crescente descontentamento da população na principal economia da zona do euro. A eleição presidencial ocorrerá esse ano e novas reviravoltas podem acontecer.

Em Israel, houve um surpreendente resultado eleitoral na última terça-feira, terminou em empate a disputa pelas cadeiras do parlamento entre os partidos de direita religiosos, que apoiam o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, e a oposição, com um especial crescimento de um partido recém-fundado considerado de “centro”, o Yash Atid (Há Um Futuro). Seu líder, o ex-apresentador de TV Yair Lapid, durante a campanha contestou a crescente influência dos judeus ortodoxos sobre a sociedade israelense. Na realidade, este é mais um sinal do crescente descontentamento do povo israelense com a deterioração das condições de vida que já ocasionaram manifestações massivas em Israel. Isso alimenta a consciência de classe, em especial a consciência de que os inimigos são os burgueses israelenses e seus chefes imperialistas, não o povo palestino.

O que fica marcado em todos os cantos do mundo é que cresce a insatisfação do povo, e isso se reflete em resultados eleitorais e na mobilização das massas, faz parte desse processo o crescimento da Frente de Esquerda na França no ano passado, do Syriza na Grécia, as mobilizações de massa na Grécia, Espanha, Portugal e em vários países europeus onde os trabalhadores estão sendo castigados pela crise do capitalismo.

As perspectivas não são animadoras para a economia. Segundo os dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho), em 2012 o número de desempregados em todo o mundo teve um acréscimo de 4,2 milhões de trabalhadores, chegando a 197,2 milhões no total, 28 milhões a mais que em 2007, período anterior à crise. Em 2013, deve ser atingido o recorde do número absoluto de desempregados com mais 5,1 milhões de trabalhadores agregando-se a esse contingente.

A consciência de que esse sistema apodrecido não pode oferecer nenhum futuro feliz para o conjunto da humanidade cresce, este é um terreno rico para o trabalho dos revolucionários em todo o mundo.

E o Brasil?

No Brasil, o governo fala que em 2013 teremos um “crescimento sustentável”, mas ninguém mais acredita no otimismo do Ministro da Fazenda de que o PIB vai crescer acima de 4%. A verdade é que a economia brasileira está desacelerando. O crescimento do PIB, que em 2011 já foi baixo (2,1%), em 2012 as estimativas são de que o crescimento tenha sido abaixo de 1%. A produção industrial também apresentou queda no ano passado. Esses são os sintomas de que a crise se aproxima com mais força.

O governo continua com suas bondades aos capitalistas. O pacote de redução da tarifa da energia elétrica que agora entra em vigor, mascarado pela propaganda da redução da energia para as residências, para o povo, na realidade é o barateamento da energia elétrica para beneficiar os capitalistas. Para as indústrias a redução será de 32% do valor da conta, já para residências de 18%. Esse é mais um pacote comemorado pela burguesia, assim como foram as privatizações, a desoneração da folha de pagamento para setores da indústria, a desoneração tributária, etc.

As bondades governamentais para os capitalistas são um lado da moeda, o outro são os ataques à classe trabalhadora que precisarão ser intensificados com o aprofundamento da crise no país, disso irá participar o desemprego, que até o momento se mantém estável, e a retirada de direitos, que até o momento o governo não conseguiu colocar em prática, apesar de estar ainda em seus planos uma nova reforma da previdência e em “estudos” o Acordo Coletivo Especial (ACE), vergonhosamente proposto pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, no qual o “acordado valeria mais que o legislado”.

Só que para colocar em prática novos ataques será preciso se enfrentar com a classe trabalhadora brasileira, que, apesar de não ter realizado mobilizações de massa no último período, mantém sua força intacta, demonstração disso é que a maioria dos Acordos Coletivos do ano passado fecharam com reajustes acima da inflação. 

A burguesia compreende o que está por vir e se prepara. A crescente criminalização do movimento operário e dos movimentos sociais, a farsa do julgamento do mensalão, são partes dessa ofensiva para desmoralizar as organizações e as lutas da classe trabalhadora.

A imprensa burguesa divulgou amplamente uma pesquisa furada feita pela internet, na qual mais de 9 mil votos foram descartados, onde Lula foi eleito o político mais corrupto de 2012. É a propaganda da burguesia que não visa atingir Lula pessoalmente, mas o que ele representa, que a classe trabalhadora brasileira teve a força para construir um partido e eleger um operário à presidência. O recado que a burguesia quer passar é que os trabalhadores não tem capacidade de tomar as rédeas da vida política do país sem cair na corrupção e no crime. No fim, o que eles querem é colocar o PT na ilegalidade como organização criminosa e fazer o mesmo com a CUT, os sindicatos e todas as organizações de esquerda.

É preciso resistir a essa ofensiva da burguesia. Saudamos todos aqueles que estão organizando atos e atividades pela anulação do julgamento do “mensalão”, como a atividade que ocorrerá em 30 de janeiro no RJ, tendo entre os organizadores a CUT-RJ e a iniciativa do PT da macrorregião de Campinas que realizará um ato em defesa do PT e dos direitos. Estamos ao lado dos companheiros nessas iniciativas e prosseguimos a coleta de assinaturas à carta à direção do PT e da CUT para que assumam sua responsabilidade, organizem um Encontro Nacional de Trabalhadores em Defesa do PT e da CUT, Contra a Criminalização do Movimento Operário e Popular.  Apresentaremos para votação essa proposta na próxima reunião da direção do partido e da central.

Nossa tarefas

A Esquerda Marxista busca se fortalecer para os duros combates que se avizinham, um momento importante de elaboração coletiva da organização será nossa Conferência Nacional que se realizará nos dias 30 e 31 de março, precedida pelo Encontro Nacional da Corrente Sindical Esquerda Marxista e pelo Encontro Nacional da Juventude Marxista no dia 29 de março. Convidamos todos os nossos militantes e apoiadores a contribuir política e financeiramente para a preparação do Encontro Sindical e da Juventude e para nossa Conferência Nacional.

Apenas a organização e a mobilização de nossa classe poderão garantir o bloqueio da ofensiva da burguesia que quer esmagar a luta dos trabalhadores e da juventude e impor maiores sofrimentos para os que já são oprimidos por esse sistema em crise. A única saída positiva para os povos de todo o mundo é a derrubada do capitalismo e a construção de uma sociedade em que os trabalhadores tomem de fato o poder, uma sociedade socialista. Esse é o combate que convidamos todos a se integrar, conhecendo e juntando-se à Esquerda Marxista, seção brasileira da Corrente Marxista Internacional.

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