Um ano quente se inicia

Janeiro ainda não acabou e muitos acontecimentos já agitaram a luta de classes nesse ano que se inicia. Não temos dúvida, 2013 será um ano quente para a luta dos trabalhadores.

Passado menos de um mês do início do ano, significativos acontecimentos já agitaram a arena da luta de classes mundial.

Logo no início do ano, na Venezuela, a provocação golpista da direita, utilizando como pretexto o estado de saúde do presidente Hugo Chávez, provocou a ira e a disposição de luta da classe trabalhadora venezuelana para defender a revolução. No dia marcado para a posse do novo mandato presidencial (10/01), diante da impossibilidade de Chávez em cumprir a formalidade de fazer um juramento de posse, o povo inundou as ruas de Caracas e fez o seu juramento, no qual declarou defender “esta Constituição, nossa democracia popular, nossa independência e o direito de construir o socialismo na nossa pátria” e também “a Presidência do comandante Chávez nas ruas, com a razão, com a verdade, a força e a inteligência de um povo que conseguiu se libertar do domínio da burguesia”. Essa é a expressão da profunda consciência revolucionária da classe trabalhadora venezuelana que, mais de uma vez, salvou a revolução dos golpes da burguesia e do imperialismo. Indicamos a leitura do texto publicado em nossa página que analisa de forma mais aprofundada a situação na Venezuela, veja nesse link: http://www.marxismo.org.br/?q=content/venezuela-campanha-desestabilizadora-da-oposicao-provoca-resposta-revolucionaria

Ontem, dia 23 de janeiro, data em que se comemora a queda do ditador Marcos Pérez Jiménez em 1958, a oposição venezuelana tentou uma nova ofensiva e convocou uma demonstração de força da direita. O PSUV respondeu chamando as massas a tomarem as ruas no mesmo dia. A oposição direitista, temendo um fracasso de sua manifestação, acabou cancelando-a e realizando uma pequena reunião com 6 mil pessoas em um bairro elegante da classe alta de Caracas. Milhares e milhares de chavistas encheram as ruas e praças e marcharam até o bairro 23 de Janeiro, UNETE e CBST estiveram presentes com seus pelotões de trabalhadores que marcharam juntos com as milícias populares e mulheres em uniformes verdes, em seus cartazes frases contra qualquer pacto ou acordo com a direita.

Nos EUA, Obama tomou posse do seu novo mandato no último dia 21. Em seu discurso pregou a unidade em um momento que democratas e republicanos buscam acordo para o aumento do teto da crescente dívida pública que supera os 100% do PIB. É relevante destacar que segundo os números oficiais, cerca de 700 mil pessoas foram ao Capitólio acompanhar a posse, um número ainda considerável, mas bem abaixo dos mais de 2 milhões presentes em sua primeira posse em 2009, o que evidencia a crescente desilusão das massas. No discurso, nenhuma resposta sobre as questões concretas e relevantes para a classe trabalhadora, como o crescente desemprego que chegou à taxa de 8,2%. Crescem também as greves e mobilizações, a luta de classes esquenta no coração do capitalismo.

Na Alemanha, a eleição regional ocorrida no último domingo na Baixa Saxônia (região norte do país) teve como resultado a derrota do partido conservador da presidente Angela Merkel, o União Democrata Cristã (CDU). Venceu a eleição a oposição com a coalizão entre o SPD (sociais-democratas) e os verdes. Esse resultado repete a derrota de Merkel em grandes Estados, como a Renânia, e revela o crescente descontentamento da população na principal economia da zona do euro. A eleição presidencial ocorrerá esse ano e novas reviravoltas podem acontecer.

Em Israel, houve um surpreendente resultado eleitoral na última terça-feira, terminou em empate a disputa pelas cadeiras do parlamento entre os partidos de direita religiosos, que apoiam o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, e a oposição, com um especial crescimento de um partido recém-fundado considerado de “centro”, o Yash Atid (Há Um Futuro). Seu líder, o ex-apresentador de TV Yair Lapid, durante a campanha contestou a crescente influência dos judeus ortodoxos sobre a sociedade israelense. Na realidade, este é mais um sinal do crescente descontentamento do povo israelense com a deterioração das condições de vida que já ocasionaram manifestações massivas em Israel. Isso alimenta a consciência de classe, em especial a consciência de que os inimigos são os burgueses israelenses e seus chefes imperialistas, não o povo palestino.

O que fica marcado em todos os cantos do mundo é que cresce a insatisfação do povo, e isso se reflete em resultados eleitorais e na mobilização das massas, faz parte desse processo o crescimento da Frente de Esquerda na França no ano passado, do Syriza na Grécia, as mobilizações de massa na Grécia, Espanha, Portugal e em vários países europeus onde os trabalhadores estão sendo castigados pela crise econômica.

As perspectivas apresentadas pelo capitalismo não são animadoras. Segundo os dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho), em 2012 o número de desempregados em todo o mundo teve um acréscimo de 4,2 milhões de trabalhadores, chegando a 197,2 milhões no total, 28 milhões a mais que em 2007, período anterior à crise. Em 2013, deve ser atingido o recorde do número absoluto de desempregados com mais 5,1 milhões de trabalhadores agregando-se a esse contingente.

