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Um Anhangabaú desanimado e uma Dilma que não entendeu nada

Depois de manifestações que reuniram milhares de ativistas e jovens ávidos para lutar contra a direita e os ataques às liberdades democráticas, o ato do 1º de maio em São Paulo assistiu a um discurso de Dilma Rousseff em defesa de seu governo. Contudo, o público – longe da cifra de 100 mil pessoas divulgada pela CUT – conversava e se mostrava abatido, enquanto prosseguiam as explicações jurídicas e as medidas anunciadas pela presidente. Ficou evidente o desânimo com a política agitada pelos aparatos sindicais e partidários alinhados ao Palácio do Planalto, que fazem parecer obrigatório defender o governo para combater o impeachment.

Depois de manifestações que reuniram milhares de ativistas e jovens ávidos para lutar contra a direita e os ataques às liberdades democráticas, o ato do 1º de maio em São Paulo assistiu a um discurso de Dilma Rousseff em defesa de seu governo. Contudo, o público – longe da cifra de 100 mil pessoas divulgada pela CUT – conversava e se mostrava abatido, enquanto prosseguiam as explicações jurídicas e as medidas anunciadas pela presidente. Ficou evidente o desânimo com a política agitada pelos aparatos sindicais e partidários alinhados ao Palácio do Planalto, que fazem parecer obrigatório defender o governo para combater o impeachment.

Organizado para ser uma grande festa, a celebração do 1º de maio em São Paulo começou com uma série de intervenções de representantes de entidades e movimentos sociais. Nenhuma das falas ou palavras de ordem puxadas desde o palco empolgaram os participantes do evento, com exceção dos momentos em que o “Fora Cunha!” saiu das caixas de som. Ainda mais tristes foram as reações diante das falas do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e de representantes da administração paulistana.

O momento em que apostava-se a chegada das massas, com as apresentações artísticas e culturais, não viu maior empolgação do que a vista durante os discursos políticos. Quando “Detonautas” buscou explorar a energia escondida entre os presentes, descobriu que gritos curtos e espaçados eram tudo que saia, a maioria vindo do grupo concentrado em frente ao palco, que tinha seu acesso controlado, com as pessoas precisando passar por detectores de metal e por seguranças.  Nem mesmo a Feira Gastronômica montada para atrair as pessoas viveu dias de glória neste 1º de maio.

Após a votação do impeachment na Câmara, as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo declararam que chamariam para 1º de Maio uma Assembleia Nacional da Classe Trabalhadora. A Esquerda Marxista enfatizou que lançaria, e assim o fez, todas as suas energias para fazer dessa uma vitoriosa atividade para organizar as energias da classe trabalhadora contra o impeachment, contra o ajuste e em defesa dos direitos e conquistas. Entretanto, o que vimos foi a preparação de festas despolitizadas, que pouco deixaram a desejar para as celebrações patronais do “Dia do Trabalho”.

Os eventos deste domingo convocaram um Dia Nacional de Lutas para 10 de maio. Se os dirigentes dos aparatos sindicais e populares utilizarem a mesma tática do “morde e assopra” para convocar o 10 de maio, podemos prever um “Dia Nacional Pra Inglês Ver”. Enquanto isso, a classe trabalhadora continua assistindo a situação se desenvolver, enojada com o Congresso Nacional, mas sem disposição de seguir a orientação de defender o governo Dilma/Lula, como orientado pelas entidades que não acreditam na possibilidade de uma via independente para a classe trabalhadora e para a juventude.

Diante do impasse das facções da classe dominante e de seus aparatos de sustentação, os lutadores populares precisam agir para organizar e preparar a classe trabalhadora e a juventude para o período que se seguirá. Nem o governo Dilma/Lula, nem um eventual governo Temer/Cunha/Aécio representam uma saída para a crise de interesse dos oprimidos e explorados pelo capitalismo. Por sua própria e dura experiência, as massas trabalhadoras chegarão a essa conclusão e entrarão em cena.

Neste momento, cumpre uma importância fundamental denunciar as vacilações conciliadoras dos dirigentes dos aparelhos, ao mesmo tempo em que apontamos a necessária unidade da classe trabalhadora para defesa de seus direitos e conquistas.

Colocamos nossas energias com vigor para a possível Assembleia Nacional da Classe Trabalhadora neste 1º de maio. Mas seus organizadores recuaram, organizando uma grande festa, com a linha do “não vai ter golpe” e de “defesa da democracia”, para, na realidade,  apoiar o governo Dilma, inclusive trazendo-a para o ato em São Paulo. Agora respondem ao espírito de luta entre a vanguarda dos trabalhadores e da juventude com o Dia Nacional de Lutas, agendado para 10 de maio. Mas para esse dia de fato mobilizar a base, precisa ser um dia de luta pelas reivindicações, contra os ataques de todos os governos, incluindo os vindos do governo Dilma, e dos patrões, pela unidade da classe trabalhadora em defesa de seus direitos e conquistas.

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