A consciência de que esse sistema apodrecido não pode oferecer nenhum futuro feliz para o conjunto da humanidade cresce, este é um terreno rico para o trabalho dos revolucionários em todo o mundo.

E o Brasil?

No Brasil, o governo fala que em 2013 teremos um “crescimento sustentável”, mas ninguém mais acredita no otimismo do Ministro da Fazenda de que o PIB vai crescer acima de 4%. A verdade é que a economia brasileira está desacelerando. O crescimento do PIB, que em 2011 já foi baixo (2,7%), em 2012 as estimativas são de que o crescimento tenha sido abaixo de 1%. A produção industrial também apresentou queda no ano passado. Esses são os sintomas de que a crise se aproxima com mais força.

O governo continua com suas bondades aos capitalistas. O pacote de redução da tarifa da energia elétrica que agora entra em vigor, mascarado pela propaganda da redução da energia para as residências, para o povo, na realidade é o barateamento da energia elétrica para beneficiar os capitalistas. Para as indústrias a redução será de 32% do valor da conta, já para residências de 18%. Esse é mais um pacote comemorado pela burguesia, assim como foram as privatizações, a desoneração da folha de pagamento para setores da indústria, a desoneração tributária, etc.

As bondades governamentais para os capitalistas são um lado da moeda, o outro são os ataques à classe trabalhadora que precisarão ser intensificados com o aprofundamento da crise no país, disso irá participar o desemprego, que até o momento se mantém estável, e a retirada de direitos, que até o momento o governo não conseguiu colocar em prática, apesar de estar ainda em seus planos uma nova reforma da previdência e em “estudos” o Acordo Coletivo Especial (ACE), vergonhosamente proposto pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, no qual o “acordado valeria mais que o legislado”.

Só que para colocar em prática novos ataques será preciso se enfrentar com a classe trabalhadora brasileira, que, apesar de não ter realizado mobilizações de massa no último período, mantém sua força intacta, demonstração disso é que a maioria dos Acordos Coletivos do ano passado fecharam com reajustes acima da inflação. 

A burguesia compreende o que está por vir e se prepara. A crescente criminalização do movimento operário e dos movimentos sociais, a farsa do julgamento do mensalão, são partes dessa ofensiva para desmoralizar as organizações e as lutas da classe trabalhadora.

A imprensa burguesa divulgou amplamente uma pesquisa furada feita pela internet, na qual mais de 9 mil votos foram descartados, onde Lula foi eleito o político mais corrupto de 2012. É a propaganda da burguesia que não visa atingir Lula pessoalmente, mas o que ele representa, que a classe trabalhadora brasileira teve a força para construir um partido e eleger um operário à presidência. O recado que a burguesia quer passar é que os trabalhadores não tem capacidade de tomar as rédeas da vida política do país sem cair na corrupção e no crime. No fim, o que eles querem é colocar o PT na ilegalidade como organização criminosa e fazer o mesmo com a CUT, os sindicatos e todas as organizações de esquerda.

É preciso resistir a essa ofensiva da burguesia. Saudamos todos aqueles que estão organizando atos e atividades pela anulação do julgamento do “mensalão”, como a atividade que ocorrerá em 30 de janeiro no RJ, tendo entre os organizadores a CUT-RJ e a iniciativa do PT da macrorregião de Campinas que realizará um ato em defesa do PT e dos direitos. Estamos ao lado dos companheiros nessas iniciativas e prosseguimos a coleta de assinaturas à carta à direção do PT e da CUT para que assumam sua responsabilidade, organizem um Encontro Nacional de Trabalhadores em Defesa do PT e da CUT, Contra a Criminalização do Movimento Operário e Popular.  Apresentaremos para votação essa proposta na próxima reunião da direção do partido e da central.

Nossa tarefas

A Esquerda Marxista busca se fortalecer para os duros combates que se avizinham, um momento importante de elaboração coletiva da organização será nossa Conferência Nacional que se realizará nos dias 30 e 31 de março, precedida pelo Encontro Nacional da Corrente Sindical Esquerda Marxista e pelo Encontro Nacional da Juventude Marxista no dia 29 de março. Convidamos todos os nossos militantes e apoiadores a contribuir política e financeiramente para a preparação do Encontro Sindical e da Juventude e para nossa Conferência Nacional.

Apenas a organização e a mobilização de nossa classe poderão garantir o bloqueio da ofensiva da burguesia que quer esmagar a luta dos trabalhadores e da juventude e impor maiores sofrimentos para os que já são oprimidos por esse sistema em crise. A única saída positiva para os povos de todo o mundo é a derrubada do capitalismo e a construção de uma sociedade em que os trabalhadores tomem de fato o poder, uma sociedade socialista. Esse é o combate que convidamos todos a se integrar, conhecendo e juntando-se à Esquerda Marxista, seção brasileira da Corrente Marxista Internacional. 

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